Enquanto Chip Monck provocava uma revolução na Iluminação Cênica dos shows de Rock’n’Roll, em plena efervescência da psicodelia nos Estados Unidos da América (ou seja, na segunda metade da década de 1960), a Inglaterra “produzia” um dos mais importantes Lighting Designers de todos os tempos: Michael Tait.
O início da década de 1960 impactou decisivamente a história do Rock’n’Roll, que surgira alguns anos antes: pela formação de algumas das mais significativas e influentes bandas de todos os tempos; consolidação de um gênero ou estilo musical, principalmente proporcionada pela Beatlemania; e pela personificação de comportamentos e atitudes, muitos dos quais “prescritos” em letras e poesias que eram cantados por artistas e bandas, em todo o mundo.
Especialmente no Rock’n’Roll produzido na Inglaterra, o Blues teve sua mais intensa influência, especificamente em bandas como The Animals, John Mayall & the Bluesbreakers, Yardbirds, The Rolling Stones, e alguns anos mais tarde Free, Cream, Led Zeppelin e Jethro Tull, entre outras, fundamentais na história da música e da cultura do século XX.
Mas se a produção musical se desenvolvia rapidamente naquele país, os recursos de iluminação cênica não acompanhavam essa evolução. A maioria das bandas se apresentava em espaços acadêmicos ou sociais, tais como auditórios em escolas e salões paroquiais, e as estruturas se limitavam a algumas lâmpadas disponibilizadas na própria estrutura do local – e exclusivamente em downlighting e frontlighting.
Em Londres, lugares como The Marquee Club (fechado em dezembro de 1992) e Centre 42 (mais tarde renomeado Roundhouse, em atividade) possuíam melhores condições para o atendimento das bandas locais, e também para as bandas estadunidenses que se apresentavam lá. Muitas dessas, inclusive, traziam instrumentos de iluminação nas suas apresentações (tais como The Doors).
Nesse contexto que Michael Tait, nascido na Austrália, viajou de Melbourne (onde havia estudado engenharia elétrica e mecânica) para a Inglaterra, na primavera de 1967, para passar suas férias, programadas para durarem seis semanas. Em Londres, arranjou um emprego no Speakeasy – clube também importante da cena underground londrina – e entre alguns “jobs”, foi incumbido de ser motorista e roadie de uma banda em ascensão chamada Yes. Observação: nunca mais voltou de férias.
Logo se interessou por iluminação cênica – muito por ser uma oportunidade, uma vez que praticamente ninguém trabalhava com isso – e pelas canções dessa banda, e assim se tornou um dos precursores a desenvolver um sistema de iluminação direcionado às necessidades específicas de uma banda (menção honrosa para Graham Fleming, que também desenvolveu projetos e sistemas de iluminação cênica para o Pink Floyd). Sua primeira experiência foi no Marquee Club – que dispunha de apenas duas lâmpadas coloridas – uma vermelha e outra azul – situadas na parte superior e frontal do palco, mas acionadas por meio de interruptores na parede lateral. Tait, que conhecia bem o repertório, utilizou essas chaves interruptoras para interagir com a banda e com a dinâmica de cada canção, executando manualmente o acionamento das lâmpadas, e impressionando a banda e o público.
Naquele período, a aquisição de estruturas de iluminação requeria elevados investimentos, incompatíveis com a receita proveniente das apresentações das bandas – em geral, realizadas para plateias modestas. Tait improvisou um sistema com 12 lâmpadas de “farol de milha” – e uso para automóvel – instaladas individualmente em latas de café, controladas à distância com potenciômetros.
Tait também desenvolveu uma máquina de fumaça (testada à exaustão do banheiro de sua casa com água e gelo seco) além da famosa “roda de espelhos”, usada na execução da suíte “Close To The Edge”, com o uso de refletores do tipo PAR direcionados a uma roda formada por peças irregulares de espelhos, que projetava no público diferentes feixes luminosos, criando efeitos únicos e sincronizados com as mensagens das canções.
Entretanto, a maior contribuição de Tait foi o desenvolvimento de estruturas verticais para a instalação de refletores PAR 64, dispostos em torres que viriam a ser chamadas de “Tait Towers”. Mas isso já seria assunto para uma postagem bem específica.
Abraços!
Referências e sugestões para mais informações:




































