Faça-se a luz … nos eventos!!!

Cabe a nós, produtores e profissionais atuantes no fornecimento de serviços e soluções para eventos, a incessante pesquisa e busca de alternativas, com criatividade, otimização, coerência e sustentabilidade.

A evolução tecnológica e o desenvolvimento de diversas aplicabilidades para os recursos de iluminação que temos hoje tiveram sua gênese há mais de 500 anos, e muitas daquelas soluções ainda se aplicam aos nossos dias, com a manutenção do conceito original, mas com uma releitura contemporânea e contextualizada.

Nada como iniciar este blog com a abordagem de recursos elementares de iluminação cênica, com inspiração nos primórdios desta técnica (por que não, técnica artística?).

Atualmente, pesquisas históricas revelam que as primeiras “nuanças” de iluminação como recursos cênicos tiveram origem no Renascimento Italiano (século XVI). O arquiteto Sebastiano Serlio e o dramaturgo Leone Di Somi Portaleone publicaram os primeiros registros sobre a iluminação cênica, ainda que com a utilização de recursos precários (naquele período, já haviam experimentado lamparinas de cerâmica ou metal como recursos de iluminação).

Tochas ou velas (confeccionadas com sebo e gordura) fixadas em jarros, garrafas, garrafões e outros recipientes de vidro, com vinho ou água tingida, eram utilizados para provocarem efeitos, funcionando como prismas, difusores ou filtros para coloração da luz utilizada nas encenações teatrais. Como exemplo, Serlio ainda indicava os materiais a serem utilizados para as cores: vinho para o vermelho, açafrão (diluído em água) para o amarelo e cloreto de cobre (diluído em água) para o azul.

A dinâmica provocada pelo desenho de iluminação, primordialmente roteirizado naquele momento, já considerava o uso de candelabros para a plateia e para o palco. Ainda, considerava a interação dos atores com recursos de iluminação de forma isolada, na qual ocorria, quase que naturalmente, pela ação de acendimento das velas com a incursão nos cenários, o que também provocava diversos acidentes (queimaduras e incêndios).

Outros recursos, tais como espelhos, objetos e utensílios metálicos, para reflexão e dispersão, ou mesmo tecidos – como seda – também foram utilizados para a criação de texturas e a provocações de intenções com a iluminação.

Figuras 1-3: Recursos utilizados no Renascimento Italiano

No contexto atual, várias são as possibilidades e soluções para o uso de recursos translúcidos diversos (vidro, acrílico) ou decorativos (tecelagem com sisal ou barbantes, esteiras de bambus, entre outros), aliados às fontes de iluminação com variadas intensidades luminosas, de forma a valorizar elementos, cenários ou aspectos em determinados ambientes.

Figuras 4-6: Recursos contemporâneos

O uso de lâmpadas halógenas dicróicas de baixa tensão, ou ainda lâmpadas fluorescentes e lâmpadas LED, em substituição às lâmpadas incandescentes alimentadas com tensão de rede CA 110V/220V (por apresentarem baixa eficiência), também se configura em uma alternativa interessante, otimizada e sustentável.

Para estes recursos, algumas dicas importantes:

Iluminação com refletores e lâmpadas halógenas do tipo PAR 20 – transparentes – As lâmpadas do tipo PAR (Parabolic Alumized Reflector) apresentam foco definido e brilhante, utilizadas para iluminação dirigida e de destaque. A abertura do feixe de luz depende também dos tipos de bulbos e formato das lentes frontais (além das especificações das marcas). São encontradas em diversas potências que variam de 20W a 60W, e vida útil entre 2000 e 4000 horas. Também conhecidas como lâmpadas Halopar. Alimentadas em 110V/220V (base E27 – encaixe da lâmpada em forma de rosca) consomem menos que as incandescentes, mas economizam menos que as lâmpadas fluorescentes ou LED.

Iluminação com refletores e lâmpadas dicróicas Energy Saver (ES) - Potência de 35W (mas com intensidade similar à de uma lâmpada com 50W), intensidade luminosa constante durante toda a sua vida útil, que pode chegar a 5000 horas, Preferência para angulação de 10 graus (para uma menor abertura) ou até 60 graus (para maior espalhamento de luz). Este tipo de lâmpada é alimentada com 12V (e base do tipo GU5.3 – com pinos); sendo assim, requer o uso de transformador. Além da economia de energia elétrica (e consequentemente, potência), produz menos calor que uma dicróica comum.

- Iluminação com refletores e lâmpadas LED PAR 20 – As lâmpadas LEDs (abreviação do inglês Light-Emitting Diodes – ou Diodos Emissores de Luz) possuem potência de 2,2W a 3W, intensidade luminosa constante, vida útil que pode chegar a 30000 horas, e estão alinhadas às soluções sustentáveis, pelo baixo consumo de energia elétrica. São alimentadas em 110V/220V (base E27 – encaixe da lâmpada em forma de rosca).

Figuras 7-9: Tipos de lâmpadas

Alguns cuidados que devem ser considerados:

- Maximizar o uso dos pontos de alimentação de energia elétrica (tomadas), mas minimizar o uso de adaptadores e conectores (benjamins, “Ts”).

- Verificar as condições de isolamento e segurança para as ligações elétricas.

- Evitar a exposição de cabos e outras ligações aparentes, por questões estéticas, mas também para prevenir contra possíveis acidentes.

OBS.: É altamente recomendável evitar o contato com o bulbo das lâmpadas sem utilização de luvas, pois as impurezas e gordura da pele podem ocasionar diminuição da vida útil das lâmpadas. Caso isso ocorra, sugiro a limpeza e remoção desses elementos indesejados com um pano umedecido em álcool.

Este assunto não se encerra nesta postagem, assim como a evolução da iluminação cênica, que será explorada em outras postagens de forma a também contemplar outros elementos e recursos para a melhor familiarização dos conceitos e soluções em iluminação cênica.

Abraços!!!

Referências:

DORFMAN, Jeff. Theater_Lighting_Before_Electricity (PDF). Disponível em: http://www.iar.unicamp.br/lab/luz/ld/C%eanica/Hist%f3ria/

FELÍSSIMO, Adriana. Lâmpadas Halógenas. Disponível em: http://www.lumearquitetura.com.br/pdf/ed04/ed_04_Aula.pdf

GUERRINI, Délio Pereira. Iluminação – Teoria e Projeto. São Paulo: Editora Érica, 2007.

Italian Ranaissance Theatre Lighting Practice. Disponível em: http://www.compulite.com/stagelight/html/history-1/it-ren.html

VISINHESKI, Juliana. Tipo de Lâmpada: halógenas (Blog Chandelier). Disponível em http://chandelierlux.wordpress.com/2010/01/18/tipo-de-lampada-halogenas/

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