A igreja a qual pertenço tinha um problema sério de inteligibilidade. Tomamos algumas medidas para melhorar o desempenho acústico da sala, dentre elas a diminuição do volume no palco. Prá isso, a banda passou a usar fones de ouvido e uma bateria eletrônica Roland TD-12 KX.
Logicamente, antes de comprarmos a bateria, passamos um período relativamente grande tentando convencer os quatro bateristas da igreja da necessidade da medida. Templo pequeno, primeira fila muito próxima ao palco, pessoas idosas no salão, volume exagerado etc, foram alguns dos argumentos que usamos. Por fim, eles se convenceram que precisavam abrir mão de algumas coisas em favor das pessoas que freqüentam a congregação.
Com esta nova realidade, passamos a tentar dar aos bateristas o maior conforto possível com o novo instrumento, mas houve algumas dificuldades:
- O módulo da TD-12 KX tem apenas as saídas L & R e dois direct outs.
- No primeiro momento, usamos apenas as saídas L & R e sentimos (nós, os operadores de som) muita dificuldade para controlar a dinâmica do instrumento. Havia momentos que era necessário aumentar ou diminuir determinada peça da bateria e não tínhamos como fazer isso.
- Seguindo a idéia de um dos bateristas, passamos a endereçar as peças da bateria em quatro canais, usando o L & R e os dois direct outs. Fizemos assim: bumbo no L, caixa no R, tons no direct out 1 e pratos no direct out 2. Ficou bem mais fácil de mixar.
Temos trabalhado desta forma há mais de um ano e conseguido um bom resultado. No entanto, sempre queremos mais, não é verdade? Passei a sentir falta de um controle maior da dinâmica do chimbau, que está endereçado juntamente com os outros pratos no direct out 2. Então, tentei o seguinte:
- Pedi a um dos bateras, que endereçasse o chimbau para a mesma saída do bumbo (saída L do módulo).
- Na entrada da mesa (uma console Roland V-Mixer M-400), enderecei o sinal vindo do L do módulo da TD-12 (bumbo/chimbau) para dois canais. No primeiro, usei um filtro passa-baixa com corte em 1 kHz para o bumbo, e no segundo, usei um filtro passa-alta com corte também em 1 kHz para o chimbau. A idéia era retirar, com os filtros, o chimbau do canal do bumbo e o bumbo do canal do chimbau, mas deu chabú.
Consegui retirar do canal do bumbo o som do chimbau, mas no canal do chimbau, o kick do bumbo vinha com toda a força. Tentei filtrar o sinal usando um EQ paramétrico, mas não tive sucesso. O kick continuava lá. Desisti da idéia e pedi ao batera que voltasse a configuração do módulo à situação anterior, com o chimbau endereçado à mesma saída dos outros pratos.
Eu já vinha sentido outra necessidade em relação ao bumbo, que era conseguir uma definição melhor do instrumento. No nosso sistema, os sinais são direcionados à caixa de subgrave via auxiliar. Configuramos o auxiliar do sub para operação pós-fader e endereçamos o bumbo prá ele. Só que para conseguir uma definição bacana, precisávamos aumentar muito o volume do bumbo no PA para escutar o kick. Mesmo diminuindo o volume do bumbo no subgrave, ainda assim, o instrumento incomodava.
Foi aí que outra idéia me ocorreu meio sem querer. Aproveitei o endereçamento que já havia feito na tentativa de criar um canal independente para o chimbau e fiz um canal exclusivo para o kick. Baixei um pouco o corte do filtro passa-alta para 800 Hz e o kick ficou limpo. Aumentando os dois canais simultaneamente, consegui o peso que todos gostamos de ouvir no bumbo e a definição cristalina do kick.
Certamente vocês vão se perguntar: por que ele não fez isso na equalização? Eu tentei, mas a sonoridade sempre soava um pouco artificial. Montar o setup desta forma, me deu mais liberdade na hora de mixar o bumbo, me permitindo conseguir mais kick ou mais punch, de acordo com a necessidade ou gosto.
Vou tentar fazer a mesma coisa com o baixo e ver como fica. Depois comento com vocês o resultado.
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