Cubase 6.5

Novidades Steinberg. Saiu o Cubase 6.5. Novos instrumentos virtuais, novos filtros, novas ferramentas de comping, Rewire 64 bits e novo formato de compactação e protocolos de transferencia de arquivos em rede. O Padshop é um instrumento virtual baseado em sintese granular. O Retrologue é um sintetizador Vintage com sons e texturas dos dinossauros. Os recursos de comping (escolha e edição de takes) se tornaram mais arrojados e completos. O VST AMP Rack (Simulador de efeitos de guitarra por convolução) traz 50 novos presets muito interessantes.. Tudo isso e mais informação sobre a nova versão, vamos ter em detalhes da edição de maio da Backstage. Confiram !

Pirata ou Marinheiro

Ola  todos. Software Original X Pirata foi uma das discussões na expomusic 2011 e ja foi tema de um artigo meu aqui na Backstage com o titulo acima. A pedidos reedito no blog, trechos do artigo para os que não tiveram acesso.e que tem necessidade ou curiosidade sobre o tema, seja Cubase, Nuendo, Wavelab
ou qualquer outro software

Decidi abordar o assunto, pois é frequente receber emails com usuários em pânico com expressões “tal coisa não funciona” ou “trava quando faço tal coisa…”. A questão em jogo é : até que ponto depositar confiança e abrir mão da sua paz de espírito querendo que o “genérico” seja uma coisa tão perfeita e tão sensacional quanto o programa original. Se você acredita em Papai Noel, também acredita que essa “igualdade” seja a mais absoluta verdade e aí não precisa seguir na leitura deste artigo. Caso contrário, vamos aos fatos do mundo real.

Serei objetivo e escreverei resumidamente pois não é proposta do artigo ser um tratado sobre programação. Programas de computador são, em sua essência, seqüências de instruções e rotinas complexas que os processadores executam com intermédio do sistema operacional. A manipulação de dados ( áudio em nosso caso) é feita pela leitura de disco e uso de memória para processamento. Por este motivo é que se diz que programas são “escritos” para um dado sistema e que “rodam” em determinadas configurações etc. Num programa complexo como o de uma workstation de áudio , existem códigos internos que relacionam instruções de execução a instruções de segurança para que o próprio programa faça constantemente uma conferência de sua autenticidade. A todo momento, no fluxo de funcionamento, existem “linhas” de programa nas quais ele vai até a licença confere a autenticidade, executa a função solicitada e continua trabalhando. Estas instruções estão no programa, fazem parte dele e a coisa é tão “emaranhada” que o bom funcionamento do programa depende destas instruções.

O que um desprogramador (leia-se racker) faz ? Basicamente verifica as rotinas de segurança, “edita” o programa original e apaga as linhas de verificação de segurança. Ou então gera alguma sub-rotina que substitui a verificação original e “manda” o programa de volta para que continue executando as funções como se tivesse visto algo parecido com a licença original. E isso funciona? Somente até a página 2… Existem interações complexas nas instruções de um programa. Uma delas é que a cada linha de programa “pulada” ou faltando, o registrador do sistema é avisado o que gera um erro cumulativo ao longo do tempo. Daí depois de um ano ou menos o sistema “entope” e não se sabe porque. Se você não tem pressa nem seriedade demais em seu trabalho ou então adora formatar maquina e começar seu computador de novo de tempos em tempos, é diversão garantida. Outro detalhe : Os recursos mais avançados do programa começam a trabalhar mal ou até mesmo não funcionam porque o “fornecedor” da versão genérica não estava tão entusiasmado a ponto de “emburacar” detalhe por detalhe artesanalmente e fornecer algo tão profundo e minucioso. Mesmo porque ele nem sabe usar as funções mais avançadas, aliás nem sabe pra que servem…então pra que perder tempo numa coisa que ele presume que o seu fã clube também não vá usar. Querem exemplos práticos ? No Cubase piratex os danos são inestimáveis : O Reverence não existe, o Rewire não funciona direito, o processamento é lento e não aproveita o multi processador que a maior parte dos computadores hoje possui resultando em mais uso de DSP e consequentemente menos recursos disponiveis e um resultado sonoro também inferior, o export áudio mixdown não é tão rápido, há sérios problemas de compatibilidade com drivers no Windows 7 , importação de OMF não funciona direito, os plugins VST3 (equalizadores e compressores) perdem a funcionalidade “look ahead” que alivia processamento quando não há áudio, a interação com instrumentos virtuais e plugins de terceiros é aleatória (pode funcionar ou não), a leitura de arquivos de vídeo perde processamento e pode “gaguejar” , o programa não atualiza para versões mais novas, uso de 64 bits?? Esqueça, voce pode ter um maquinão que nada vai funcionar em 64…desperdício de dinheiro… e por aí vai… tem mais um monte de observações.

Além da questão funcional complexa de uma plataforma de áudio e suas muitas funções e processamentos serem prejudicados, existe um outro ponto importante : Nenhum “reprogramador” (ou grupo deles) capaz de quebrar um sistema de segurança complexo de um fabricante quer que sua genialidade e seu árduo trabalho sejam retribuídos apenas com admiração e louvores de seus pares e de seus fãs. Você acredita que seja isso ? Continua botando fé no Noel então ? Ok. Então, preste atenção numa sábia frase de cunho profundamente tecnológico : “Não existe almoço grátis nessa história”. Se alguém é capaz de editar, re-escrever, fazer e acontecer em programação; também é capaz de escrever no próprio programa “instruções” de seu interesse. Não se preocupe com o fato de que ele vai ficar “espionando” sua máquina o tempo todo, eles não tem tempo prá isso. Além do que isso é coisa fora de moda, de hackerzinho do passado. Ninguém deseja mais sacanear sua máquina para dar meia dúzia de risadas destruindo a trilha inicial do HD. Sua máquina mesmo é que se encarrega de fazer o próprio “relatório” do que tem, onde vai, o que faz e botar na roda …ou melhor, na rede… e ainda avisar a quem tem interesse nestas informações.

Bom, não quero ser o panfletário chato que combate isso ou aquilo porque é cheio de motivos legais e leis e tal. Não estou discutindo aspectos legais, não é meu objetivo neste artigo. Estou sendo meramente técnico e tomando como base o que observo e o que tenho de relatos fornecidos. A decisão de ser pirata ou marinheiro é de cada um, o que cerca esta decisão deve ser de cada um também. Não xingue o fabricante ou faça críticas a um sistema que foi revirado sabe Deus como. Se a coisa não funciona direito, assuma que você deve estar pagando pelo que “comprou”. Navegue nas águas da sua opção e veja o que é mais adequado. Eu sou da filosofia “paz de espírito não tem preço”. Me refiro à paz de fazer meu trabalho com todos os recursos disponíveis e com a melhor qualidade possível, de preferência sem interrupções para resolver o que deveria dar certo e não dá…

Espero ter ajudado.

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