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David Bosboom
É diretor de produção, diretor técnico, diretor de iluminação, designer e consultor de projetos. Possui 23 anos de experiência em espetáculos de teatro na Broadway, além de programas de canais de televisão aberto e a cabo. Especialista em turnês de circuito nacional e internacional.
www.davidhbosboom.com
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No mês passado escrevi sobre segurança para os novos designers e eletricistas descrevendo cada passo na instalação de um projeto de iluminação. Falamos da necessidade de ficar sempre atualizado e adiante da “tsunami” de avanços tecnológicos, não só de refletores, mas dos controles desses equipamentos
Acreditando nesta idéia eu tomei conhecimento da ABrIC, uma associação de lighting designers que pode ajudá-lo a achar o caminho da informação que um designer precisa “quando” ele precisa.
Conheci Luiz Paulo Nenen em seu escritório ao ar livre, um barzinho em Botafogo para conversarmos sobre a associação com a qual está muito envolvido.
Já que comida, bebida e conversa caminham juntas nada melhor para um carioca do que se encontrar e conversar em um bar. E como nova-iorquino que sou, fico feliz em poder conversar em qualquer bar ao ar livre especialmente no final de Novembro (quando está muito frio em Nova York para se estar do lado de fora).
Nenen possui um currículo que inclui centenas de lighting designs para teatro, danças e eventos televisivos. Ele começou sua carreira em teatro e dança, foi parar na televisão, mas ultimamente retornou às suas origens, o teatro. Não há nada mais satisfatório do que uma performance ao vivo. Quando ele não está seguindo sua carreira de design, trabalha também como Diretor Secretário da ABrIC.
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A ABrIC (Associação Brasileira de Iluminação Cênica) começou como um grupo de estudo (GEPHIC – Grupo para Estudos, Pesquisa e História da Iluminação Cênica) em São Paulo. A idéia se espalhou pelo Brasil através de uma lista de e-mails que resultou em uma convenção em São Caetano, SP em 2005. A ABrIC foi oficialmente criada no dia 7 de setembro de 2005 durante a cerimônia de encerramento do primeiro congresso nacional de iluminação no Brasil. Esse foi o começo da associação de lighting designers, técnicos e outros profissionais nas artes cênicas.
O grupo de estudo percebeu que havia uma enorme necessidade de se propagar o conhecimento técnico e artístico além das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e outros centros culturais do Brasil. Como também a necessidade de se organizar profissionalmente como designers.
Em junho de 2007, eles deram um corajoso passo adiante ao se tornarem membros da OISTAT (Organização Internacional de Cenógrafos, Arquitetos de Teatros e Técnicos), representando toda a América Latina. Esta adicional associação está trazendo novas técnicas e novos membros a ABrIC.
Apesar de originalmente ser fundada por lighting designers, no momento a ABrIC representa homens e mulheres de todos os backgrounds das artes cênicas do Brasil, desde o designer mais experiente até o mais novato.
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Os fundadores oficiais da ABrIC são:
Diretoria eleita em 2005
Presidente de honra: Jorginho de Carvalho (Rio de Janeiro/RJ)
Primeiro iluminador reconhecido por todos como o grande mestre, com 50 anos de profissão e quase 1000 espetáculos no currículo.
Presidente - Luiz Nobre (Curitiba/PR)
Trabalha com Iluminação cênica - “teatro, dança, show, exposições, etc.” com 25 anos de profissão.
Vice-presidente - Ney Bonfante (São Paulo/SP)
Dono de empresa de locação
Secretário - Luiz Paulo Nenen (Rio de Janeiro/RJ)
Com 38 anos de experiência em teatro, TV e shows - 15 anos como diretor de fotografia na linha de show da TV globo; 394 espetáculos teatrais, entre teatro, shows e danças.
Tesoureiro - Sérgio Azevedo (São Caetano do Sul/SP)
Conselho Fiscal - Alexandre Lopes (Porto Alegre/RS); Nezito Reis (São Paulo/SP); Rafael Andrade (Paulo Afonso/BA)
Diretoria eleita em 2007
Presidente - Luiz Antonio Nonato Nobre/PR
Vice-presidente - Maurício Rosa Marques/RS - Iluminador
Tesoureiro - Rodrigo Ziolkowski/PR
Secretário- Luiz Paulo Peixoto/RJ
Diretor de Comunicação - Alex Aureliano Nogueira/SP
Conselho Fiscal - André Luiz Gouvêa Cruz/SP; Marcus Vinicius Henriques Feio de Lemos/SP; Rafael Bezerra de Andrade/BA
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Os objetivos a que a ABrIC se propõe são vastos porém realizáveis. Entre eles a distribuição de conhecimento técnico, coleta de dados de todos os teatros no Brasil (dimensões, equipamentos, equipe do teatro etc...), cursos técnicos e artísticos para seus membros.
Idéias envolvem custo. A associação está procurando maneiras junto a seus membros e pessoas interessadas para alcançar suas metas e objetivos.
Naturalmente, terão que aumentar o número de membros, já que há poder em grupos organizados. Com mais membros a ABrIC poderá distribuir informações mais rapidamente, criar padronizações nos processos de design, condição necessária para uma efetiva comunicação no meio profissional. Quando uma pessoa tem um pensamento novo, isso é apenas uma idéia. Quando muitas pessoas acreditam nessa mesma idéia, se torna um movimento.
Há 25 anos atrás, eu ajudei a organizar a Associação de Gerentes de Palco na cidade de Nova York (www.stagemanagers.org). Nós éramos apenas um pequeno grupo querendo dividir métodos e idéias. Essas reuniões aconteciam após nossos shows, naturalmente em bares perto da Broadway. Algumas coisas só mudam de endereço! Após os cinco primeiros anos nós crescemos, de um grupo com a sede em Nova York para uma organização nacional de gerentes de palco para todos os tipos de teatro, dança e companhias de ópera através dos Estados Unidos.
A parte mais difícil quando se cria uma organização sem fins lucrativos, como uma ONG de gerentes de palco, é determinar nossos verdadeiros objetivos e transformar conceitos em realidade. Tenho certeza, por experiência própria, de que a ABrIC terá algumas dores de crescimento, mas também estou certo de que se criarem uma consistência em suas ações em grupos serão bem sucedidos.
Atualmente, a ABrIC possui mais de 290 membros que mantêm contato entre si via e-mail. Tem um website (www.abric.org.br) além dos serviços para os membros: aulas, seminários, workshops e descontos para publicações profissionais, cursos e ingressos para teatros. A ABrIC faz a divulgação direta através de seus membros, dos eventos patrocinados ao longo do ano e do website.
O site da ABrIC está se tornando aos poucos um condutor nacional para troca técnica de idéias . Percebi também que há participantes de outras partes da América do Sul. Isto tudo é muito bom para a indústria. Se você é um dos que lê minha coluna e está interessado em treinamento artístico e técnico nas artes cênicas, a ABrIC pode ser um portal, e segundo o Nenen está crescendo atualmente em um ritmo de 3 membros por dia.
Imagino que o assunto já deve ter sido discutido pelos membros da ABrIC, mas eu gostaria de ver um lighting workshop em que designers de todos os calibres possam experimentar com cores, equipamentos e ângulos de luz.
Mas não somente com a mais recente e sofisticada “moving light”. Há um espectro de equipamentos, desde elipsoidais, PAR’s e Fresnels até striplights, uma multitude de LED’s que demandam ser usados. Como você pode saber o que um instrumento faz se você nunca o usou?
É aqui que a ABrIC pode atuar fazendo uma parceria com as empresas de locação de equipamentos solicitando participação. Essas empresas podem potencialmente aumentar seus lucros mostrando aos designers novos instrumentos, equipamentos de controle, mesas, participando do processo de educação.
Um laboratório de iluminação serviria tanto para as companhias de locação quanto para os designers, sendo um excelente instrumento para mostrar ao produtor o que pode ser feito efetivamente com o aluguel do equipamente e com o seu dinheiro.
Padronização de formas, símbolos de iluminação e métodos de criar o “paperwork” podem ser achados na Internet em sites como o United States Institute of Theatre Technology (www.usitt.org). Eu já escrevi sobre isso no artigo de Setembro para a Revista Backstage. Estou contente de ver esse mesmo tipo de informação padronizada no site da ABrIC. Não há necessidade de se reinventar icones e símbolos padronizados, pois estes já existem. O que precisa ser feito é colocar esses modelos disponíveis, para que o lighting designer aprenda a utilizá-los.
Outro ponto que tanto a ABrIC como eu concordamos é a necessidade de uma maior formalização da educação no campo do entretenimento. As artes de uma forma geral precisam do suporte de companhias, universidades, profissionais do ramo, empresários, sindicatos, associações e agências governamentais. Formalizando a educação em entretenimento se melhora a qualidade da produção artística. O público começa então a responder positivamente promovendo a continuidade de valores artísticos em futuras produções. Ou seja, se o produto for de boa qualidade, digamos um grande sucesso, o próximo tem que ser melhor ou igual ao anterior.
O resultado é que todos ganham, já que “qualidade” fala por si só.
Produtores poderão aumentar o valor dos ingressos, recuperando seu investimento e tendo um retorno mais rápido. Os profissionais da indústria do entretenimento poderão desfrutar de um padrão melhor por causa de suas especialidades e o público, apesar de pagar mais caro, terá sua satisfação garantida.
Infelizmente isso não acontecerá da noite para o dia. Na verdade, demora muitos anos. Mas eu digo que este é um bom começo. E a ABrIC é um primeiro passo em direção a este grande objetivo.