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Vera Medina é produtora, cantora, compositora e professora de canto e produção de áudio na escola Music Center.
site: www.veramedina.com.br
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Nesta edição, vamos falar um pouco sobre os Apple Loops. Como funcionam, para que servem e o melhor, como transformar um loop comum em um Apple Loop
Os Apple Loops são a resposta do Logic aos arquivos samples do Acid, que são “acidized”, ou seja, passam por um processo de definição de sua extensão e bpm (batidas por minuto). Muitos programas aceitam os arquivos formatados no Acid, mas os Apple Loops são feitos especialmente para os produtos da Apple, sendo que algumas funcionalidades são aproveitadas entre eles (marcadores, dados Midi embutidos, meta-tags, etc).
Os Apple Loops surgiram em 2003 no programa Soundtrack e só eram utilizados nesse programa. Após algum tempo, com o lançamento do Garage Band, surgiram os Jam Packs, pacotes de Apple Loops para serem utilizados no Garage Band para a produção musical.
Aos poucos, empresas independentes de produção de pacotes de loops e CDs de samples começaram a incluir o formato Apple Loops em suas bibliotecas. Podemos citar AMG, Big Fish Audio, Zero-G e muitas outras em uma lista.
Os Apple Loops podem ser carregados como arquivos-padrão no formato AIFF em produtos que não sejam da Apple, sendo utilizados como arquivos normais de áudio. Estes arquivos podem ser adaptados para uso com outros programas, tais como Cubase, ProTools, Recycle, Reason, Live, etc. Podem também ser formatados dentro de um produto da Apple para serem utilizados em outra aplicação, considerando já suas configurações.
Existem dois tipos de Apple Loops: Real Instrument e Software Instrument. Os loops do tipo Real Instrument são equivalentes aos arquivos configurados no Acid. Dentro de sua configuração, eles contêm informações tais como meta-tags, tom, tempo, número de compassos, gênero musical, entre outras. Além disso, geralmente contêm os marcadores de transientes para ajuste do loop ao tempo da música (time stretching).
Já os loops do tipo Software Instrument contêm toda a informação em loops do tipo Real Instrument (incluindo conteúdo de áudio) junto com os dados MIDI e informações sobre os instrumentos virtuais e efeitos utilizados para criá-los. Estas informações podem ser utilizadas para recriar ou editar os loops dentro do Logic ou Garage Band. Os loops do tipo Software Instrument têm vantagens óbvias: sua edição pode ser feita dentro do formato MIDI e os resultados, além de mais criativos, ficam perfeitos em termos de áudio. Entretanto, cabe ressaltar que a maioria dos Apple Loops produzidos pela Apple ou terceiros são do tipo Real Instrument. Os Apple Loops de ambos os tipos podem ser criados dentro do Logic ou Garage Band.
Nos programas da Apple, os Apple Loops podem ser diferenciados da seguinte forma:
- Real Instrument: aparecem na cor azul e o conteúdo é a forma de onda.
- Software Instrument: aparecem na cor verde e o conteúdo são as notas MIDI.
Uma das vantagens dos Apple Loops é que você pode definir critérios e utilizar estes critérios nas buscas por loops. Geralmente, as empresas classificam os sons nas bibliotecas de áudio em pastas divididas em categorias ou grupos similares, utilizando nomes tais como Drums, FX, Keyboard, etc. As meta-tags dos Apple Loops contêm mais informações do que estas permitindo a busca por diversos critérios. Os programas Logic, Garage Band e Soundtrack Pro possuem buscadores internos para os Apple Loops, sendo que o mais completo é o do Soundtrack Pro. Os buscadores do Logic e do Garage Band são mais lentos e não permitem visualizar tantos detalhes quanto o do Soundtrack Pro, mas todos funcionam bem para o seu fim.
Ao trabalhar uma música em uma aplicação que não seja da Apple, existem várias formas de selecionar e buscar os Apple Loops. Você pode utilizar a função rewire nos programas Logic ou Soundtrack Pro para buscar pelos loops. Crie um loop na música em que está trabalhando, defina o critério de busca. Uma vez que os loops selecionados apareçam no buscador, vá experimentando cada um deles, os quais tocarão sincronizados à música. Se estiver no Logic, os loops escolhidos podem ser adicionados a trilhas de áudio. Se estiver utilizando o Soundtrack Pro, eles podem ser adicionados a Bin do projeto. Não se esqueça de acertar o tom da música para que os loops sejam transpostos corretamente. Uma ótima alternativa é exportar o loop editado desta forma como um arquivo de áudio. Aí é só abrir a outra aplicação e trabalhar com o loop.
O Soundtrack Pro e o Logic possuem opções de exportação para este fim. No Garage Band, basta utilizar a opção de exportação para o iTunes, que exporta a música inteira ou a seção marcada da música (a função cycling deve estar ligada). O Garage Band e o Logic também permitem exportar os arquivos modificados como novos Apple Loops.
Outra opção seria gravar a saída de áudio do Soundtrack Pro ou do Logic diretamente para a outra aplicação de áudio. Cabe ressaltar que nem o Soundtrack Pro ou o Logic funcionam como aplicações slave quando em Rewire.
Existem muitas opções com os loops do tipo Software Instrument, mas para isso é necessário utilizar os programas Apple. O modo de sincronização é o mesmo que o descrito para os loops do tipo Real Instrument. A única diferença no procedimento é que os loops do tipo Software Instrument devem ser arrastados do buscador para uma trilha MIDI, de outra forma, eles serão inseridos como loops do tipo Real Instrument. A trilha MIDI em que o loop será adicionado deverá estar vazia, senão os instrumentos virtuais e efeitos que estejam configurados para aquela trilha serão utilizados em vez dos definidos.
A possibilidade de alterar o conteúdo desses loops no formato MIDI é o grande atrativo. Tudo pode ser alterado e o resultado final geralmente é bom. Outra dimensão é utilizar outros plugins e instrumentos, o que pode dar um toque bastante criativo às edições de loops. Uma vez que os loops sejam modificados, podem ser exportados diretamente como um novo loop do tipo Software Instrument, como um arquivo de áudio padrão ou como um arquivo MIDI para ser utilizado em outra aplicação (esta opção de exportação está no Logic) com outros instrumentos ou efeitos que podem não estar disponíveis no Logic.
Uma boa ferramenta é a Apple Loops Utility, que permite atualizar as meta-tags dos arquivos e os marcadores de transientes. Esta ferramenta tem duas páginas: uma para criar meta-tags e outra para definir os marcadores de transientes.
Os Apple loops exportados já possuem automaticamente as informações de tempo e tom atualizadas, mas podem ser alteradas as meta-tags para refletir as mudanças de instrumentos ou estilos.
Passos para converter arquivos .AIFF ou .WAV no formato Apple loops utilizando a ferramenta Apple Loops Utility:
1. Abra o arquivo que você quer converter no formato Apple Loop.
2. Clique na aba TAGS e registre todos os atributos que sejam possíveis em relação ao arquivo. Verifique se a função Looping está selecionada, é muito importante que esteja.
3. Clique na aba TRANSIENTS. O objetivo é ter um marcador de transiente para cada transiente no arquivo, desta forma, utilize o botão deslizante Sensitivity para a direita até que a maioria, se não todos os transientes estejam marcados.
4. Para adicionar um marcador, caso haja um transiente que não tenha sido reconhecido através do Sensitivity, clique acima do transiente ao lado do outro marcador. Para remover marcadores que possam estar a mais, clique no marcador e pressione a tecla Delete.
5. Teste como o loop responde às alterações de tempo, variando o tempo através do botão deslizante Tempo e apertando o botão Play.
6. Teste como o loop responde às alterações de tom, clicando no campo Key e alterando os tons.
Quando estiver contente com os resultados, salve o loop. Tarefa concluída.