Cascavel Jazz Festival 2008
Vanelirte Moretto

Depois de dois anos sem ser realizado, o Cascavel Jazz Festival retorna com a mesma qualidade

 
Nosso Trio e Karolina Vucidolac  

Cascavel, no Oeste do Paraná, foi palco da 14ª edição do Cascavel Jazz Festival, realizada de 13 a 15 de novembro de 2008, no Centro Cultural Gilberto Mayer, e teve como atrações Trinca di Cabum, Duofel, Dr Cipó, Mazinho da Silva, Xquinas com participação da saxofonista e flautista Denise Fontoura e Nosso Trio com participação de Karolina Vucidolac. Trinca di Cabum usou partitura durante a apresentação. E como já é tradição, eventos paralelos também constaram na programação como cursos, palestra e lançamento de livros.
Há dois anos o Cascavel Jazz não era realizado, pela impossibilidade do idealizador e produtor do evento, William Fischer, de conciliar a agenda profissional com o festival.

De acordo com Fischer, este intervalo não diminuiu o brilho do Cascavel Jazz Festival, muito pelo contrário, os amantes da música instrumental puderam saciar sua vontade e conferir o que havia na programação para esta edição. Ele destacou que o evento oferece uma diversidade de estilos e que só se apresentaram músicos brasileiros. A única exceção foi a cantora sueca Karolina Vucidolac, que veio ao Brasil especialmente para se apresentar ao lado da última atração do evento, o grupo Nosso Trio.

“Creio que o Cascavel Jazz Festival tenha atendido à expectativa de todos os presentes ao teatro, bem como dos telespectadores que o assistiram pela CATVE (Canal 20), em toda a região Oeste e no Brasil pela Internet. Os cursos, workshops e os shows apresentados foram de altíssimo nível, demonstrando o respeito que os músicos têm pelo festival”, disse William Fischer. “É importante agradecer as empresas que patrocinaram e apoiaram o festival e principalmente ao Ministério da Cultura que pela Lei Rouanet nos permitiu realizar este projeto sociocultural tão importante e reconhecido em todo o país no meio musical”, completou.

Mazinho Trio, Duofel e Xquinas

Kiko Freitas (Nosso Trio), considerado um dos melhores bateristas do mundo, comentou que para ele música significa partilhar o mundo do som, ao contrário do que muitos pensam que é competir. Todos os anos o trio faz shows na Suécia ao lado de Karolina que canta música brasileira em linguagem jazzística. “Estou feliz por participar do festival, vocês são da pesada. O Paraná é muito bonito”, disse Karolina.

 
Mazinho Trio  

Mazinho da Silva, guitarrista catarinense que no segundo semestre deste ano excursionou durante três meses pela Espanha, se apresentou pela primeira vez no Cascavel Jazz e comentou que no exterior a música brasileira é muito respeitada e que o Brasil precisa investir mais neste tipo de cultura. “O país passa por fases culturais e o festival de jazz atrai pessoas que têm um conhecimento maior em música”.

O público praticamente lotou o Centro Cultural Gilberto Mayer nas três noites do festival (o espaço tem 370 lugares). Havia pessoas de diversas partes do Brasil como o carioca Paulo Jorge de Nápolis, que estava na cidade a trabalho e foi acompanhar as duas primeiras noites do festival. “Tinha assistido apenas a um show de jazz no Mistura Fina, no Rio. Nunca tinha ouvido falar do festival cascavelense e com ele tive a oportunidade de conhecer um outro lado do jazz e gostei muito do que vi aqui”, comentou Nápolis, que gostou dos shows de Duofel e Mazinho.

Para o empresário cascavelense e pesquisador musical, Paulo Sciarra, o Cascavel Jazz é o único remanescente do que houve de movimento de música na cidade até hoje e com uma qualidade excepcional. Por isso o festival tem que ser extremamente respeitado”, salientou Sciarra. “Em Cascavel não tem outra possibilidade de se ouvir música deste nível.

Já se apresentaram no Cascavel Jazz nomes como Charmak, Mozart Mello, Albino Infantozzih, Chico Medori, Sydnei Carvalho, Ubaldo Versolato, Mario Conde, Pato Romero, Rui Motta, Simone Soul, Sergio Gomes, Kiko Freitas, Yamandu Costa, entre outros.

Bateras  

do Trinca di Cabum e o baterista Maurício Leite se reuniram no domingo à tarde (16 de novembro), na Praça Wilson Joffre, centro da cidade, para fazer uma confusão organizada, como definiu o coordenador do encontro, Maurício Leite.
“Este encontro é para celebrar o amor que temos pela música e mostrar que com a bateria podemos ir aos dois extremos, tocar melodias sutis e também mais agressivas. Bateria é para todo mundo tocar junto, porque sozinho todo mundo é bom e tocar junto é aprender a dividir”, salientou Leite.
Informações: www.encontrodebateristas.com.br
 
Um encontro inédito comemorou a parceria de 10 anos entre o Cascavel Jazz Festival, da escola de bateria TAMBORES DO SUL e da marca de baterias RMV. Trinta e sete bateristas de 15 cidades do Paraná mais os integrantes

Programação paralela
Como acontece em todos os anos o Cascavel Jazz Festival traz uma programação paralela com cursos, palestras e prática de conjunto. Todos de forma gratuita com acesso irrestrito para toda a comunidade regional. “Isto somente foi possível, devido ao apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal – Lei Rouanet”. Cada curso contou com a participação de 30 pessoas. Os músicos do Duofel ministraram palestra sobre violão abordando harmonia, composição e criatividade musical; Mazinho foi o responsável pelo curso de guitarra, baixo e bateria; Dr. Cipó pela prática de conjunto; e XQuinas, de guitarra, baixo e bateria. Nosso Trio aproveitou a vinda ao festival para lançar os livros “Toque Junto – Bossa Nova”.


Para saber mais
www.cascaveljazz.com.br