Midi no Sonar 8
Daniel Farjoun

Daniel Farjoun é autor do livro MIX – O poder da mixagem, e trabalha com mixagens para todo o Brasil pelo site: www.opoderdamixagem.com.br

Olá Pessoal,
depois de uma pequena pausa de dois meses, estou de volta com mais informações e novidades sobre o Sonar. Neste novo ano, espero poder contribuir para o enriquecimento profissional de vocês e ajudar a melhorar, um pouco que seja, a qualidade das suas produções


Neste mês o assunto é a produção através da tecnologia MIDI no Sonar.
Para falar sobre um assunto tão extenso, é preciso primeiro focar no perfil de usuário mais comum. Pelo perfil das pessoas que entram em contato, irei conduzir esta matéria aos usuários mais básicos/ intermediários do Sonar

Veremos nesta coluna um panorama geral sobre a tecnologia MIDI e as possibilidades de produção. As nomenclaturas usadas pelo Sonar e os recursos existentes para uma boa qualidade das produções.

O Sonar chama de Soft Synth o que eu costumo chamar de “gerador de som” para meus alunos.

Soft Synth é a abreviação de Software Synthesizer ou Programa Sintetizador (software).

Quando o usuário entra no mundo MIDI, uso o termo “gerador de som”, pois permite um entendimento melhor do que o Soft Synth. Aqui, irei usar os dois nomes para que vocês entendam bem seu significado e conceito.

Para quem ainda não sabe, MIDI significa Musical Instrument Digital Interface, ou seja, instrumento musical de interface digital. Complicado no nome mas muito simples e poderoso.

A vantagem do MIDI em relação ao áudio é a possibilidade ilimitada de edição.

Por exemplo: se o músico tocou no teclado um Piano e esbarrou em teclas que não devia, basta entrar no “Piano Roll” para deletar as notas a mais.

Se o músico errou a nota de uma escala, basta clicar na nota errada e levá-la à tecla certa do teclado virtual. A nota ficou longa demais? Sem problemas. Basta diminuir a duração da nota. Quer alterar o tom da música? É simples, muito simples!

As edições MIDI são muito simples e rápidas de se fazer e o melhor, não consomem processamento da máquina. Um computador simples e antigo consegue gravar e editar informações MIDI sem qualquer problema.

Trabalhar com MIDI começa a exigir mais do computador quando usamos os Soft Synths.
Para quem grava em MIDI e usa os sons dos teclados ou módulos de som externos (hardwares), um computador simples dá conta do recado muito bem.
Para os que não possuem “geradores de som” externos, a saída é o uso dos Soft Synths.

Pouca gente se dá conta de que MIDI não é áudio, ou seja, não tem som.

Quem aqui nunca ouviu uma música MIDI tocando em sites ou baixou música midi para escutar, cantar junto ou tocar na noite? É comum ouvirmos dizer que MIDI não presta, que o som é horrível, etc, pois cada um ouviu em uma situação diferente.

O que acontece é que como o MIDI não tem som, ele vai usar o “gerador de sons” disponível no computador. Se ele for bom, você vai curtir uma boa música, se for ruim, vai querer pará-la na mesma hora. É claro que tudo depende também da forma como o MIDI foi gravado.
A vantagem do MIDI sobre o áudio é este poder de edição sem alterar a qualidade do original. Você pode gravar ouvindo um som de piano acústico e trocar depois por um som de piano elétrico.

Pode gravar um violino e depois alterar a oitava para um Cello fazer o mesmo desenho.

Pode gravar ouvindo um som de baixo elétrico e depois trocar um som para um de baixo acústico.

Pode ser mais radical e trocar um som de piano por um de Strings (cordas) e por aí vai.

Estas vantagens de edição do MIDI (troca de timbre, correção de tempo, nota, etc) é que me fascinam neste mundo.

Tudo tem seus prós e contras. Ao mesmo tempo em que o MIDI é fascinante por estas facilidades, deixa a desejar em realismo quando queremos ser virtuosos em determinados instrumentos. Um solo de Sax, um bom naipe de metais POP ou instrumentos que possuam grande variação dinâmica (acordeon, etc) são os mais difíceis de serem imitados nos geradores de som e edições MIDI. Aí entra uma questão delicada: a grande maioria das pessoas que ouviu as produções MIDI bem feitas não sabe distinguir o que foi tocado por gente de verdade e o que foi produzido através de um teclado no computador.

Um músico que domina seu instrumento (saxofonista, por exemplo) poderá de imediato reparar se determinado solo foi gravado de verdade (gravação de áudio) ou se foi produzido e editado usando os sons de algum gerador de sons.

O fato é que não produzimos música para músicos e sim para pessoas comuns. O segundo ponto que tenho a colocar é o seguinte, antes que me condenem: a produção MIDI ainda está longe da qualidade que se pode ter quando se têm disponíveis músicos, instrumentos e um bom estúdio para uma boa captação. Produzir todo ou parte do instrumental em MIDI é uma solução que muita gente adota quando não se tem disponível um bom estúdio ou bons músicos, mas sim bons sons no computador e um bom conhecimento de como os instrumentos devem soar “de verdade”.

SIMPLIFICANDO O MIDI

Se MIDI não é áudio e não tem som próprio, o que então é gravado nesta tecnologia?

OBS: Se você já sabe a resposta, vá ao último parágrafo deste tópico.

Ao tocar uma música em um teclado (musical), é fácil perceber que apertamos e soltamos as teclas das mais variadas formas: apertamos forte e seguramos por muito tempo, outras vezes soltamos mais rápido ou apertamos de forma mais leve as tlecas. Este “balé” dos dedos é que dá origem à música que ouvimos.

O mais importante no registro (gravação) de uma música é captar a forma com que o músico interpretou aquela música. Neste ponto, o MIDI abre um leque inigualável de possibilidades. O que o MIDI faz é registrar cada nota apertada pelo músico, com informações sobre a velocidade (força) com que a tecla foi abaixada e por quanto tempo cada tecla ficou pressionada.

Esse é o princípio básico da gravação MIDI. O computador armazena as informações de quais teclas foram apertadas, com que velocidade e por quanto tempo, ao longo da música.

Estas são as informações básicas da gravação MIDI. Algumas informações extras como se o músico apertou ou não o pedal de sustenido (aquele que sustenta o som enquanto o músico tira o dedo da tecla e se posiciona para apertar outras), variações de volume, pan, instrumentos, etc. Mas este é um assunto avançado que não iremos abordar nesta matéria.

Então, se o MIDI armazena as informações das teclas, precisamos ouvir o som de alguma forma, e de preferência, um bom som. É aí que entra o papel dos geradores de sons. Eles enxergam as informações MIDI e reconhecem que aquelas notas que foram pressionadas precisam emitir sons, como se um músico estivesse tocando aquilo ao vivo. Por isto é importante que os geradores de som sejam leves o suficiente para rodar em computadores mais simples, ou robustos para aqueles que possuem bons computadores e placas de áudio com baixa latência.

LATÊNCIA

Com base em tudo o que vimos até agora, chegamos à conclusão de que não adianta baixar uma música MIDI na internet e simplesmente abri-la no Sonar. Precisamos do gerador de sons. Se estamos falando de sons, estamos falando em áudio, ou seja, o gerador de sons gera um sinal de áudio. se este sinal de áudio precisa ser gerado em tempo-real, ou seja, o músico toca e precisa ouvir ao mesmo tempo o som gerado pelo Soft Synth, precisamos ter uma resposta rápida do computador, que comumente chamamos de baixa latência.

Latência é o atraso que temos entre o apertar da tecla de um teclado ligado via MIDI no computador e o momento em que ouvimos o som gerado pelo Soft Synth. Se temos uma placa de som que nos permite trabalhar com baixa latência, poderemos tocar em tempo-real. Se a placa não permitir uma baixa latência (menor que 10 milisegundos – 10ms), existem algumas soluções:
1) Comprar uma placa melhor
2) Buscar a diminuição da latência através de um programa chamado ASIO4ALL (particularmente não testei mas é mundialmente conhecido)
3) Processar o som de forma que não seja preciso o processamento em tempo-real. Isto faz com que não seja possível editar o MIDI, até que seja desfeito o processo (chamado Freeze no Sonar).

Se você possui uma placa de som dedicada (off –board), a probabilidade de poder trabalhar com baixa latência é grande, a menos que seja das séries mais antigas da Sound Blaster (Creative Labs).

É bom lembrar que o problema de latência só vai existir para quem precisa tocar e escutar o som do Soft Synth ao mesmo tempo. Aqueles que baixam música MIDI da internet ou já produziram o arquivo MIDI de outra forma não precisam se preocupar com a latência, a menos que o gerador de sons solicite muitos recursos de processamento do computador.

Neste caso, vá ao menu options/ audio e no campo Buffer Size regule a latência de forma que não fique toda para o lado esquerdo. Vá colocando para a direita aos poucos e dando play na música para verificar se o computador consegue processar tudo em tempo-real sem engasgos no som.

GERADORES DE SONS (SOFT SYNTHS)

A Cakewalk traz junto com o pacote do Sonar 8 uma série de geradores de sons. O mais famoso deles é o já conhecido Cakewalk TTS-1, que possui timbres com qualidade bem básica. É uma forma de se ouvir as músicas MIDI com um gerador de sons leve e prático.

A “brincadeira” começa a ficar mais interessante quando ao invés de trabalharmos com geradores de sons (Soft Synths) genéricos, começamos a trabalhar com os mais específicos.

Por exemplo: o Sonar 8 traz o True Piano, plug-in dedicado exclusivamente a gerar sons de piano acústico.
Na grande maioria das vezes, o plug-in VSTi ou DXi dedicado a um determinado tipo de instrumento será melhor que o “genérico”. É claro que tudo vai depender do tipo de música, gosto e experiência do músico, etc.

Na próxima edição, iremos pôr a mão na massa e trabalhar com os geradores de som no Sonar 8. Até lá, vocês podem ouvir algumas produções feitas totalmente em MIDI no link:

www.musilab.com.br/backstage

Meu muito obrigado a todos pela leitura, um grande abraço e feliz ano novo atrasado! Até a próxima edição!

e-mail para esta coluna:
musilab@gmail.com