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FESTIVAIS
Nos últimos anos, os meses de janeiro e fevereiro têm concentrado um grande número de festivais e mega shows nacionais e internacionais. A explicação é simples, pois para esse período convergem as férias e o lazer, além do natural reforço de caixa com a chegada do 13º salário. Por conta disso, os dois maiores festivais do país, o Planeta Atlântida no litoral gaúcho e o Festival de Verão de Salvador mantêm uma frequência surpreendente diante do natural e inevitável desgaste que esse tipo de evento enfrenta com o passar dos anos. Alguns shows internacionais completam o cardápio do verão buscando também um público mais receptivo por conta da alta temporada brasileira. A única coisa que depõe contra tudo isso é o preço do ingresso. Ele continua subindo de forma desproporcional ao rendimento médio do brasileiro. Os altos custos de produção só conseguem ser superados com patrocínios fortes e esse parece ser o rumo definitivo desse tipo de espetáculo. Como os patrocinadores repassam isso para os preços dos seus produtos, você acaba pagando mesmo não indo a nenhum desses eventos.
FIM DOS TEMPOS
Manchete de um jornal de Salvador durante o Festival de Verão: “Victor e Leo roubam a noite de Alanis Morissette”. Sem comentários...
PERGUNTINHA
Por que alguns jornalistas pretensamente “muderninhos” e diretores decadentes de gravadoras insistem em usar o sobrenome “universitário” para definir esse ou aquele estilo musical?!? Depois do forró universitário e do pagode universitário, agora querem nos empurrar o sertanejo universitário. Deve ser na intenção de dar algum aval intelectual para verdadeiras insanidades musicais. Os universitários deveriam se rebelar. Não conheço nenhum acadêmico que goste dessas porcarias.
FRASE
Em um jantar na sofisticada praia de Atlântida, no litoral sul, encontro o genial Luis Coronel, um dos maiores escritores e poetas gaúchos de todos os tempos, e ele dispara: “Já percebeu que o mau gosto musical é diretamente proporcional ao volume da música no interior dos veículos?”
CARNAVAL
A procura pelo carnaval baiano vem caindo ano a ano. Alguns patrocinadores perceberam isso e já começam a redirecionar seus investimentos. O bundalelê da Bahia continua participativo, mas ficou caro e violento. E quem foi a um, foi a todos...
GRAMMY 2009
A festa desse ano mostrou que os americanos estão se reinventando e na renovação voltaram a priorizar o talento em detrimento de modismos rasteiros que jogaram por lá, tal como aqui, a qualidade da música popular no limbo. Apesar dos inevitáveis e insuportáveis rappers, o Grammmy 2009 mostrou novos nomes interessantes em vários gêneros. Na premiação, a consagração do velho Robert Plant (ao lado de Alison Krauss) e da banda inglesa Coldplay só confirma a tese de que os ingleses musicalmente sempre produziram melhores talentos no segmento pop rock. Para reforçar isso, o melhor show da noite foi Paul McCartney que contou com a participação do ex-baterista do Nirvana, hoje guitarrista e vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl. Como curiosidade do evento, uma inacreditável guitarrista australiana chamada Orianthi Panagar que roubou a cena na apresentação da cantora country Carrie Underwood. Uma loiraça do tipo belzebu (salve Fausto Fawcet...) que pilotando uma PRS deixou meio mundo de boca aberta. E a menina tem apenas 24 anos.
AUSÊNCIA
Na festa do Grammy 2009, a ausência do rapper Chris Brown e da cantora Rihanna se justificou no outro dia. Horas antes de ocuparem seus lugares no evento, uma discussão entre os pombinhos fez com que o moço desse uma bolacha na “Amélia” que imediatamente inchou a cara e perdeu o visual de festa na hora. O caso foi parar na delegacia em que o machão pagou fiança de US$ 50 mil e vai responder a um processo que pode lhe custar até oito anos de cadeia. Se isso acontecer, a música agradece.
ÓTICA PERVERSA
Ao contrário do que acontece nos quatro cantos do mundo, o meio musical brasileiro tem o péssimo hábito de ironizar artistas antigos e desbravadores de gêneros que ao longo de décadas fizeram a história da música em nosso país. Roberto Carlos disse que tem pânico de envelhecer e deixou claro que isso para ele parece ser uma doença. O guitarrista (?!?) Samuel Rosa, do Skank, falou no ano passado que não iria assistir a um show do Peter Framptom porque ele estava velho e careca. A todo instante é possível ler na imprensa manifestações tristes como essas de outros artistas mais jovens que parecem ignorar que um dia irão envelhecer. Lá fora, artistas antigos são tratados com reverência e respeito, tendo em suas biografias um aval de dignidade para o resto de suas vidas. Aqui, os pretensos “muderninhos” cospem para trás. A conta vai chegar.
PREÇO DO STATUS
Assim como em qualquer produto, a griffe tem um preço. Discutir se adequado ou não é tão subjetivo que nenhuma conclusão é possível sem gerar uma inevitável polêmica sobre a relação custo/benefício. Tecnicamente, alguns instrumentos vendidos por menos da metade do preço têm desempenho igual ou em muitos casos até superior a modelos de guitarras de marcas famosas. Quem já dirigiu uma Ferrari sabe que o carro é ruim, pesado, desconfortável e em nada justifica o preço cinematográfico de mercado. Mas quanto vale pilotar uma Ferrari?
Essa pergunta cabe na hora de comprar guitarras que custam mais de 5 ou 6 mil reais. Você está comprando griffe, porque uma subjetiva qualidade não justifica esses preços. Mas quanto vale pilotar no palco uma Fender, Gibson ou PRS?
NOVIDADE
A companhia aérea Webjet lançou, no final do ano passado, uma ideia que vem decolando no gosto da classe musical. A empresa criou a tarifa Música, uma modalidade especial de preços com descontos interessantes para músicos, produtores e profissionais ligados ao mercado musical brasileiro. A ideia da Webjet é incentivar a cultura incrementando o intercâmbio musical em nosso país. Bem divulgada e ampliada, a proposta vai fazer da Webjet a companhia aérea de música brasileira. Enquanto algumas empresas dão descontos para políticos e apadrinhados, a Webjet parece ter priorizado quem realmente precisa de incentivo para poder trabalhar.
PERGUNTINHA
Alguém sabe me explicar como alguns produtores de programas televisivos de gosto musical duvidoso, que ganham menos de 10 salários mínimos por mês, podem morar na Barra de Tijuca (no Rio) ou nos Jardins (em São Paulo) e ainda pilotar carros importados do ano?
