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Aldo Soares trabalha há 19 anos com áudio, é operador de PA, engenheiro projetista e educador de áudio.
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Quando começamos a desenvolver o desenho de um sistema de sonorização de um ambiente, seja ele fechado ou aberto, alguns fatores devem ser levados em consideração
O TIPO DE MONTAGEM
A montagem mais comum, que estamos acostumamos a ver, é com as caixas à esquerda e à direita, ou com o cluster de caixas à esquerda e outro à direita.
Essa distribuição das caixas ocorre por dois fatores distintos. Um é em função da necessidade de cobrir todo o ambiente com som direto das caixas. O outro é em função da necessidade de separação do sistema de sonorização para os canais direito (right) e esquerdo (left) do mixer de áudio, para uma mixagem em estéreo do programa a ser reproduzido.
Também podemos optar por uma montagem com um cluster de caixas acústicas central, sem caixas nas laterais. Só que nesse caso o programa musical deverá ser em mono-canal, já que a “imagem” do estéreo é totalmente comprometida nesse tipo de montagem.
A montagem com cluster central é mais característica em ambientes fechados, mas, não raras em ambientes abertos.
Mais à frente, falaremos das vantagens e desvantagens de cada montagem.
MONO E ESTÉREO
Quando falamos em som estéreo ou em som mono, o brasileiro, de uma forma geral, cria uma relação direta com qualidade, o que não é bem verdade. Essa confusão toda se originou em função das transmissões da rádio AM do Brasil serem em mono-canal, ou seja, transmitidas com somente uma informação em um único canal.
Quando a rádio FM começou suas transmissões, elas eram em estéreo, ou seja, com dois canais de informações separados e também utilizavam equipamentos de maior qualidade. A questão é que essa maior qualidade foi creditada somente na conta do “estéreo” e não em relação ao nível e na evolução tecnológica que os novos equipamentos representavam. A consequência foi essa confusão em relação ao estéreo e ao mono com qualidade.
A verdade é que o monofônico, estereofônico, quadrifônico e o surround, com seus diversos canais, são o resultado natural da evolução dos sistemas de sonorização em busca da melhor reprodução em relação a nossa realidade, que é a percepção espacial de 360º ao nosso redor.
Agora, quando nos referimos ao mono-canal estamos falando de uma única informação, alimentando uma caixa acústica central ou um cluster com várias caixas acústicas, mas com uma única informação.
Já o sistema em estéreo representa duas informações distintas, alimentando duas fontes separadas, geralmente uma caixa acústica à esquerda e outra caixa acústica à direita, sendo alimentadas por informações distintas, canal “L” e canal “R”.
Também podemos ter uma montagem em estéreo com uma mixagem em mono, assim como uma montagem em mono, com cluster central, com uma mixagem em estéreo, mas, nesse momento refiro-me somente à filosofia com o qual o sistema de sonorização trabalhará. E não a forma de um técnico ou outro mixar.
SISTEMA DE SONORIZAÇÃO
Quando optamos por uma sonorização em mono-canal, estamos limitando as possibilidades de uma mixagem em estéreo para o ambiente, o que possibilitaria explorar uma imagem espacial para a música. Um exemplo bem simples sobre isso é a mixagem que “posiciona” os sons da banda em relação as suas localizações físicas no palco. Ou seja, o som da guitarra que está em um lado do palco vir daquele lado e o som do sintetizador que está posicionado do outro lado do palco vir também daquele lado. É claro que somente para discutirmos as possibilidades de mixagem em estéreo e as suas limitações, teríamos outra série de artigos a respeito, o que não é o nosso caso, pelo menos agora.
Ao mesmo tempo se optarmos por uma sonorização em estéreo, com caixas acústicas ou cluster’s à esquerda e à direita, teremos que lidar com mais interferências entre as caixas, como abordei na coluna passada, mais comb-filter, cancelamentos e somas de ondas sonoras pelo ambiente. Também lidaremos com ambientes mais amplos ainda, em que a distribuição do sistema de sonorização será uma necessidade latente. Só que são casos que temos que estudar um a um, pois as possibilidades são variadas.
Em nosso caso, que é o de sonorizar um pequeno espaço fechado, as variáveis iniciais são mais simples e estão postas.
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| 1ª simulação |
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SIMULAÇÕES
A nossa famosa igreja modelo passou por uma reforma rápida, foi ampliada para poder receber as nossas simulações e considerá-las em situações mais típicas para simulações propostas.
Originalmente ela media 18 metros de comprimento por 11 metros de largura, agora ela recebeu um acréscimo e as medidas passaram para 18 metros de comprimento por 22 metros de largura. A altura continua a mesma.
Como você poderá perceber, em todas as figuras de simulações temos várias caixinhas de texto com os valores respectivos de cada posição. Esses valores são em relação ao som direto, dB (Ld).
1ª SIMULAÇÃO
Nessa primeira simulação fizemos a opção por montar um sistema com poucas caixas e em mono-canal. Dessa forma o sistema será com um cluster central, com três caixas acústicas, e foi posicionado no centro da igreja, na parte da frente do palco, a 4 metros da parede do fundo e suspenso a 4 metros do piso da igreja.
Perceba que em relação ao centro as laterais estão praticamente em -6dB, e os extremos laterais, que estão a 1 metro da parede estão -10dB em relação ao centro. Também nossa última medida ao fundo, a 2 metros da parede está -6dB em relação à primeira medida.
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| 2ª simulação |
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2ª SIMULAÇÃO
Agora consideramos a montagem em estéreo, dessa forma foi posicionada uma caixa em cada extremidade a 2,7 metros da parede e com as mesmas distâncias em relação à parede do palco e à altura da primeira simulação.
Agora o que vemos como medida principal do centro é -111,17dB, só que em relação à medida próxima ao eixo da caixa, 117,55dB está -6dB abaixo do som direto. Ou seja, as pessoas que estão sentadas ao centro, principalmente à frente do palco, estão recebendo menos energia, e o efeito é percebido ao longo do eixo central.
O que constatamos com essa simulação é que temos sombra na cobertura. E que precisamos trabalhar alternativas para solucionar essa deficiência.
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| 3ª simulação |
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3ª
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SIMULAÇÃO
Nessa simulação considerei o acréscimo de uma caixa central (Center fill), para poder cobrir essa sombra ao centro. Veja que agora temos 118,8dB ao centro e 117,57 nas extremidades, algo imperceptível. Inclusive, a menor variação percebida pelos nossos ouvidos é 3dB. (Lei de Weber-Fechner).
4ª SIMULAÇÃO
Retomo a 2ª simulação só que acrescento uma segunda caixa em cada extremidade, um pequeno cluster com dois elementos em cada lado. As localizações foram alteradas para manter a mesma relação de energia incidindo sobre as paredes laterais, que se mantêm em torno de 114dB como na 2ª simulação. (Relembrando, posicionar as caixas de forma a evitar as paredes laterais ao máximo e incliná-las de forma a incidir diretamente no público)
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| 4ª simulação |
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Veja que a relação de energia que incide sobre o centro diminuiu, já não temos mais uma relação de -6dB como na 2ª simulação, mas, agora ficou em -3dB. Suavizando um pouco mais as sombras ao centro.
5ª SIMULAÇÃO
Nessa simulação incluo o canal central à 4ª simulação.
Veja que agora temos uma cobertura consistente na parte da frente do palco. Perceba também que temos uma relação gradativa de atenuação até o fundo da igreja com uma relação de -3dB até a posição dos quatro metros da parede (116,12dB).
Algumas considerações são importantes para esclarecermos ainda mais os fatos.
Primeiro é que as simulações foram realizadas com as caixas com o padrão polar em 60ºH por 40ºV em 1000Hz. E sempre que utilizamos uma caixa acústica ao centro, a mesma recebeu uma atenuação de -6dB.
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| 5ª simulação |
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Também não existe situação melhor, cluster central ou montagem em estéreo. O que existe são questões de filosofia de trabalho e de física, acoplamento das caixas.
Se a opção é trabalhar com o sistema em estéreo para poder mixar em estéreo não há o que se discutir. É simplesmente buscar a melhor montagem para cobrir todo o ambiente. Como pode ser observado nas simulações.
Agora, se a opção é de se montar o sistema em estéreo, mas, a mixagem acabará sendo em mono, não faz sentido. Primeiro como você pode observar na 1ª simulação, o acoplamento do cluster central para cobrir o ambiente foi mais eficiente e com uma cobertura mais uniforme, considerando o mesmo número de elementos. Segundo porque com a montagem de um cluster central, em que os elementos se interagem bem menos do que com a montagem em estéreo, o resultado será uma quantidade bem menor de comb-filter ao longo do espectro e do ambiente. E como falei na coluna do mês passado, é isso que procuramos, dentro das possibilidades, diminuirmos ao máximo as interações entre as caixas acústicas.
No próximo mês seguimos com as outras características das caixas acústicas.
Até a próxima!
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