Paperwork Organização da informação em Lighting Designer
David Bosboom
 
David Bosboom
É diretor de produção, diretor técnico, diretor de iluminação, designer e consultor de projetos. Possui 23 anos de experiência em espetáculos de teatro na Broadway, além de programas de canais de televisão aberto e a cabo. Especialista em turnês de circuito nacional e internacional.
www.davidhbosboom.com

 

Na revista Backstage de setembro, escrevi um artigo sobre “paperwork”, ou seja, como organizar o trabalho de lighting design no papel. Mostrei o trabalho elegante e detalhado de Vivian Leone, broadway lighting designer, e mencionei um programa chamado “Lightwright”

Neste artigo vou continuar a falar um pouco mais sobre o assunto “Paperwork” comentando sobre a nova versão do Lightwright 5 e falando um pouco do background de seu criador, John McKernon.

Artes de uma forma geral, principalmente o teatro e a dança, se tornaram parte importante na minha vida desde muito jovem e por essa razão me considero bem afortunado de ter nascido na cidade de Nova Yorque. Como resultado tive a sorte de trabalhar com algumas pessoas incríveis e muito talentosas que são meus amigos até hoje. John McKernon é uma dessas pessoas que conheci ao longo do caminho e que saiu da obscuridade à notoriedade no mundo de teatro em Nova Yorque.




Resumidamente nós nos conhecemos na Off-Broadway ambos como eletricistas, depois nossas carreiras tomaram rumos diferentes. A dele foi dedicada ao lightng design e depois à criação do programa Lightwright (LW). A minha no gerenciamento de palco, lighting design, produção técnica e agora também escrevendo para você, leitor. Mas John quer me fazer acreditar, mesmo sendo quase inacreditável, que o programa Lightwright (LW) foi criado nas “horas vagas” entre shows.

Isso porque eu pedi ao John que me enviasse o seu CV atualizado. Veio então um CV com oito páginas!

Após ler em detalhes pensei comigo “que horas vagas”, o homem trabalha O TEMPO TODO! Assim decidi resumir suas credenciais ou não caberia neste artigo. Primeiro e mais importante, foram os 20 anos de trabalho como assistente de Ken Billington, Broadway lighting designer de muitos shows como Chicago, Violinista no Telhado e Alô Dolly. Mas isso não significa que ele não é um lighting designer por si só. John faz designs para musicais, teatro e dança em qualquer escala de produção da Broadway a tournées, de Off-Broadway a Teatros Regionais. Imagina que ele até encontrou tempo para dar palestras como convidado na Universidade de Nova Yorque. Mas vamos voltar para a sua criação do programa Lightwright.

No começo dos anos 80 o computador individual tornou-se disponível. Lighting designers e eletricistas ainda estavam fazendo toda a papelada técnica a mão livre. Cada produção exigia uma lista detalhada de luzes e dimmers de que um show iria precisar. E cada pequena mudança em um design, como a adição de uma única luz em uma vara requeria a mudança em todas as listas. Assim, naquela época, um dos trabalhos do assistente do lighting designer era manter todo o paperwork atualizado. Isso às vezes significava horas e horas de trabalho checando e rechecando o paperwork para que as páginas refletissem a última versão no mapa de iluminação. Tudo isso era feito com pequenas anotações a lápis, ou devo dizer muitas anotações e dúzias de lápis! Era cansativo e monótono, mas extremamente necessário. Tinha que existir uma forma melhor, e o computador era a solução mesmo ainda em teoria, pois não existiam programas disponíveis, ou seja, um programa que pudesse checar de forma acurada e criar o paperwork.

Como expliquei, fazer tudo a mão era um tremendo desperdício de tempo. E se você está muito ocupado trabalhando profissionalmente, a sua hora livre tambem é tempo precioso. (Não vamos falar das épocas, entre shows, em que se tem muito tempo, pouco trabalho e pouco dinheiro nas mãos.)

Nos meados dos anos 80, computadores “portáteis” começaram a aparecer. Essas máquinas eram do tamanho de uma mala de viagem com pequenos monitores e com duas entradas para floppy disks. Computadores eram muito limitados, mas com a capacidade para se começar a pensar em programas práticos para lighting designers e seu paperwork.

Foi nessa época que John escreveu o seu primeiro programa prático chamado ALD (Assistente de Lighting Design).

 
Gráfico 01  


Ele então vendeu a ideia para a ROSCO que começou a comercializar e alguns poucos centavos começaram a aparecer na sua conta bancária. Felizmente John continuava trabalhando como lighting designer para poder pagar o aluguel. No final dos anos 80 um novo e mais sofisticado programa foi desenvolvido. Após muitas sugestões de designer, amigos e colaboradores, o Lightwright surgiu.

A premissa básica do Lightwright é ser um programa de planilha, que ajuda a organizar todo o seu paperwork e checar possíveis erros no seu trabalho. Por exemplo, com esse programa é impossível sobrecarregar os seus dimmers, isso porque tudo é calculado quando você informa o wats de cada luz e a capacidade de cada dimmer. Uma das novas funções do LW5 é a habilidade de redirecionar a carga dentro dos racks de dimmer para fazer o balanceamento entre fases equilibrando e redistribuindo o sistema.

O programa LW cresceu em cada nova versão. O que começou como um programa que continha 8,000 linhas de código de programação (LW1) agora tem 220,000 linhas de código (LW5). Apesar de poder processar muito mais informações e ter um mostrador gráfico melhor, o que tem de melhor é que sua configuração se manteve como planilha. Ou seja, toda a informação está visualmente de forma simples ao seu alcance.

 
  Gráfico 02

No gráfico 1, você vê o LW organizado por canais. Pode-se organizar também pelo local, onde está o instrumento de luz (grafico 2), pela cor, dimmer e muito mais. Voce então pode imprimir o paperwork da forma que lhe for conveniente, por canal, local, cor, etc. O mais importante aspecto do LW é que você só precisa colocar toda essa informação para cada luz no sistema uma única vez, depois de adicionada à informação, ela pode ser vista instantaneamente, em um clique de mouse, da forma como desejar.

O que isso significa para um lighting designer e/ou eletricista? Você não vai gastar mais nenhum minuto desnecessário criando o seu paperwork. Sem falar no tempo gasto corrigindo ou atualizando a informação. Os designers da atualidade podem criar seus lighting designs, mapa e as páginas colocando a informação em LW enviando rapidamente por e-mail todo o paperwork ao produtor, eletricista ou empresas de aluguel de equipamentos. A cada upgrade em LW são incorporadas novas funções na medida em que ocorrem inovações na indústria, como por exemplo a invenção da “moving light”, são adicionadas ao programa novas formas e aplicações. Mas John realmente se superou no programa LW5. A cor da gelatina por exemlo é apresentada não apenas como número, mas a própria cor é mostrada no visor e entra na impressão gráfica do paperwork.

 
Gráfico 0.3  

Como sabemos a cor aparece diferente dependendo do monitor, assim a função cor que aparece no programa é apenas uma representação gráfica próxima da cor objetiva que se vê no palco, não a cor exata que pode variar dependendo de como está regulado o seu monitor. Mas oferece ao designer mais um instrumento para ver a sua criação impressa rapidamente e a cor.

Os Gobos usados podem também ser vistos como números e gráficos (ver gráfico 3). Não precisamos lembrar mais que rosco 77119 tem um padrão de folhas, está lá no seu monitor graficamente, e exatamente como vai se ver no palco.

Outra vantagem é a habilidade de se criar cores para “scrollers” com o novo programa LW5 (ver grafico 4). Você pode criar a sua combinação de cores para o seu scroller, escolhendo entre as funções programadas LW5 cores da empresa Apollo, GAM, Lee e Rosco. Depois de escolhida a marca você pode imprimir vendo a combinação das cores escolhidas. Você é um designer e tem grana para usar moving lights? LW5 pode agora ajudar você a criar o paperwork para todos os seus padrões de Gobos. (grafico 5)

 
  Gráfico 04

Em antigas versões de LW você tinha que clicar em uma função específica para obter do programa o número total de refletores, scrollers, e efeitos especiais utilizados no design. No LW5 o programa mostra essas quantidades, tudo que você está usando automaticamente.

No LW4 você tinha que escolher nas colunas, números ou texto, mas na versão nova do LW5 você pode customizar escrevendo ambos nas colunas ou aquilo que lhe é conveniente.

Mas de todas as atualizações o melhor upgrade da tecnologia foi a capacidade do programa LW5 trocar informação com os programas VectorWorks Spotight 2009. Você muda informação no design da planta, troca para o LW5 e a informação já está automaticamente modificada.

Faz modificação ao contrário, no LW5, clica novamente no Vector works e no clicar de uma tecla a informação já estará transferida. Incluindo a adição ou remoção de refletores e acessórios, cores, gobos, canais e símbolos.

LW5 sabe pelo registro do paperwork quando ocorreu cada mudança e quem mudou nos planos de trabalho. Para cada campo de informação, em cada linha da planilha, para cada instrumento de luz, no simples clicar de um mouse o programa registra o que foi feito. Em um segundo momento no clicar do mouse você pode desfazer o que foi feito e retornar a informações do passado.

 
Gráfico 05  

Você pode então restaurar um arquivo criado voltando a um ponto em tempo específico no projeto, ou desfazer algo que foi feito por uma pessoa específica. Muitas pessoas durante o curso de uma produção podem usar o LW nos seus computadores, fazer mudanças e reconciliar quando unidas em um mesmo programa.

No passado, arquivos em LW eram passados de pessoa para pessoa como uma bola de futebol. Ou seja, as pessoas só poderiam fazer algo enquanto tocavam na bola.

No gráfico 6 mostra um show (“Dolly!”) em que duas pessoas distintas trabalharam juntas e onde você pode ver um conflito nas informações anotadas. O coração vermelho determina o que querem manter, reconciliando as duas ações em uma, e mostrando o que vão deletar. Isso é chamado no programa “planilha de reconciliação”. O LW5 identifica o conflito dos dois lados, uma vez aceita ou não a ação ocorre a correção, no clique do mouse o programa ajusta esta correção reconciliando as duas ideias. John recentemente me contou que o LW5 vai estar disponível no meio do ano de 2009. Se você quer experimentar o LW4 para conhecer melhor esta forma de organizar seu paperwork visite o site www.mckernon.com. O download da versão experimental é gratuito e se você conseguir usar (e você consegue usar, eu garanto), significa que não terá dificuldade com a versão LW5.

 
  Gráfico 06

Leva algum tempo para se aprender a usar o LW5, mas as vantagens superam as dificuldades. Na medida em que você se familiariza com o programa tenho certeza de que todos os seus técnicos vão querer usar. Lightwright realmente simplifica e padroniza o seu paperwork. Fazendo com que mudanças ou upgrades no lighting design sejam facilitados. O seu design pode se tornar mais sofisticado e complexo, mas criar o paperwork fica mais simplificado.

 

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