Estamos por um fio...
Luciano Freitas
Luciano Freitas é profissional de áudio, fez curso de piano erudito, Full Mastering no Füller Studios (Miami). É técnico em áudio na Pro Studio Americana e foi professor de teclado no Conservatório Musical Joelson Vieira.

Diferente da maioria dos Matemáticos, os quais muitas vezes buscam complicar os problemas a facilitá-los, muitos fabricantes de equipamentos de áudio buscam a simplicidade como foco dos seus produtos

Todos nós sabemos o quanto o mercado de produtos de áudio evoluiu nessas duas últimas décadas.

Lembrar que há duas décadas para se gravar um disco (álbum musical) era necessário um investimento permitido a poucos, fazendo o mercado girar apenas entre as grandes gravadoras. Entre gigantescos consoles de mixagens e majestosos gravadores de rolo, passando pelos gravadores ADATs em um passado não tão longínquo assim, vimos a tecnologia chegar aos sistemas de gravação baseados em computadores, quebrando barreiras, abrindo uma estrada de avanços que não conseguimos avistar seu final.

Foi através desse marco tecnológico que o sonho de produzir um trabalho musical apenas com um computador, uma interface de áudio, microfones, instrumentos e músicos tornou-se realidade.

 

Graças a esse avanço também aplicado na área da informática, possibilitando a qualquer pessoa adquirir um computador com processamento suficiente para atender as tarefas musicais, o sonho do estúdio próprio, no qual é possível criar sem medo do “taxímetro” estar ligado, já se tornou realidade para muitos músicos e bandas, viabilizando a criação de novos trabalhos em um tempo em que cada vez torna-se mais difícil vender discos para pagar os custos dos estúdios privados.

Porém, existem pessoas que não dispõem de espaço suficiente para montar seu “home studio” ou mesmo suas necessidades são bem mais modestas. Gravar uma guitarra ou uma linha de vocal apenas para não esquecer a composição, desenvolver podcasts (adicionar vocais em vídeos caseiros) ou mesmo produzir locuções comerciais, criar um ambiente para estudo de guitarra ou contrabaixo que não incomode os vizinhos são tarefas que podem parecer simples, mas que já vi pessoas investirem um bom dinheiro em equipamentos supérfluos achando que estes seriam a única solução para atender suas necessidades.
Se você se enquadra em algum desses casos citados, existe uma categoria de produtos que, além da facilidade no manuseio, possui valor acessível que na maioria das vezes é inferior a R$500,00. Esses equipamentos são interfaces de áudio, geralmente acompanhadas de um pacote de softwares, que permitem capturar o sinal dos instrumentos musicais com captadores elétricos (guitarra, contrabaixo) ou microfones sem o auxílio de qualquer outro equipamento, somente a interface e um computador com uma porta USB disponível. Para facilitar, a maioria dos modelos disponíveis no mercado são “Plug-and-Plays”, que não necessitam sequer da instalação de drives (são reconhecidos automaticamente pelo sistema operacional). Essas ferramentas também são muito interessantes na montagem de salas de aulas em escolas de música, onde além da informatização das aulas, os professores podem dispensar os amplificadores e pedaleiras, pois terão os mesmos como dispositivos virtuais no computador, utilizando com fones de ouvidos e eliminando aquela guerra de volumes que ocorre em algumas escolas.

 

Como as características desses produtos são parecidas, a melhor solução para a escolha do modelo que mais se enquadra à sua necessidade é a comparação. Por isso desenvolvi duas tabelas, uma com interfaces para quem precisa usar microfones (tabela 1) e outra para quem precisa usar equipamentos musicais com captadores elétricos (tabela 2), cada uma com cinco opções populares dentro de cada categoria, na tentativa de auxiliar em uma escolha correta. Já para quem necessita de um sistema móvel de dois canais que permita a captação de uma fonte estéreo, a margem de preços aumenta consideravelmente. Diversos modelos são encontrados entre R$1.000,00 e R$2.000,00. Praticamente todos os fabricantes possuem atualmente um ou mais modelos de interfaces com dois canais dotados de pré-amplificação e entradas de linha estéreo, as quais aceitam, além de sinais provenientes de teclados, groove machines e outros instrumentos musicais eletrônicos, sinais provenientes dos antigos tape decks e toca discos (este com entrada dedicada apenas em alguns modelos) para transferir o material sonoro para o computador e realizar a restauração ou mesmo a remasterização do áudio através das ferramentas disponíveis em formato de plug-ins.

Vale lembrar que na maioria das vezes essas interfaces de dois canais já são totalmente suficientes para um home studio, desde que não seja necessário realizar a captação de uma bateria acústica (também não adianta ter uma interface de oito ou mais canais e apenas dois microfones decentes) e os instrumentos sejam gravados em overdubbing (um instrumento por vez, como geralmente são feitos nos estúdio).
Esses equipamentos, além de serem um ótimo ponto de partida aos iniciantes da arte da gravação, permitindo uma melhor análise da relação custo/benefício para aquisição de um equipamento mais robusto, também são ferramentas de extrema utilidade em estúdio de médio e grande porte.

No estúdio onde trabalho atualmente, gravamos em sistema Pro Tools HD. Porém muitas das edições, ou melhor, quase todas, são feitas em um sistema MBox (interface de 2 canais da Digidesign que trabalha com Pro Tools Le), já que a qualidade não se modificará, realizando com um equipamento muito mais barato o mesmo trabalho que seria realizado no Pro Tools HD e liberando este para funções (Captação e Mixagem) em que realmente esse sistema faça a diferença.

Esse tipo de interface tornou-se para muitos dos fabricantes o “carro chefe” de vendas, fazendo alguns como a Apogee, empresa lendária na fabricação de conversores digitais e analógicos, não conseguir atender a demanda de pedidos no lançamento da interface “Duet”. Tal produto oferece a qualidade de conversão que muitos dos grandes estúdios não possuíam até pouco tempo atrás por um preço totalmente atrativo, além de oferecer total adaptação de controles para quem trabalha com o software Logic. Pena que a Apogee neste ano decidiu direcionar seus produtos apenas para usuários de computadores Mac, da Apple.

Outro fato importante é que com o atual patamar de tecnologia aplicada na área de informática, com uma dessas interfaces e um notebook dotado de porta USB ou Firewire disponível, (isto depende da porta de comunicação adotada pelo fabricante da interface escolhida) qualquer pessoa pode ter um sistema de gravação móvel nas mãos, além de poder utilizá-lo para disparar material gravado para sua banda tocar “em cima” de outros instrumentos, enriquecendo a performance nas apresentações e reduzindo a quantidade de músicos necessários para obter o resultado desejado.

 


Novamente farei uso de uma tabela para mostrar as principais diferenças existentes entre cinco equipamentos populares dessa categoria, permitindo ao leitor uma melhor análise para escolha de qual se adapta melhor às suas necessidades. Outras informações podem ser conseguidas nos sites dos fabricantes, sendo que muitos deles deixam disponíveis os manuais do usuário para serem baixados gratuitamente.

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