Orianthi Panagar - A nova Musa das Guitarras PRS

Perfil - Carol Marq
 

Muitas pessoas assistiram à premiação do Grammy 2009. Muitos telespectadores viram a festa sem notar, mas quem era do meio ou entendia um pouquinho de música não deixou de perceber, até porque era impossível não ver, notar em meio a outros músicos uma certa guitarrista loura, extremamente ágil, dotada de uma destreza rock’n’roll um pouco absurda, que acabou mudando o toque country music da apresentação de Carrie Underwood para um breve show de “rock performance” quase que particular

A loura, chamada carinhosamente nos blogs musicais e Myspaces da vida de Deusa, é australiana e se chama Orianthi Panagar. A moça tem apenas 23 anos e tem como padrinhos gente do quilate de Carlos Santana e Steve Vai. Sem contar com o talento, carisma e sorte, a guitarrista ainda é a nova endorsee das guitarras Paul Reed Smith (PRS).

“Comecei a tocar aos seis anos porque meu pai tinha várias guitarras espalhadas pela casa e eu queria muito pegar em uma delas, pois achava as guitarras demais. Passei a ter lições de um amigo de meu pai e logo depois fui estudar clássico aos 10 anos, por um ano”, conta Orianthi, que aos 11 anos de idade decidiu mudar para guitarra elétrica após ver um show de Carlos Santana, em sua cidade natal, Adelaide, Austrália. “Fiquei muito inspirada vendo o Santana tocar com tanta alma e fogo... aí a guitarra clássica não me pareceu mais tão interessante assim! Eu queria muito tocar então eu implorei aos meus pais que me dessem uma PRS. Eles compraram uma PRS Custom 24 usada e eu fiquei tão grata e feliz que até hoje eu a uso”, resumiu.

 

Orianthi gravou o primeiro CD aos 14 anos de idade e fez o seguinte dever de casa como marketing pessoal: enviou o material on-line para todo mundo da indústria da música que ela respeitava. E foi após um tempo que o empresário de Carlos Santana e da Paul Reed Smith retornou o e-mail da jovem guitarrista. “Eu fiquei perplexa por eles dispuserem de tempo para escutar o meu CD. Toquei com banda covers por Adelaide dos 15 aos 20 anos. E eu acho muito importante tocar por aí o máximo que puder para ter bagagem, e foi isso que me ajudou a ser mais confiante a cantar na frente de uma plateia”, reflete. O primeiro show como banda de abertura foi para o Steve Vai, quando tinha apenas 15 anos, e desde então mantém contato com ele. “Ele é um ídolo e foi um sonho abrir o show para ele. Também tive a chance de fazer uma jam com Carlos Santana na minha cidade natal, na frente de 15 mil pessoas, quando eu tinha 18 anos. Foi surreal!”, exalta a guitarrista. Dessa apresentação com Carlos Santana foi gravado um DVD. Esse vídeo foi parar na diretoria da PRS, que acabou convidando a moça para ir aos Estados Unidos para tocar no estande da PRS na NAMM.

No show da PRS na NAMM de 2005, o Gilad Karen, da Waves Audios, estava na plateia e o melhor amigo dele, Tal Herzberg, trabalhava para Ron Fair, na Geffen records. Gilad pediu umas mp3s para ele e Tal, que depois disso a apresentou a Ron Fair. Ele deu à Orianthi dois tickets para voar até Los Angeles para tocar com ele. Era muita responsabilidade e a australiana aceitou tocar em Los Angeles, e daí surgiu a oportunidade: depois de tocar algumas músicas para ele, um ano depois ela assinou com a Geffen (gravadora).

“Sou muito agradecida por estar onde estou hoje. Meu sonho se tornou realidade”, completa Panagar, que gentilmente concedeu a entrevista a seguir para a Revista Backstage.

 

Backstage: Quais guitarristas tiveram mais impacto em você quando decidiu começar a tocar?
Orianthi: Eu praticava o tempo todo ao som dos álbuns e vídeos de Carlos Santana, Eric Clapton, BB King, Freddie King, Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan , além de ter tido aulas com um grande professor. Quando não praticava, lia revistas sobre o assunto. Era obcecada. Tanto que larguei a escola com 15 anos porque queria levar música a sério e meus pais foram super compreensivos e me apoiaram, pois eu realmente era dedicada.

Backstage: Você era daqueles guitarristas que ficava sentado praticando horas a fio as escalas ou aprendeu a tocar mais tocando junto com os álbuns que ouvia?
Orianthi: Meu professor de guitarra, que eu via todo sábado, me passava escalas e músicas para aprender em casa. Eu ficava semanas tirando tudo direitinho. Eu era “fominha” para aprender o máximo que pudesse.

Backstage: Fale sobre a experiência no Grammy. O mundo inteiro te vendo ali... Como foi tocar no Grammy com a Carie Underwood? Foi ela quem te convidou a fazer parte da banda?
Orianthi: Foi surreal fazer o show do Grammy com a Carrie Underwood e a banda dela. Eu sou fã dela! Ela tem uma voz maravilhosa. Foi muito legal da parte dela ter me convidado. Eu estava bem nervosa de estar lá, no Grammy, naquele palco, antes daquela parede do cenário desmoronar, mas aí eu disse para mim mesma “vá se divertir e não pense que está no Grammy”... mas isso foi antes de olhar para frente e ver Nicole Kidman. Aí a grandiosidade daquilo tudo me atingiu... “Eu estou tocando no Grammy!” Me diverti horrores e conheci muitos ídolos, pessoas das quais sou muito fã. BB King, por exemplo, foi de uma graciosidade e eu, fã, ainda tirei foto com ele.

Backstage: O trecho de uma resenha de algum crítico musical está no seu blog dizendo “a melhor performance rock da noite? Carrie Underwood agradece. E sua guitarrista da noite, Orianthi Panagar, pode agradecer em dobro”, por ter chamado mais atenção do que a atração principal da noite, que canta country music. O que você acha do que falaram a esse respeito, que você “roubou a noite”, que você chamou mais atenção do que a atração principal, etc. Como você se sente sobre isso?
Orianthi: A resposta de ter aparecido no Grammy tem sido ótima. As resenhas daquela apresentação são uma loucura! Eu fiquei pasma. Tinha uma que dizia “resenha da melhor performance de rock da noite”... foi insano demais, considerando que a música apresentada era country, mas acho que ficou com um ar de rock, pelo menos um pouquinho!

Backstage: Após ter chamado a atenção no Grammy, você sentiu algum tipo de pressão? Houve alguma mudança na sua vida?
Orianthi: Para mim, nada demais mudou na vida desde o Grammy, mas um amigo meu notou que aumentou o acesso no Myspace. Eu não sinto essa pressão externa mais forte do que a que eu mesma coloco em mim para fazer o melhor sempre.

Backstage: O Grammy deu o que falar. Como está a sua agenda após toda essa repercussão mundial?
Orianthi: Estou em estúdio adicionando alguns solos de guitarra no meu novo álbum, que será lançado em breve! Tenho feito muitas entrevistas, participado de reuniões de interesse profissional e escrevendo, compondo novas canções. Tudo está indo bem.

Backstage: Como está a finalização das gravações do seu novo trabalho? Já tem um título? Sobre o produtor Howard Benson, como foi o processo e trabalhar com ele em estúdio? Alguma participação especial no novo CD?
Orianthi: Foi ótimo trabalhar com Howard Benson! Ele teve uma grande visão para a gravação do álbum e eu aprendi muito trabalhando com ele e a equipe dele. No início do trabalho a gente revisitou várias demos que eu havia gravado desde quando cheguei a Los Angeles. Ele selecionou as mais fortes. No que diz respeito aos solos, trabalhamos no que era melhor para as músicas ficarem consistentes. Gravar vocais com Howard foi ótimo, ele tem muitas ideias para harmonias. Somaram às gravações de guitarra rítmica o guitarrista Phil X, sempre cheio de energia e ideias para chords, Chris Chaney no baixo e Josh Freeze na bateria. Ainda tenho algumas gravações a fazer e também tive a oportunidade de escrever e gravar uma faixa instrumental com Steve Vai para este álbum, chamado “Highly Strung”, que na minha opinião é super divertido! É sensacional trabalhar com Steve Vai. A gente está sempre aprendendo com alguém grande como ele por perto. Mal posso esperar pelo primeiro single tocar nas rádios e começar logo a turnê. Espero que as pessoas gostem de verdade!

Backstage: Você gravou o seu primeiro álbum, “Violet Journey”, no seu home Studio, sozinha. Poderia falar mais sobre esse processo? Pesquisando sobre você acabei lendo que você mesma gravou as baterias. Como você fez isso?
Orianthi: Eu gravei “Violet Journey” no meu home studio em Adelaide, Austrália. Tranquei-me por meses e escrevi muitas letras e virava madrugadas até completar o trabalho. Eu usei um Roland 2480 e plugava minha guitarra em um rack Sans-AMP e depois coloquei um processador vocal HB para simular um tom de amp, pois tinha tubes nele. Resumindo, não usei amp de verdade em nada! Gravei boa parte da bateria com um click marcando o tempo... aí eu dava o ‘rec’ na sala de controle e corria para a bateria na sala de música, colocava correndo os headphones e começava a tocar logo em seguida no tempo certo.

Backstage: Tem algum músico jovem, novo no Mercado, que tenha chamado a sua atenção? Na mídia às vezes, aqui no Brasil, a gente vê o nome da australiana Tal Wilkenfeld, que toca baixo com Jeff Beck, por exemplo. E você? Alguma sugestão sobre em quem devemos prestar mais atenção? 
Orianthi: Tyler Dow Bryant é um excelente músico. Tocou com Eric Clapton no festival Crossroads. Fiquei impressionada. Ele vai dar o que falar com certeza! O Myspace dele tem o seu novo trabalho, que está para sair. Eu também vi Tal Wilkenfeld tocar no Crossroads! Nossa, ela é maravilhosa!

Backstage: Como você se sente com tantos elogios? Qual o impacto disso tudo? Deve ser surreal, já que você é tão nova e um prodígio na guitarra.
Orianthi: É absurdamente surreal receber tantos elogios! Carlos Santana foi a razão pela qual peguei minha guitarra elétrica… e tocar com ele e sair com ele e os amigos dele me fez ficar ainda mais impressionada se tudo isso realmente é possível! Steve Vai tem dado um grande apoio desde que eu o conheci, quando eu tinha 15 anos. Ele me encoraja demais, e ir em turnê com ele pelos Estados Unidos e ter ainda a possibilidade de vê-lo tocando no palco é insano ainda para mim! Ele pode tocar com muita alma em um certo momento e no outro estar arrebentando, rasgando tudo!

Backstage: Você acaba de ganhar a sua PRS Custom 24, certo? Tem alguma diferença para você ao tocar uma PRS e a melhoria da série desde a sua primeira PRS até a Custom 24?
Orianthi: Minha guitarra principal é uma PRS Custom 24 vermelha scarlett... dei o nome à minha guitarra de Pepper. Eu não gosto muito de usar pedais. É basicamente plugar essa guitarra, que já tem originalmente um som genuíno e perfeito, já que não curto “firulas” no som por aí. Paul realmente faz as guitarras mais perfeitas, são versáteis e confortáveis de se tocar. Também tenho uma Custom 22 cherry burst, que eu adoro.

Backstage: Paul Reed Smith significa o que para você? Já que agora é endorsee deles.
Orianthi: É muito bom ter o apoio do Paul e de todos da empresa da PRS. Tem sido maravilhoso ser parte dessa família!

Backstage: No seu site tem uma listagem de equipamentos de estúdio. O que você está usando no momento?
Orianthi: Em estúdio usei minha PRS (custom 22 e 24) e uma Mira, num amp 5150 e um Marshall JVM. De pedal usei o meu Morley Wah bad horsie 2, com um whammy e um delay da Boss. Usei uma Martin acústica e encordamento da Dean Markley, Blue Steel 9-42.

Backstage: Qual o equipamento que você usa ao vivo?
Orianthi: No palco hoje em dia uso um amp Marshall JVM, wah da Morley (Bad Horsie) e minha PRS. Enquanto a banda Daughtry esteve no estúdio trabalhando no próximo álbum, eu tive a possibilidade de “usar” a equipe deles emprestada para alguns shows ao vivo pela cidade.

Backstage: Obrigada por nos conceder essa entrevista!
Orianthi: Muito obrigada por essa oportunidade! Paz e amor!