Se existe um assunto muito discutido entre guitarristas e violonistas, este com certeza é o timbre deste e daquele instrumento. Não que pretenda com este artigo colocar uma pedra sobre a questão – há divergências até entre os especialistas que conhecem muito sobre o processo de construção dos instrumentos, os luthiers. O que pretendo é ressaltar alguns pontos que julgo ser consensos para que nas nossas próximas compras, nós, instrumentistas, sejamos no mínimo, mais conscientes.
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Tenho dois instrumentos de cujo timbre eu e alguns amigos músicos realmente gostamos muito: uma guitarra Gibson Les Paul Custom 73, recentemente restaurada pelo Luthier Kleber Dias e um violão Sávio com Pré-amplificador ativo Fishman® Prefix Pro Blend.
Vocês já repararam na madeira que é utilizada na escala destes instrumentos? Já notaram que este é o primeiro ponto de contato? Ao contrário do que a maioria acredita, a madeira que mais influencia a sonoridade de um instrumento não é a madeira do corpo, como muitos pensam, e sim a da escala, pois por ser o primeiro ponto de contato entre a corda e o instrumento é por onde a vibração passa primeiro para depois interagir com o resto do instrumento.
A madeira utilizada nos excelentes instrumentos é o ébano. De origem africana, é uma madeira rara de difícil aquisição. Muitos acreditam que o som encorpado, mais grave, venha da utilização desta madeira na escala. É evidente, no caso específico da guitarra, que o tipo de captador também influencia o timbre.
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Mas seria a madeira utilizada na escala a única variável determinante de um bom timbre de um instrumento?
Partindo do princípio que os bons instrumentos (os que soam bem aos nossos ouvidos) agradam mais porque quem os fabrica conhece bem o processo de fabricação, eu faço mais uma pergunta: que madeiras são utilizadas no corpo de uma Gibson, de um Sávio, de um CPPM? Ou um Taylor NS72CE. Um excelente violão cujo único “pecado” é o preço: $ 3538.00 (guitars.musiciansfriend.com). Rs.
A resposta é mogno sim, jacarandá (utilizado na faixa e fundo do Sávio), pinho (utilizado no tampo do Sávio), cedro (utilizado no tampo do CPPM).
A maioria importada, já que a legislação ambiental vigente protege estes tipos de madeiras. Algumas em perigo de extinção, como é o caso do jacarandá da Bahia. É por isso que geralmente encontramos, na especificação do produto, termos como:
Taylor NS72CE
| Tampo |
.............................................Red Cedar (Cedro Vermelho) |
| Faixa e fundo |
..................................Indian Rosewood (Jacarandá Indiano) |
| Braço |
............................................................Mahogany (Mogno) |
| Escala |
..................................................................Ebony (Ébano) |
| Equalizador |
........................Pré-amplificador Fishman® Prefix Pro Blend |
No caso do violão, o tampo, geralmente confeccionado em uma madeira diferente da utilizada na faixa e fundo, é o que influencia mais o timbre.
Se não for possível adquirir um violão todo maciço, procure comprar um que possua ao menos o tampo. Via de regra, o fundo e a lateral, construídos geralmente de madeira mais resistente (como jacarandá, mogno e pau-ferro), tem por função direcionar o som para frente.
Esperando ter contribuído! Um grande abraço a todos!
