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Aldo Soares trabalha há 19 anos com áudio, é operador de PA, engenheiro projetista e educador de áudio.
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Com certeza a potência elétrica é a característica da caixa acústica mais conhecida pela maioria das pessoas.
Quando comecei a trabalhar com áudio, há mais de vinte anos, uma das primeiras dúvidas que tive foi sobre potência elétrica
Eu lia que alto-falantes de 1000 watts eram muito potentes. Depois, quando os escutava, realmente “percebia” essa potência . O estranho, e algo que percebi logo, era que os drives de compressão tinham 100 watts e a percepção era de uma potência ainda maior. Essa foi a fonte dos meus primeiros estudos, entender o porquê dessas diferenças.
Bom, então vamos ao nosso primeiro fato, afinal de contas, o que é a potência elétrica e principalmente, por que potências com grandezas tão distintas produzem resultados tão díspares?
A potência elétrica exerce o trabalho bruto da eletricidade e, é normalmente definida como “o trabalho realizado pela corrente elétrica em um dado intervalo de tempo”. A força de seu trabalho será mensurada pela sua grandeza! O que em alguns casos pode não dizer tudo, como veremos mais abaixo.
Mas, você então perguntaria, não será a mesma potência elétrica que alimentará o meu alto-falante e o meu driver? Sim, mas a diferença não está na potência elétrica, ou mesmo no tipo de sinal elétrico e sim na eficiência dos elementos em função das suas diversas características construtivas.
Vejamos, quando eu aplico uma potência de um watt em uma caixa acústica e, a um metro de distância dela eu posiciono um medidor de nível sonoro (vulgo, decibelímetro), eu obtenho o resultado da “eficiência” acústica desse elemento. Veja que esse método de medição é normatizado para medir o nível de sensibilidade axial, em dB SPL (sound pressure level, nível de pressão sonora).
Dessa forma, podemos comparar a sensibilidade axial de uma caixa acústica (e esse é nome dado a essa característica técnica), com outra caixa acústica. E na verdade, a sensibilidade axial é a Potência Acústica de uma caixa, o que realmente vamos ouvir, sentir e perceber.
O caso que citei, só para exemplifi-carmos, é de um alto-falante de 18 polegadas que tem 1000 watts de potência elétrica e 99 dB SPL de sensibilidade axial. Já o driver de compressão é de 4 polegadas, 100 watts de potência elétrica e 115 dB SPL de sensibilidade axial.
Bom, aí você pode me questionar, a medição é realizada com a aplicação de 1 watt no elemento, mas, e o restante da potência elétrica? Esse residual será usado pelo elemento e determinará qual o limite máximo, em dB SPL, que ele alcançará.
A conta é relativamente simples, vejamos: nossa caixa tem 1000 watts, pegamos essa potência e a transformamos em decibéis (10 x Log10(1000/1), que será 30 dB. Esse resultado é somado a sensibilidade do alto-falante e temos a previsão simples, que o limite máximo que a caixa alcançará será de 129 dB SPL. Veja que esse método é o de previsão, não o produto de uma medição.
Como vimos, o alto-falante de 18 polegadas e 100 watts de potência pode alcançar 129 dB SPL, já o driver com 100 watts de potência e sensibilidade de 115 dB SPL, utilizando o mesmo método, alcançará um nível máximo de 135 dB SPL!
Bom, mas você poderia dizer, “são elementos distintos com objetivos distintos, o alto-falante e o driver de compressão”, ok, realmente são distintos, mas, nesse caso, é um mero exercício didático para exemplificarmos nossa situação. O que devemos sempre é fazer comparações diretas entre elementos com finalidades iguais e principalmente, entre as caixas acústicas, esse sim, será um parâmetro importante no momento de decisão.
Veja que podemos aplicar essa avaliação em todos os casos, vejamos um exemplo de mercado; uma caixa acústica de subgraves no mercado possui 2.000 W de potência elétrica, 100dB SPL de sensibilidade axial e 133 dB SPL de pressão máxima. Já outro modelo, 1.000 W de potência elétrica, 110,5dB SPL de sensibilidade axial e chega a 140,5 dB SPL de pressão máxima!
É extremamente importante que você tenha em mente que eficiência acústica é o objetivo que buscamos quando procuramos caixas acústicas para comprar, indicar ou especificar em um projeto. Não podemos mais nos apegar às simples relações que não podem exprimir a realidade dos fatos.
Sempre busque avaliações mais técnicas para suas igrejas.
No próximo mês veremos as diferenças entre as caixas passivas e as ativas.
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