A matéria publicada na Backstage no mês de maio, que tratou basicamente da influência das madeiras no timbre de violões e guitarras, não teve, em absoluto, a intenção de fechar a questão. Atendendo às solicitações daqueles que observaram a não citação das Stratocasters nos meus exemplos, resolvi, até por ser fã, escrever um pouco sobre esse bem sucedido projeto criado em 1954 por Leo Fender, George Fullerton e Freddie Tavares que originou a Fender Stratocaster.
Dizem que Leo Fender, ao projetar a “Strat” (como é conhecida no exterior), queria um instrumento que não perdesse os agudos e que tivesse graves mais poderosos que as estridentes Telecasters, modelo até então muito utilizado.
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A Fender Stratocaster introduziu uma série de inovações, das quais poderíamos destacar o trêmulo: ponte que com auxílio da alavanca permite, sem causar desafinação, que as cordas sejam esticadas ou afrouxadas, e desta forma que uma série de técnicas de execução seja realizada (vibrato, bend release, reverse bend). A disposição das tarrachas na cabeça da guitarra (headstock) em linha reta, mantendo as cordas retas após a pestana (nut), visa minimizar as desafinações decorrentes do uso do trêmulo.
Um outro fato interessante é que a forma do corpo da Fender Stratocaster foi inspirado no corpo do primeiro modelo de contrabaixo elétrico da marca Fender criado em 1951 – o Fender Precision Bass.
Na época, o captador do meio era igual ao do braço. Atualmente o captador do meio é enrolado ao contrário e com o pólo invertido – para funcionar como um captador Humbucker, visando eliminar ruídos.
A chave seletora dos captadores (pickups) geralmente possui 5 posições, em que as posições 1, 3 e 5 compreendem respectivamente aos captadores do braço, meio e ponte, e a 2 e 4 uma combinação de timbres dos captadores do braço, meio e ponte.
Uma curiosidade: “Brownie”, uma Fender Stratocaster 1956, utilizada para gravar o clássico álbum “ Layla and Other Assorted Love Songs “, foi vendida por US $ 450.000 para levantar fundos para o Crossroads Centre Antigua – um centro de excelência no tratamento de dependentes de álcool e de drogas, localizado na ilha de Antigua, no Caribe, mantido por Eric Clapton. Adquirida por Paul Gardner Allen, fundador, junto com Bill Gates, da Microsoft, “Brownie” pode ser contemplada no Experience Music Project, um museu em Seattle.
A “Strato” (como é conhecida no Brasil) possui uma longa lista de fãs: Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Jimmy Page (Led Zeppelin), Jimi Hendrix, Jeff Beck, Mark Knopfler (Dire Straits), David Gilmour (Pink Floyd), Ritchie Blackmore (Deep Purple), Joe Perry (Aerosmith), Yngwie Malmsteen, Robert Cray, para citar alguns.
No início dos anos 90, a Giannini, um dos nossos melhores fabricantes de instrumentos musicais, produziu sob licença da Fender americana um modelo de guitarra Stratocaster. Atualmente comercializa um modelo mais apropriado para iniciantes – a SonicX GGX-1.
E para quem é apaixonado pelo timbre e ainda não pode comprar um autêntica Fender Stratocaster tenho uma dica.
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Recentemente, tive o prazer de tocar uma Tagima 737 Custom.
O Márcio Zaganin, luthier responsável pelo desenvolvimento de produtos da Tagima e da N.Zaganin, me disse que o corpo da guitarra, feito de cedro, proveniente de um estoque antigo, madeira antiga especialmente reservada à construção de guitarras especiais, foi todo construído em peça única, ou seja, não foi feito de partes coladas.
Nenhuma peça de madeira é igual à outra, mas o cedro, assim como (principalmente) o mogno, é uma madeira que (geralmente) ressalta as freqüências médias e graves.
A escala de rosewood com marcações em abalone e nut em osso ficou muito legal com a pintura sunburst. O jacarandá utilizado na escala confere um som característico de guitarras vintages dos anos 50 e 60, porém um pouco menos estridente que as Stratocasters com escala de maple.
Ponte, trastes jumbo e tarrachas com trava GOTOH e captação Seymour Duncan modelo SSL-1 – segundo a Seymour Duncan, perfeito para country, pop, surf, rockability, blues, ska e classic rock. Mas, em minha opinião, dando um exemplo prático, a Tagima 737 Custom possui um timbre bastante semelhante ao das guitarras usadas pelo Eric Clapton e Mark Knopfler. E, a questão de utilizar este ou aquele timbre em um determinado gênero musical é muito pessoal – o Mike Stern, um dos maiores guitarristas da atualidade, que já realizou vários shows com o nosso também talentosíssimo Romero Lubambo, toca jazz em uma Telecaster.
Excelente relação custo-benefício. Confira!
Esperando ter contribuído! Um grande abraço a todos!
