LightFair 2009 - O Futuro da Iluminação Led Está Aqui Agora!
David Bosboom

 
David Bosboom
É diretor de produção, diretor técnico, diretor de iluminação, designer e consultor de projetos. Possui 23 anos de experiência em espetáculos de teatro na Broadway, além de programas de canais de televisão aberto e a cabo. Especialista em turnês de circuito nacional e internacional.
www.davidhbosboom.com

 
























Acabei de chegar de viagem, da minha cidade natal, onde tive a oportunidade de participar da Lightfair International que está completando seus 20 anos de existência

Esta “Feira de iluminação” é a maior do ramo direcionada para área de arquitetura, indústria e comércio, é considerada a maior da América do Norte. Este ano quebrou recordes de audiência com a participação de 23.000 profissionais, 475 expositores nacionais e internacionais ocupando uma área com mais de 56.000 mil metros quadrados. Segundo os organizadores foram programadas 220 horas em mais de cinco dias de cursos, palestras e seminários. Com 170 experts da indústria de iluminação apresentados em 75 sessões, cobrindo assuntos como os fundamentos básicos de iluminação, software, aplicações, controles e soluções, inovação em design, produtos, estudo de casos e LED. (fig.1)

 
  Figura 1

Fabricantes mostraram as suas mais recentes inovações, palestras e cursos, atualizaram designers, e distribuidores mostraram os mais novos “toys” para profissionais da área de iluminação. E digo aos leitores que, em todos os cantos da feira, em cada estande que visitava, só havia LED.
A iluminação em LED teve um enorme progresso nos últimos 40 anos, no início sua aplicação era apenas em mostrador de relógio e nos indicadores para controle remoto de TV. Atualmente estamos mais acostumados a vê-los em letreiros de propaganda (fig.2), sinal de trânsito e nas sequências de painéis em grandes concertos. LED tem estado conosco por muitos anos na luz de freio, painéis e pisca-pisca de nossos carros. Mas foi em um dos seminários intitulado “Os Avanços da Iluminação em LED” que um consultor da área anunciou a extinção da lâmpada incandescente nos próximos cinco anos. A indústria vai dar o “pulo do gato”, a tecnologia vai tomar conta do mercado, a iluminação básica e geral será de LED aqui AGORA!

 
Figura 2  

Há um ano tenho escrito artigos sobre o perfil de lighting designers e suas criações para teatro, dança, concertos e shows. O que deixei de mencionar nesses artigos é que muitos desses designers tiveram alguma experiência trabalhando com iluminação em arquitetura. Esta foi a motivação para escrever sobre a Lightfair trazendo as novidades no assunto.

 
  Figura 3

A iluminação em aquitetura tem estado tradicionalmente sob o domínio dos Arquitetos. O resultado do trabalho desses magos em estrutura arquitetônica vai do mais sofisticado (Fig. 3) ao mais inexpressivo, este último sendo o mais comum. Em um painel de discussão com os membros fundadores da Associação Internacional de Lighting Designers (International Association of Lighting Designers), foi colocado aos presentes um interessante conceito. Durante o debate uma pessoa da plateia perguntou o que um jovem estudante de arquitetura poderia fazer para melhorar seus conhecimentos e habilidades em iluminação. A resposta prática do grupo foi unânime: “Vá e se inscreva como designer voluntário em uma companhia de teatro”. Todos concordaram que não se pode aprender COMO usar a luz sem trabalhar diretamente com luz para teatro. Na prática os mais bem sucedidos designers de iluminação em arquitetura vieram do mundo cênico. Livros e fórmulas matemáticas não são suficientes para se obter um ótimo resultado. O teatro é o MELHOR lugar para se aprender ângulos, cores e a emoção em iluminação. O fato de que um Lighting Designer de Teatro é apreciado pelos iluminadores de arquitetura foi para mim uma confirmação fascinante.

 
Figura 4  
 
  Figura 5

Por estar em Nova Iorque para a abertura desse evento fiz com que você, leitor, economizasse dinheiro em passagem, hotel e refeições. Mas poupei você também dos quilômetros que caminhei no duro chão de concreto do Jacob Javits Center, um grande centro de convenções. (Fig. 4) Vou tentar dar então uma amostra gratuita do que você perdeu nas fileiras incontáveis de estandes iluminados (Fig.5) com novidades de alta e baixa tecnologia, com inúmeros vendedores e seus catálogos, além dos muitos brindes, é claro! Alguns úteis como um chaveiro lanterna de LED ou inúteis como a imitação de um cubo de gelo de LED piscando no meu Jack Daniels. Legal né? NÃO!

 
Figura 6  

Em uma das fileiras de iluminação industrial reconheci imediatamente uma empresa com que trabalhei durante muitos anos, a empresa fabricante de instrumentos de iluminação para teatro Altman Lighting. (Fig.6) Esta empresa recentemente expandiu para arquitetura com algumas ideias que devem ser consideradas. Por exemplo, a Altman Lighting fez um trilho que incorpora o sistema DMX dando ao

 
Figura 7  

designer a possibilidade de controle. Agora instrumentos de luz como um Fresnel ou um PAR de LED (Fig. 7) podem ser acoplados diretamente ao trilho Smart-track. (Fig.8) Para os instrumentos pesados existe uma caixa que se adapta diretamente a esse trilho inteligente também provida de força e do mesmo sistema DMX. A empresa mostrou também sua nova linha de LEDs para ciclorama que vem com a propaganda; “Altman Lighting tão forte que até a Disney está comprando”. Certamente não precisam dizer mais nada. Trabalhando durante anos na Disney, sei que se eles compram, as luzes de ciclorama CYC devem ser mesmo boas. E, com todo esse marketing, o produto será bem vendido e garanto que a Disney não pagou o preço real de mercado.

 
Figura 8  

Uma outra empresa fabricante para o pessoal de teatro que encontrei foi a Rosco. Estavam apresentando Gobos de vidro e projetores com atraentes aplicações em arquitetura. O trabalho customizado da empresa Rosco em gobos e slides é excelente. Os preços são um pouco salgados, mas é um produto da mehor qualidade.

Tipicamente nesse tipo de feira a maioria dos fabricantes oferece instrumentos de iluminação para escritórios, edifícios comerciais e residências, todos prontos para venda. Encontrei porém empresas especializadas em cortes de metal e vidro a laser oferecendo um produto customizado. Caso você seja extremamente criativo, eles oferecem o serviço de reproduzir o seu próprio design. Obviamente o custo varia de acordo com a quantidade encomendada. A maioria das luminárias para aplicações comerciais tinha um sabor de século 21 com futurísticos designs e alta tecnologia em LED. (fig. 9). Os preços para esses itens eram de razoáveis até proibitivos. Com as opções mais econômicas sendo encontradas nos estandes da Ásia.

 
  Figura 9

Aproximadamente um terço dos fabricantes de lâmpadas da feira criaram lâmpadas de LED em substituição ao padrão incandescente de iluminação. Desde a simples lâmpada de rosca até os MR-16 tinham a opção de serem substituídos por LED. A maior parte dessa moderna tecnologia foi feita com o intuito de adaptar aos antigos instrumentos essa nova realidade. A maior parte dessas lâmpadas era comercializada nos estandes de empresas da China, Japão e Coreia. O que pude constatar foi que os preços não eram baixos e a qualidade questionável.

Um produto que achei interessante, com uma possível aplicação cênica, foi a fita de LED com menos de 2cm de largura, em cores variadas, disponível em cada 3 metros de comprimento podendo ser cortada para adequar-se ao tamanho desejado. A fita tinha todas as micro partes eletrônicas da tecnologia LED envolta dentro de um flexível plástico. Alguns estilos possuíam até um adesivo para facilitar a aplicação e montagem em qualquer superfície. Estou esperando pelo catálogo e, assim que chegar, vou dar um “follow up” neste interessante produto. Existem infinitas aplicações, inclusive a possibilidade de serem costuradas em figurinos. Já avisei ao meu editor que tenho muitos catálogos vindo pelo correio.

Um fabricante da área cênica que gostaria de destacar, mas estou aguardando material, tinha os mais poderosos LEDs que vi na feira. Acabei testando pessoalmente uma das luzes que projetou um foco por mais de 30 metros visível e brilhante no aberto e iluminado teto do centro de convenções. Foco intenso de luz fria distintamente visível podia ir do ligado ao desligado diminuindo gradativamente do brilhante até ao mais suave sem desligar. Isso sem pular de uma intensidade para outra, gradativa e consistente até se apagar. E, apesar de estar ligado por mais de uma hora, podia tocar o instrumento com as mãos. Esquentava muito pouco devido ao excelente sistema de ventilação. Se isso é um exemplo de futuro próximo, a luz incandescente sem dúvida vai realmente sumir do mercado em cinco anos. Thomas Edison sai da frente, pois a lâmpada incandescente vai apenas ficar na história!

TUDO QUE PRECISAMOS SABER SOBRE LED NO MOMENTO
(Figura 10)

 
Figura 10  

Como jornalista tive o privilégio de um passe livre na feira, além de acesso a todas as palestras, cursos e material informativo oferecido na LIGHTFAIR. Fiquei interessado em muitos assuntos, mas tinha apenas alguns dias disponíveis.

Estava retornando a Nova Iorque, revendo familiares e amigos, voltando ao meu berço de teatro. E o mais importante, o desejo de saborear todas aquelas comidinhas favoritas. Obviamente abusei o suficiente em todos os sentidos e, como sempre, a agenda estava mais cheia do que o tempo disponível. É impossível participar de todos os cursos, debates, palestras e ao mesmo tempo ver centenas de empresas e produtos.

Escolhi então trazer o tema de maior interesse da atualidade e na Lightfair, a tecnologia LED. Essa tecnologia, devido à rápida expansão, provocou na indústria uma corrente de afirmações ainda não comprovadas pela inexistência de órgãos reguladores do mercado.

Até recentemente não existiam padrões e modos de se medir a quantidade de luz e a vida útil dos LEDs. Em agosto de 2008 isso mudou quando uma linguagem formal e uma metodologia de testes (LM 80-08) foi desenvolvida, padronizada e aprovada pela indústria e pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. Mas até que esses testes sejam executados, documentados e aprovados pelo órgão regulador, produtos de LED já estão hoje a venda nas prateleiras.
Uma metodologia usada antes da regulamentação, para medir o brilho e a quantidade de luz de um LED, era piscar a luz por 25 milis-segundos retirando a luminosidade máxima de um elemento. Por que alguém usaria essa metodologia para medir a quantidade da luz quando sabemos hoje que a luminosidade declina na medida em que o elemento se aquece? Assim, em um curto espaço de tempo, o fabricante que usou este método não obteve a resposta adequada, pois esse elemento não esquentou o suficiente. Eu, por exemplo, gosto da minha luz por mais de 25 milissegundos, e você?
O mito de que a iluminação em LED não emite calor não é verdade. Só porque o foco de luz não aquece ao toque, não significa que LED não esquenta. LEDs aquecem, emitem calor e alguns ficam realmente quentes. Assim a fabricação de um bom aparelho de LED precisa ter um eficiente design de ventilação que retire esse excesso de calor criado pelo elemento. Essa precaução é providencial para questão da longevidade que os faz diferentes das lâmpadas incandescentes. Com a lâmpada incandescente é fácil saber quando a luz precisa ser trocada. Quebra-se o filamento, é hora de substituir a lâmpada.

LEDs são “Solid State Devices” como um processador chip de computador, as partes não se desgastam. Claro que, como as lâmpadas incandescentes, LEDS também são frágeis e quebram se os deixarmos cair. Assim a forma de se avaliar a vida útil do LED é pelo seu brilho. Quando a luminosidade abaixa 70% da inicial é hora de ser substituído. E com a vida média de 50.000 a 100.000 horas (5 a 10 anos de uso contínuo) você não irá trocar essa lâmpada com muita frequência.

Mas o LED, que significa Diodo Emissor de Luz, não é o único componente do instrumento de iluminação. O driver e o capacitador são críticos para o seu bom funcionamento. Eles trabalham juntos dando força de forma suave e mantendo constante a voltagem. O “driver”, como é chamado, é o antigo transformador que abaixa a voltagem e o capacitador é o regulador de voltagem. Ambiente hostil pode destruir o driver, por exemplo, quando a voltagem é acima da qual foi desenhado para aguentar (recebe 220vac, aceita 120vac). O capacitador é extremamente sensível ao calor, se aquecido por causa de altas temperaturas, a água dentro dele evapora causando falha no funcionamento.

O último aspecto a ser considerado quando usar iluminação de LED é a temperatura Kelvin da cor que vem em grande variedade. Na indústria se encontra o padrão de combinações RGB, RGBA ou RGBW. Com o sistema DMX pode-se misturar e criar com precisão a cor desejada. Quando usar uma única cor branca de LED é importante saber a temperatura Kelvin por causa das variações que existem entre cor aquecida branca de 2700º K (mais amarelada) até a cor branca fria 6500ºK (mais azulada) veja a figura 11. Fabricantes de LED usam as variações dessas temperaturas de cores se esforçando para atingir uma luz branca mais equilibrada.

Figura 11

 
Gráfico 12  

É importante saber qual o fabricante que fez os componentes? São estas empresas conhecidas? São as imitações mais econômicas? Certamente as partes criadas por empresas multinacionais como a Philips e a GE são bem mais testadas do que partes genéricas de companhias desconhecidas. Como vimos, quanto melhor a qualidade das partes mais confiável será o produto. Na compra de uma iluminação de LED o preço não deve ser o principal atrativo. Garantia do fabricante, por exemplo, é essencial. Um produto com a expectativa de vida de 50.000 mil horas não pode ter do fabricante 90 dias de garantia. Caso isso aconteça minha sugestão é achar um outro produto. Se o fabricante não confia no próprio produto passados 90 dias, deveria você confiar? A “curva da banheira” é uma referência usada por todos os fabricantes em geral, veja o gráfico 12. O gráfico nos mostra que se o produto sobrevive sem defeitos nos primeiros estágios de uso, sua expectativa de vida pode ser assegurada pelo fabricante. Na medida em que melhora a regulamentação, melhora a tecnologia LED, consequentemente, melhora a garantia do produto. Precisamos ficar atentos, pois é nossa a responsabilidade de manter o cliente satisfeito por longo tempo. LED está AQUI AGORA, não tem mais volta e vem adiante muita oportunidade para lighting designers, pelo menos nos próximos 10 anos.

Apesar da agenda cheia e do tempo limitado, tive a oportunidade de assistir a vários shows entrevistando alguns Broadway designers que serão tópicos de futuros artigos.

“Celebrando a História do Lighting Designer Independente”
Addison Kelly – Mediadora Graduada pela Universidade de Harvard em Design

Palestrantes e membros fundadores
Howard Brandston
, estudou iluminação teatral na Universidade de Brooklyn iniciando sua carreira nos teatros em Nova Iorque.
Ray Grenald, arquiteto reconhecido pelos seus lighting designs.
David A. Mintz, lighting designer de Arquitetura, iniciou sua carreira em teatro
graduou-se pela Instituto Carnegie de Tecnologia (atual Carnigie Melon).
Sonny Sonnenfeld, iluminação de Arquitetura iniciou sua carreira em teatro.
William Warfel, mestre em Artes pela Universidade Yale, Professor Emeritus de Design para Teatro.

Palestra feita pelos membros fundadores da Associação Internacional de Lighting Designers.


Tabela de expectativa da vida média das lâmpadas

Lâmpada incandescente: .................................................(para residências) 750 - 2.000 horas
(baixa tecnologia) ..........................................................(halogen –teatro/TV) 250 – 500 horas

O princípio básico por trás da tecnologia incandescente não mudou em mais de 120 anos. Esse tipo de lâmpada oferece 80% de calor e 20% de luz.

Fluorescente Compacta:....................................................................... 8.000 – 10.000 horas
(média tecnologia)
Fluorescentes compactas são mais eficientes do que lâmpadas incandescentes, mas ainda contêm uma pequena quantidade de mercúrio que é bem prejudicial ao meio ambiente.

Luz branca LED com alta intensidade ..................................................35.000 – 50.000 horas
(alta tecnologia)
O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que 25% da eletricidade consumida é por luz, custando cerca de $50 bilhões por ano. A agência diz que a nova tecnologia em LED pode reduzir em até 50% os gastos de energia.

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