Neste ano, uma das maiores inovações no evento da AES Brasil foi a criação de um espaço para demonstrações de sistemas de sonorização (PA) que na primeira versão ficou restrito aos lines array de seis empresas (na realidade foram sete empresas, pois a Staner apresentou os seus lines e um modelo da Clair Brothers)
Durante os três dias, vários profissionais e estudantes puderam ouvir os lines e perceber as diferenças e semelhanças entre eles. Apesar de ser um “viés” humano, comparar o desempenho, timbre ou outra característica peculiar de uma marca em relação a outra usando padrões fixos é tão estúpido como querer comparar diversos modelos de automóveis só porque todos eles são movidos a gasolina. Hoje cada produto tem características peculiares e o custo é compatível com um determinado público ou aplicação. O único e verdadeiro objetivo quando se têm várias opções é a escolha pela melhor relação custo/benefício. Nas apresentações, todos os lines têm preços diferentes.
ENTREVISTA COM O PAULISTA
Para melhor entendermos como foi este evento, batemos um papo com José Anselmo “Paulista”, um dos idealizadores do projeto.
As empresas que demonstraram seus lines.
As empresas que participaram foram Staner / Clair Brothers, Norton Audio, Firewire, DAS, FZ Áudio e Selenium / Studio R. Elas se apresentaram todos os dias da Convenção Latino-americana da AES 2009, entre 13 e 19 horas. A cada hora, as empresas tinham uma apresentação de 10 minutos. Assim, um visitante que permanecesse na Arena por uma hora teria a possibilidade de ouvir todos os sistemas. Durante as apresentações cada empresa utilizava o programa sonoro ou musical que quisesse. Às 19 horas, todos os dias havia uma apresentação oficial da AES Brasil. Na parte da manhã, tivemos os horários VIP, em que os expositores tinham um tempo maior para receber seus clientes e fazerem demonstrações mais específicas. No primeiro dia, três empresas tiveram uma hora à sua disposição para essas apresentações. No segundo dia, foi a vez das outras três. E no último dia, meia hora para cada uma das seis empresas. Vale lembrar que tanto as posições nas torres como a ordem das apresentações foram decididas através de sorteio realizado na sede da AES Brasil e transmitido ao vivo via Internet.
Como surgiu a ideia das demonstrações?
Sempre foi um desejo da AES Brasil e uma demanda dos exibidores. Já havia acontecido uma pequena demonstração há alguns anos. Em uma das reuniões de preparação da LAC 2009, Joel Brito, presidente da AES Brasil, ventilou a possibilidade de fazermos algo assim novamente. Foi quando percebemos que o processo demandaria muito mais método e organização. Seria melhor pensar mais sobre os problemas encontrados. E em local fechado, como na primeira experiência, não era o ideal. Naquela situação você estaria ouvindo, além do equipamento, as reflexões da sala. Então encontrar um caminho adequado e profissional para que se pudessem exibir sistemas de sonorização de uma forma mais realista foi um desafio. Atender às demandas do profissional ou investidor em sistemas de sonorização para grandes ambientes ou eventos ao ar livre sempre foi a meta. Não exatamente um test-drive, mas uma mostra “para valer”. E assim foi: sistemas funcionando realmente. Tirando o palco e a Banda, tudo como em um show para um grande público, em que foram necessários transporte, loaders, local, estruturas para içamento, talhas, bumpers, cases, arrays, subs, racks, processadores, amps, house - mix, console, cabeamento de áudio e elétrica, tendas, energia elétrica emergencial (geradores), aterramento, ARTs, banheiros, etc.). Literalmente a produção técnica para um evento de grande porte ao ar livre que necessite de sonorização desse tipo. O espaço de exibição na feira por si só não tem o propósito de contemplar essa finalidade. Por isso, quando houve a mudança de Local da Convenção deste ano para o Anhembi, a ideia se tornou possível, com a locação também, por parte da AES Brasil da “Arena”, entre o Sambódromo e o Palácio das Convenções do Anhembi.
Quais foram as dificuldades, iniciais, encontradas e como foram equacionadas?
Diversas, até pelo ineditismo do que estava sendo feito. Poucos locais do planeta se propuseram a resolver, de uma forma séria e organizada, o desafio de focar o escopo do cliente, criando a oportunidade de simular e sonorizar um evento de grande porte ao ar livre. Era uma tarefa nada fácil ou barata. Tivemos diversas reuniões internas de planejamento entre a AES Brasil (Joel Brito), a FGL Audio Engenharia (Framklim Garrido) com o projeto elétrico e estrutural, e supervisão, e a JPA Eventos (José Anselmo “Paulista”) com a produção executiva e operacional e contatos com expositores. A escolha do local permitiu que se pensassem nas outras soluções. Mesmo dentro da Arena do Anhembi tivemos que buscar o melhor posicionamento para a montagem, que atendesse às necessidades de impacto de ruído ambiental, infraestrutura para os expositores, conforto aos visitantes e afins. Da mesma forma como se produz um grande evento. Com a diferença que os clientes eram os “profissionais de sonorização”. A festa era deles! O número de exibidores seria naturalmente definido pela área locada de 4000 m2. Iniciamos com oito, mas resolvemos ficar com seis, para melhor aproveitamento de espaço e melhor distribuição de horários. Decidimos que o formato da fonte sonora original seria monofônico, para otimizar tanto as condições sonoras, de espaço e custos. Daí foi resolver a distância, altura e disposição física das torres de sustentação de maneira que permitisse uma audição quase que equidistante para o público. Foram algumas das soluções encontradas e implementadas.
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| Franklin Garrido e Paulista |
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Que argumentos foram colocados pelas empresas que não quiseram participar?
Foram poucas as empresas convidadas e que não quiseram participar. Como estipulamos apenas seis expositores, aquelas que aderiram primeiro foram as beneficiadas com a oportunidade. Realmente algumas tinham problemas de disponibilidade de equipamento, outras de pessoal, etc. E outras, quando resolveram aderir ao projeto, já não havia mais espaço.
Que problemas ocorreram durante a montagem e como foram resolvidos?
Os normais, considerando eventos desse porte. Todos os fornecedores, que na maioria foram apoiadores, pois alguns cobraram apenas seus custos e outros nem isso, corresponderam fielmente aos horários e equipamentos combinados. E nisso se incluem Feeling Eventos (estruturas do flying, tendas e house mix), Yamaha (mesa PM5D-RH e multicabos digital) Tukasom (equipamentos complementares da house mix e sonorização oficial de serviço da demonstração), Papycon Geradores e NEO/Decomac Brasil (mooving heads e mesa de iluminação). A todas elas nossos agradecimentos pela colaboração, pontualidade e profissionalismo. Fora os atrasos do fornecedor contratado para a distribuição e instalações elétricas e aterramento, tudo andou mais ou menos como no cronograma traçado. A colaboração dos administradores do local foi fundamental gerando soluções acertadas e intermediando uso do local com outros locadores além da AES Brasil.
Que dificuldades ocorreram durante as apresentações e como foram solucionadas?
Praticamente nenhuma, os exibidores se comportaram com a educação e o profissionalismo que o evento exigia. Todos atenderam ao nosso caderno de intenções. Afinal estavam ali montados, prontos para usar, equipamentos de muitos milhares de reais. Coisa séria. As apresentações ocorreram de forma autônoma pelos expositores, cada um dispondo de 10 (dez) minutos por hora. Nesse momento eles poderiam demonstrar seu produto da forma que julgassem mais adequada. Era um espaço privativo locado por eles.
Após as 19h a AES fez a sua demonstração tendo como parâmetros alguns elementos técnicos, contemplando o cliente final: o profissional de áudio, produtor, comprador, estudante. Em um fórum com todos os exibidores envolvidos e a coordenação técnica convencionamos estabelecer a reprodução de cada sistema com um nível de pressão sonora que fosse suficientemente alto, mas ainda confortável para a apreciação dos ouvintes. Não haveria retoques nos sistemas após o ajuste do nível operacional estabelecido pela AES Brasil. A AES Brasil não interferiu em momento algum nos procedimentos internos de cada exibidor quanto a métodos de processamento de sinais. Apenas entregamos um programa musical que fosse comum a todos e que permitisse a mesma pressão média em todos os sistemas. Foi convencionado que seriam usadas fontes sonoras musicais (CDs comerciais encontrados no mercado) que contemplassem reprodução de voz masculina, voz feminina, pop rock, orquestra, dentre outros. Os estilos foram alterados ao longo dos dias. Como era de se esperar, mudanças de fator de crista, encontrados em cada programa musical masterizado, nos obrigou a ajustes pontuais de ganho em cada CD para evitar um desvio exagerado do nível de SPL estabelecido inicialmente. Foi trabalhoso, mas eficaz. E a audiência de profissionais entendeu e teve paciência com o processo, pois isso é o que eles fazem no dia a dia. Talvez um único problema que tivemos foram os momentos de fortes chuvas, mas todos os equipamentos se mostraram resistentes a isso. Ou seja, lá foram reproduzidas todas as condições que os sistemas podem encontrar no dia a dia.
Suas conclusões finais (sua percepção deste primeiro evento, suas ramificações para o futuro do áudio e a sua percepção do retorno para as empresas que demonstraram os lines).
Para nós foi um sucesso! Cansativo, mas compensador. Um dos exibidores citou que felizmente agora a AES deixou de ser “muda”, já que na área da feira é impossível permitir que demonstrações sejam feitas. Todos os expositores se mostraram satisfeitos. Palestrantes internacionais ficaram impressionados com as soluções por nós encontradas para a mostra e fotografaram tudo. As estruturas e todas as montagens suportaram adequadamente dois dias de chuvas torrenciais certificando a qualidade e confiabilidade da mostra e os processos envolvidos. Em uma rápida análise tivemos muito mais elogios que críticas. E as críticas foram sempre muito construtivas, objetivas. Entendemos que foi dado um passo definitivo em direção à profissionalização total desse tipo de serviço, em que o “achismo” e adivinhação não têm mais espaço. O cliente necessita de parâmetros para resolver suas contratações.
Sonofletores, amplificadores, computadores, programas, processadores, recursos humanos, todos reunidos para trazer ao público expectador, neste caso, profissionais, o que se tem de melhor dentro dessa indústria. Quanto ao futuro, esse a Deus pertence e também aos homens de visão. Sabemos que foi aberta uma oportunidade clara para os fornecedores mostrarem seus sistemas em um ambiente profissional, saudável e ético. Para o próximo ano, já estamos preparando o projeto, reforçando nossos acertos, aparando as arestas da primeira experiência, inclusive, atendendo a solicitações daqueles que visitaram a demonstração quanto aos gêneros musicais a serem utilizados, privilegiando músicas brasileiras, que são o dia a dia das empresas de sonorização. Temos convicção de que em 2010 tudo será melhor ainda, e que se algum fabricante tinha dúvidas sobre o resultado que a demonstração teria, isso não existe mais.
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| Live Sound Demo Space |
PERCEPÇÕES DAS EMPRESAS EXIBIDORAS
Logo após a realização do evento, solicitei às seis empresas uma pequena consideração sobre os resultados das suas demonstrações.
“Eu achei válida a demonstração dos P. As na arena. Houve alguns desajustes na demo geral porque algumas empresas não respeitaram as regras, mas eu considero isso um detalhe por ter sido a primeira vez. Para nós foi importante porque mostramos aos nossos clientes que trocando o driver do aero 48 pelo driver do aero 50 eles teriam um sistema com melhor qualidade.
Como o aero 50 é um equipamento de grande porte não temos uma grande quantidade de usuários novos, é nossa política sempre cuidar melhor das empresas que já possuíam o sistema.
Também tivemos o contato de algumas empresas que trabalham com outras marcas, mas do nosso trabalho ao longo destes últimos quatro anos, tornando-se potenciais novos clientes”.
Guillermo Distefano – Decomac do Brasil / DAS
“A AES Brasil 2009 foi uma porta para colocarmos nossa cara, muitos contatos surgiram, muitos amigos e clientes reencontrados, nosso line demonstrou ser funcional, agradou alguns clientes, claro agradar a todos seria impossível. Demonstrou alguns pontos que precisam ser melhorados e isso sempre, sem o comparativo estabelecido pela AES, não teríamos esses detalhes. Conseguimos impressionar nossos clientes com grande pressão sonora, que é o objetivo daqueles que fazem grandes shows, feiras, rodeios, vaquejadas e afins, é um sistema para o público brasileiro. As demonstrações, a proposta da AES foi ideal para não deixar a feira “muda”, foi profissional, bem elaborada e como tudo, a organização aprendeu com alguns erros, normal de quem coloca um projeto novo na rua, coisas de quem sabe que pode e faz acontecer.
A procura pelo line, Firewire vem aumentando depois da AES, as propostas de venda, as situações de interesse em projetos também. Procuramos atender os clientes da forma mais profissional possível, sempre dentro das nossas expectativas e logística, sem deixar cliente esperando o material. Inclusive o material exposto na AES já está fazendo festas de São João em Fortaleza, sinal que nosso projeto deu certo”.
Léo Chain – Firewire
“A minha opinião é que tudo que venha para educar é válido e este é o princípio básico da AES: Divulgar informações, vender acaba sendo uma consequência do cliente bem informado e que tem repertório, ou seja, sabe diferenciar os produtos. Sempre fomos confiantes e acreditamos que o futuro reserva o melhor, penso que tecnicamente temos vários produtos produzidos no Brasil de nível internacional e é importante que haja concorrência leal e que o cliente exija nota fiscal no valor integral da compra, só assim podemos seguir em frente. Devemos ter um Brasil legal e livre da pirataria e picaretas”.
Fábio Zacarias – FZ Áudio
“Achei de extrema importância para a Norton participar da AES Brasil, pois pela primeira vez conseguimos mostrar no estande a vasta linha de produtos que fabricamos não só para show, mas em todo tipo de sound reforcement. Conseguimos com isso alguns negócios e os mais importantes grandes contatos que são estratégicos regionalmente. Sobre a demonstração foi muito proveitosa embora tenha havido momentos em que se notava claramente a insatisfação de algum participante, para nós da Norton, a ideia era apresentar o sistema LS3 que é o menor sistema line source da empresa e que é fácil de montar e de tamanho reduzido e sonoridade excelente. Ainda em relação à demo acho que não vai haver mais AES sem essa nova implementação.
O resultado foi além das expectativas, os comentários dos expectadores presentes foram de surpresa e satisfação com o profissionalismo e organização das demos na AES. Gostaríamos de agradecer ao alto nível do evento, à equipe que organizou as demos e a todas as empresas participantes”.
Leonardo Garrido de Oliveira – Norton Brasil
“Com relação à demonstração, obtivemos uma desmistificação do modelo SLA2P, pois desde 2005 quando lançamos o modelo SLA1P, não havíamos feito uma demonstração específica ao público alvo (técnicos de som) do modelo. Sendo assim as vendas devem aumentar e deverão ocorrer de uma forma ou de outra, pois notamos que durante as apresentações o Line Selenium apresentou uma resposta bastante plana dos demais Lines e possibilitou uma melhora significativa na resposta de nosso produto, pois os mesmos eram os únicos modelos de quatro vias em apresentação, isto reforça a qualidade sonora apresentada”.
Frederico Feyh Schuch - Selenium Eletronica
FICHA TÉCNICA DO EVENTO:
Realização: AES Brasil - Presidente Joel Brito.
Projetos, engenharia e supervisão: FGL Audio Engenharia ( Framklim Garrido)
Produção Executiva e Operacional: JPA Eventos (José Anselmo “ Paulista”)
Apoio Técnico: Bruno Ribeiro (Banda Celebrare) e os alunos voluntários do IAV Klinger Teodoro de Lima e Leandro Rafael dos Santos, supervisionados pela monitora também do IAV, Talita Miyuki Kuroda. |
