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Jorge Pescara é artista-solo exclusivo da Jazz Station Records e contrabaixista com Ithamara Koorax. É autor do livro Dicionário Brasileiro de Contrabaixo Elétrico.
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Nesta edição temos o segundo capítulo que trata dos harmônicos. Dicas importantes são dadas aqui, portanto para aqueles que perderam a parte anterior desta técnica, aconselho obter a edição 175
DISPOSITIVOS TÉCNICOS COM HARMÔNICOS:
SLIDE (GLISSANDOS) COM HARMÔNICOS
O conceito do uso do slide nos harmônicos consiste em imediatamente após obter a sonoridade do harmônico desejado pressione a corda até que, a mesma encoste na escala do braço do instrumento. Deve-se pressionar exatamente no nodo, ou seja, no pequeno trecho da corda em que a vibração se inverte anulando o movimento. Lembre-se de que quanto mais alto o harmônico, mais nodos existem para que ele seja executado. Como visto anteriormente: segundo harmônico = dois nodos; terceiro harmônico = 3 nodos, etc. Feito isto, o harmônico deverá continuar soando mesmo com o dedo pressionando a corda. Logo após, deslize o dedo para o agudo ou para o grave fazendo com que a entonação do harmônico mude conforme a direção do movimento efetuado. Treine bastante, pois esta é uma técnica extremamente complexa para atingir resultados satisfatórios. A pressão do dedo não poderá ser excessiva, porém deve ser imediatamente após tocar o harmônico. O contrabaixo fretless (sem trastes) expressa melhor esta sonoridade de harmônicos com slide, mas mesmo um baixo com trastes, usado com parcimônia e a técnica correta, resulta em sonoridades bem interessantes.
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SLIDE INFINITO ASCENDENTE
Imediatamente após tocar o harmônico pressiona-se a corda até encostá-la na escala do instrumento, mantendo a sonoridade da nota, para então deslizar o dedo no sentido dos agudos sem preocupação de parar em nenhuma nota.
SLIDE INFINITO DESCENDENTE
Tecnicamente igual ao item anterior, porém o deslizar do dedo vai ao sentido contrário (para os graves).
BEND
Imediatamente após tocar o harmônico pressiona-se a corda até encostá-la na escala do instrumento, mantendo a sonoridade da nota, realizando uma torção da corda para cima.
BEND RELEASE
Idem ao item anterior, sendo que após o bend (torção da corda) relaxe a tensão para que a corda retorne com a nota original.
SLIDE SHAKE ASCENDENTE
Imediatamente após tocar o harmônico pressiona-se a corda até encostá-la na escala do instrumento, mantendo a sonoridade da nota. Efetua-se um slide (nos exemplos em 1 tom) até a nota de chegada. Ao atingi-la movimentar o dedo rápida e alternadamente para ambos os lados.
SLIDE SHAKE DESCENDENTE
Igual ao item anterior, mas no sentido descendente (em direção aos graves).
BEND VIBRATO
Imediatamente após tocar o harmônico pressiona-se a corda até encostá-la na escala do instrumento, mantendo a sonoridade da nota, efetuando um bend vibrando a corda para cima e para baixo.
HAMMERED-ON
Hammer descendente: após tocar o harmônico digitando com um dedo, digitar uma nota mais grave que o harmônico batendo no traste e na corda correspondente fazendo soar a nota daquele traste;
Hammer ascendente: após tocar o harmônico digitando com um dedo, digitar uma nota mais aguda que o harmônico batendo no traste e na corda correspondente fazendo soar a nota daquele traste.
HAMMER BEND
Idem ao item anterior, adicionando um bend ao final.
HAMMER BEND RELEASE
Tecnicamente idêntico ao item anterior, porém relaxando a tensão da corda retornando para a nota digitada com hammer.
HAMMER BEND VIBRATO
Igual ao anterior, mas ao invés de relaxar a tensão do bend, vibrar a corda para cima e para baixo rápida e alternadamente.
SLIDE BEND
Após o harmônico e o slide efetuar um bend, torcendo a corda.
REALIMENTAÇÃO E REFLEXÃO DE HARMÔNICOS
A sonoridade das cordas é produzida através de vibração. Uma vibração ou onda sonora altera o fluxo e o comportamento dos átomos do ar ao seu redor, e pelo movimento que estes átomos atingem, em sucessão a outras cordas próximas. Quanto mais próxima estiver uma corda de uma fonte sonora (outra corda em movimento, por exemplo) mais facilmente esta entrará em ressonância oscilando também, na mesma frequência. Concluímos, com isto, que as cordas vibram por simpatia ou reflexão oscilatória das frequências. A isto chamamos de reflexão dos harmônicos por simpatia. Esta reflexão sonora pode ser alimentada através de uma frequência qualquer de outra fonte. Por exemplo: um sintetizador aciona uma nota por alguns segundos, enquanto o contrabaixo estiver ligado e ligeiramente próximo às caixas de som, como os monitores de retorno ou P.A.. Se o baixista não estiver com as mãos nas cordas para abafá-las, uma ou mais delas entrarão em ressonância e serão realimentadas por um aumento gradual na intensidade da frequência original (no caso do sintetizador). Isto leva o nome de realimentação de harmônicos. O princípio é o mesmo para a desagradável microfonia, em que o microfone capta uma frequência harmônica que é realimentada ao infinito se não for interrompida. Outra forma de realimentação parte de um instrumento de cordas que, quando voltado na direção do alto-falante entra em ressonância por realimentação das frequências. Estas são enviadas pelo instrumento, vão para o amplificador, para os falantes e são recebidas pelo captador novamente, criando um círculo incômodo. Ou ainda, em um instrumento acústico com captação, como no caso do baixolão (contrabaixo com formato de violão) que entra em ressonância das frequências graves por causa da abertura no tampo. Neste caso para cessar esta inconveniência é só tapar a abertura com fitas adesivas ou com a tampa plástica apropriada para este fim.
E-BOW
Pequeno apetrecho de plástico com um circuito eletrônico de realimentação (sustain infinito) alimentado por uma bateria de 9volts. Ao ser posicionado (ligado) próximo a alguma corda o E-Bow ativa a vibração sonora da mesma, que somente cessa ao ser afastado e/ou desligado. Como os harmônicos oscilam com facilidade, o uso do E-Bow produz harmônicos naturais através da própria realimentação do campo vibratório da corda. Um dispositivo em um modelo especial permite a obtenção de harmônicos artificiais. Com o domínio técnico do E-Bow conseguem-se diferentes nuances sonoras. Por enquanto poucos baixistas utilizam este aparelho, sendo que apenas Michael Manring usa o E-Bow constantemente.
e-mail para esta coluna
jorgepescara@backstage.com.br
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