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Luciano Freitas é profissional de áudio, fez curso de piano erudito, Full Mastering no Füller Studios (Miami). É técnico em áudio na Pro Studio Americana e foi professor de teclado no Conservatório Musical Joelson Vieira.
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Após muito trabalho, dedicação e economia, chega a hora em que conseguimos levantar os recursos financeiros que nos permitirão um novo investimento na direção de um pré-amplificador de maior valor financeiro. Mas quando o dinheiro é suficiente para comprar apenas um equipamento, como proceder na escolha tendo em vista os diversos fabricantes e modelos existentes no mercado? Valvulados, transistorizados
ou híbridos?
As razões que levam um pré-amplificador ser mais caro que outro talvez sejam as mesmas que fazem um automóvel custar mais que outro. Melhores peças, construção artesanal ou apenas lendas criadas no mundo contemporâneo?
A principal questão é se realmente o equipamento mais caro oferece melhor sonoridade.
Na maioria dos casos, a construção de um equipamento de boa qualidade necessita de peças selecionadas, que geralmente são mais caras, e mão de obra especializada, fatores que encarecem o produto.
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Alguns fabricantes acreditam que utilizando transformadores no estágio de entrada do sinal, este fica sujeito à adição de ruídos e deterioração. Porém, vemos que os principais fabricantes de pré-amplificadores valvulados utilizam transformadores neste estágio. Equipamentos valvulados podem ser construídos sem transformadores. Já construir um pré-amplificador de topologia solid state sem transformadores seria uma tarefa bem mais complicada. Alguns concluem que os melhores resultados são obtidos com transformadores, porém com transformadores de custo elevado, já que modelos de baixa qualidade geralmente colorem o sinal, introduzem deslocamento de fase em determinadas regiões de frequências, saturam em baixos níveis de sinal, arruinando o material sonoro.
Grande parte dos fabricantes desenvolve seus próprios transformadores, lembrando que esses dispositivos também são utilizados nas suas fontes de alimentação, sendo estas o coração de qualquer equipamento de áudio, responsáveis pelo desempenho de alta fidelidade no sistema (utilizar uma fonte de alimentação barata em um bom equipamento seria o mesmo que utilizar combustível adulterado em um carro de Fórmula 1. O carro continuaria andando mais rápido que qualquer carro 1.000, porém seu desempenho ficaria bem aquém do que poderia ser).
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Outro fator que está totalmente relacionado com o preço desses produtos é a tecnologia aplicada nas suas conexões. Alguns materiais são melhores condutores de sinais elétricos que outros, sendo o ouro o melhor material condutor conhecido. Bons pré-amplificadores utilizam conectores banhados a ouro e alguns utilizam esse metal em suas conexões internas (a prata também é utilizada por alguns fabricantes). É comum encontrarmos conexões ponto a ponto, as quais substituem o uso de placas com circuitos impressos, propiciando um fluxo mais direto do sinal e logicamente reduzindo as perdas. Porém esse processo precisa ser feito manualmente (placas de circuitos impressos podem ser feitas em máquinas), necessitando de maior tempo e reduzindo a quantidade de unidades produzidas.
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A qualidade das peças utilizadas provavelmente é o fator mais relevante na constituição do preço de um produto. Nunca devemos nos esquecer de que essas peças são escolhidas tendo em mente a sonoridade que elas nos entregam. Por exemplo, uma empresa pode escolher determinado modelo de determinado fabricante de válvulas para um de seus projetos, visto que o modelo escolhido oferece distorção em determinada faixa de frequências graves, classificada por muitos como “calor” sonoro (distorção de harmônicos pares, principalmente do 2º harmônico). No caso dos transistores (utilizados em equipamentos de topologia solid state), quando sobrecarregados produzem distorção de harmônicos ímpares, produzindo sonoridade estridente, sem musica-lidade, fato este ligado à maneira como esses componentes são utilizados. (Mesmo assim, duas entre as marcas mais renomadas no mercado, SSL e Neve, produzem equipamentos apenas de topologia solid state).
Também a qualidade dos componentes passivos como resistores, capacitores, indutores, conectores e elemento de solda ainda produzem efeito significativo sobre a qualidade sonora. Os capacitores talvez sejam entre esses componentes os que mais estão ligados com a transparência do sinal. Os capacitores eletrolíticos são pouco tolerantes às mudanças de temperaturas, têm alta taxa de absorção dielétrica (transmissão elétrica por indução), e tempo de vida útil geralmente curto. Já os capacitores de filme de polipropileno possuem taxas reduzidas de absorção dielétrica, até mesmo se comparados aos melhores capacitores eletrolíticos, que resultam em melhor reposta de transientes, enriquecendo a precisão espacial e o realismo nas baixas frequências.
Parece que as pessoas que realmente conhecem pré-amplificadores levam todos esses itens a sério e pagam o valor de um equipamento sabendo o que estão levando. Isso não quer dizer que apenas os equipamentos caros têm seu valor. Alguns modelos acessíveis permitem adicionar uma coloração diferente a nossa paleta sonora, em que alguns modelos chegam a oferecer desempenho surpreendente quanto a sua relação custo x benefício.
VALVULADOS, TRANSISTORIZADOS OU HIBRIDOS?
Primeiramente, é necessário lembrar que todos os elementos existentes no fluxo do áudio têm notável efeito sobre o material a ser gravado. O microfone, o cabo, a fonte de alimentação (nos microfones valvulados), o ruído da sala, a impedância de entrada do pré-amplificador, a umidade da sala, etc.….Por isso, antes de tomar qualquer decisão de compra é primordial ter ciência da qualidade de todos esses elementos.
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É seguro afirmar que tanto os pré-amplificadores valvulados quanto os solid state, quando devidamente projetados, possuem baixa distorção em toda sua amplitude de sinal. A diferença entre eles torna-se evidente quando o nível máximo de headroom (margem de segurança) é atingido.
A natureza da distorção é o quesito que faz com que esses equipamentos soem diferentes. Um pré-amplificador de topologia solid state opera fora do nível de headroom quando a voltagem de saída excede sua tensão de alimentação. Como anteriormente citado, o resultado ouvido é uma distorção grosseira, resultante da formação de uma onda quadrada (onda ceifada abruptamente com geração de harmônicos ímpares). Já um pré-amplificador valvulado quando saturado gera uma série de harmônicos em que há dominância do harmônico de segundo grau, o mesmo que muitos instrumentos musicais geram naturalmente. Por definição, essa particularidade faz com que os pré-amplificadores valvulados soem mais naturais, adicionando um componente musical ao som a ser gravado (naturalmente você pode fazer a escolha de operar em níveis moderados e manter um bom nível de transparência no sinal, ou adicionar um pouco de saturação, colorindo o áudio musicalmente com harmônicos que não existiam no sinal original). Mesmo quando um pré-amplificador valvulado não está induzido a gerar saturação, seu modo de operação sempre gera naturalmente uma pequena quantidade de distorção harmônica. Ainda é importante lembrar que alguns tipos de válvulas, principalmente as do tipo triodo, também apresentam uma forma de filtro de passagem de baixas frequências atribuída ao chamado “Efeito Miler”, efeito que atua na mudança de capacitância entre os terminais de entrada e saída dos equipamentos. Estes fatores fazem parte daquilo que é classificado como “calor musical”, ou seja, da sonoridade que agrada os ouvidos dos músicos, profissionais do áudio e do público em geral. Já os equipamentos de topologia solid state possuem relativamente baixa distorção harmônica quando comparados aos valvulados, e também são mais imunes aos efeitos de filtragem nas baixas frequências, oferecendo uma forma de captação mais precisa, porém, é classificada por alguns como sendo uma sonoridade “pobre” ou “magra”.
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Também não podemos nos esquecer dos equipamentos com pré-qualificação híbrida, em que o fabricante opta pela combinação de diferentes estágios de pré-qualificação com válvulas e transistores, fazendo uso do melhor de cada uma dessas topologias e gerando uma sonoridade totalmente nova.
Podemos então concluir que gostamos dessa coloração que as válvulas nos oferecem até certo ponto, mesmo nas situações mais críticas de gravação. Atualmente, alguns dos principais fabricantes de equipamentos solid state adicionam em seus produtos dispositivos que recriam esse tipo de distorção gerada pelas válvulas, permitindo que a escolha realmente seja realizada pelo ouvido do profissional do áudio, optando pela sonoridade que mais lhe agrada.
Veja alguns dos principais fabricantes de pré-amplificadores: |
Solid State:
Neve (AMS Neve e Rupert Neve designs)
Solid State Logic (SSL)
George Massenburg Labs (GML)
Focusrite
Automated Processes Inc. (API) Valvulados: Manley
Avalon
Universal Audio
Tubetech
Drawmer Híbridos: Millenia (TD-1)
Universal Audio (710 Twin Finity)
Blue (Robbie)
Summit (2BA-221)
Presonus (Blue Tube Dual Patch)
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