CYBER CENSURA
Alguns parlamentares conservadores brasileiros continuam tentando criar regras para algo impossível de se regrar, a internet. Por sua natureza tecnológica e conceito de universalidade, a rede mundial de computadores sobrevive até na China, Coreia do Norte e Irã, países que sabidamente têm governos reacionários e totalitários. A última tentativa vem de um obscuro bispo parlamentar brasileiro que na busca por holofotes tenta implantar aqui o que nunca funcionou em lugar nenhum do mundo. Ele quer cortar a internet de quem faz download de material protegido por copyright. Desinformação à parte, isso é algo tão complicado quanto saber quantas passagens aéreas ou empregos privilegiados os nossos gloriosos habitantes das duas casas legislativas federais deram para seus familiares ou amantes.
MAIS UMA
Volta e meia uso esse espaço para tentar chamar a atenção da “mídia popular” no sentido de lançar qualidade ou dedicar um olhar mais atento ao que acontece de bom na nossa música pelos quatro cantos do país. Os pseudo muderninhos que insistem em enxergar apenas o que acontece nos botecos do Rio e São Paulo ou nos releases das ex-poderosas gravadoras deveriam levar seu trabalho mais a sério e perceber que o Brasil é bem maior do que esse curral cultural monocórdio e visivelmente decadente. Em Curitiba, a cantora Rogéria Holtz mostra há décadas um talento digno de aplausos e admiração de quem por lá passa e conhece seu trabalho. Seu currículo inclui grandes nomes da MPB que com ela já dividiram o palco na capital paranaense. E de todos arranca elogios e reconhecimento. Mas o Brasil a desconhece. Pelo jeito seguirá o mesmo caminho da genial Ithamara Koorax que nos últimos anos é aclamada como uma das quatro melhores cantoras de jazz do mundo e só mora aqui por amor ao Rio de Janeiro. O Brasil também mal a conhece. Enquanto isso a “crítica” dedica generosos espaços a Kelly Key e a traseiros de frutas dançantes. E depois ainda querem cobrar política cultural dos governos. No meu tempo bunda não era cultura, era só sacanagem.
Gustavo Victorino
MICHAEL JACKSON
Tudo já foi dito ou escrito com a morte do astro pop. Sua vida foi revisitada, suas esquisitices e taras perdoadas, até sua herança virou motivo de discussão em bar. Assim como milhões de pessoas ao redor do mundo, eu também gosto da música de Michael. O clássico Beat It é a minha preferida por conta do solo antológico de guitarra do Eddie Van Halen. É inegável que ao longo de sua carreira o astro fez muita coisa boa tanto na música quanto na dança. Tal como Elvis e Sinatra, ficará no imaginário da música como um ídolo eterno de muitos.
DESEMPREGADA
A guitarrista australiana Orianthi perdeu bem mais do que um ídolo com a morte de Michael Jackson. Perdeu o emprego. A menina prodígio estava escalada como a primeira guitarra da nova banda do astro. Ela faria todos os shows previstos para a tournée e ainda colocaria as guitarras do novo disco. Perdeu, por baixo, meio milhão de dólares. Deve estar chorando muito...
ZONA FRANCA PARA QUEM?
O lobby político da Zona Franca de Manaus continua impedindo a aprovação da PEC da Música no Congresso Nacional. Mesmo com a unanimidade da opinião pública, da classe artística e do executivo federal, alguns parlamentares com negócios naquela região insistem em virar as costas para a nação e defender os seus próprios interesses. A PEC da Música reduzirá em até um terço os preços dos CDs e DVDs musicais no país por conta de sua equiparação ao livro como obra cultural e consequente redução de impostos. Hoje a turminha de Manaus tem isso com exclusividade. Tá mais do que na hora de criar uma CPI para investigar aquilo lá.
BIG MAC
Os dois shows de Paul McCartney em New York tiveram recorde absoluto de vendas. O primeiro espetáculo vendeu todos os ingressos on-line em apenas 52 minutos. O segundo show só se esgotou depois de sete horas. Isso dois meses antes dos espetáculos.
MICO
A Microsoft não assume, mas o Windows Vista virou mico. O programa é pesado, cansativo pelo excesso de penduricalhos inúteis e ainda por cima tem um sistema de segurança que funciona, logo, elimina o que de mais forte tem o sistema operacional da empresa. A capacidade de disseminação, legal ou não, sempre funcionou como a principal arma da Microsoft para “varrer” a concorrência. O Windows virou referência como sistema operacional no planeta exatamente por conta disso. Ao lado do discurso contra a pirataria, a empresa sempre aceitou veladamente a propagação do seu produto para usuários domésticos porque eles conduziram o Windows ao patamar de sistema padrão. Agora anuncia o Windows Seven, e com o mesmo sistema de segurança. O Linux agradece...
TECNOLOGIA
Essa história de manter os teclados profissionais sempre um passo atrás em tecnologia pode custar caro aos fabricantes. É fácil perceber que em quase todos os grandes shows a tendência é de tecladistas utilizarem laptops e poderosas placas de som externas como fonte geradora. Esses acessórios caíram de preço significativamente. Com isso, os músicos ganham agilidade, praticidade e passam a enxergar os teclados como meras pistas de toque, tal como em um computador. Os programas modernos que vocês encontram analisados mensalmente nas páginas da Backstage reproduzem instrumentos de todas as épocas com absoluta fidelidade e variedade. Até sistemas arranjadores já andam fazendo sucesso. Não bastasse isso, esse recurso é muito mais barato e independe de logística para cair na estrada. Qualquer teclado com entrada midi ou USB resolve a vida do músico. É hora de os fabricantes de teclados repensarem preços e tecnologia embarcada, ou vão se transformar em linha de montagem de controladores.
DECEPÇÃO
A dança de algumas marcas nacionais de áudio provocou a expectativa de melhoria geral nos produtos por conta do peso dos novos donos. Sem citar nomes, fico com a impressão de técnicos e usuários que insistem em uma decepção generalizada. Pouca coisa ou nada mudou em relação a preço e qualidade dos produtos relançados. A coisa ficou na maquiagem e no marketing agressivo. É pena... Como defensor ferrenho do produto nacional, insisto no fim do preconceito como primeiro passo para colocarmos a indústria brasileira de áudio no seu merecido lugar.
VORACIDADE
O ECAD decidiu partir para dentro de tudo e todos na cobrança de direitos autorais. Dezenas de ações judiciais estão cobrando de pessoas físicas e jurídicas os direitos sobre execuções de músicas em casamentos, aniversários, lojas, elevadores e tudo o que possa comportar áudio de entretenimento. Como as emissoras de rádio e televisão pagam do jeito que querem, quando pagam, o ECAD decidiu fazer grana em outras fontes. Os fiscais do órgão andam soltos por todo o país em busca de novas fontes de renda para a instituição. E em alguns casos, abusando...
O FIM DOS E-MAILS
Tenho recebido mensagens reclamando do fim dos e-mails nessa coluna e justifico por conta do volume muito acima da capacidade de publicação desse espaço. Não acho justo ficar “selecionando” e-mails de forma a configurar uma injustiça para com os leitores.
A todos, continuo respondendo pessoalmente e reitero meu agradecimento pelo privilégio de sua leitura. Algumas questões contidas nos e-mails ou mesmo ideias aproveitadas, por respeito aos leitores e autores, serão devidamente creditadas quando de sua publicação. Espero sua compreensão.