


anos de vida se consolidou como uma das mais expressivas bandas de pop jazz da virada do século. O Spyro Gyra lançou seu primeiro trabalho em 1976 pela gravadora Amherst. O disco se tornou um sucesso e a Amherst vendeu os direitos para a Infinity Records, uma divisão da MCA. Morning Dance, o seu primeiro álbum gravado pela Infinity, foi lançado em 1979 e se tornou um hit, dando ao grupo o Disco de Platina. Para comemorar a presença em Rio das Ostras, a banda tocou a música-título na abertura da sua apresentação como forma de homenagear e agradecer o público. Justificando a fama de sinônimo de sucesso comercial na música instrumental, o show foi marcado pelas músicas que frequentaram as paradas de sucesso ao longo de décadas. Com 26 discos e milhares de fãs por todo o mundo, inclusive no Brasil, o Spyro Gyra não teve dificuldades para conquistar o público e voltar para o inevitável bis. O grupo é formado por Scott Ambush no baixo, Jay Beckenstein no sax, Julio Fernandez na guitarra, Tom Schuman no piano e Bonny Bee na bateria. Como destaque, os solos de Jay tocando dois saxofones ao mesmo tempo (alto e soprano) com notas diferentes na frase e o inacreditável solo de bateria de Bonny no final do espetáculo.
anos 60. Já foi chamado de Robert Johnson branco, mas o setentão de cabelos grisalhos não se deixa levar por elogios e mantém um estilo low profile e educado com todos. Foi o campeão de entrevistas e só perdeu em assédio para o Guitarrista Coco Montoya. Hammond fez um show clássico combinando a guitarra, violão e gaita com vocais expressivos e letras ácidas. Com quatro indicações e vencedor do Grammy Award, o artista falou pouco no palco e preferiu relembrar sua trajetória através da música. O slide sobre o violão doblô foi sua combinação preferida e deu ao público a sensação de que em alguns momentos Louisiana e Chicago se misturaram ao Alabama e ao Kentuky. O espetáculo teve ainda canções dos seus três últimos CDs lançados depois da virada do século pelo selo Back Porch (Ready for Love de 2002, In Your Arms Again de 2005 e Push Comes to Shove de 2007). O John Harmmond Quartet teve ainda Marty Ballou no baixo, Neil Gouvin na bateria e Bruce Katz nos teclados.
introvertido e recluso tornando-se mais uma “vítima” do inacreditável público do festival. Montoya começou a carreira musical como baterista de Albert Collins e por influência dele se apaixonou pela guitarra. O canhoto Coco Montoya decidiu então mudar de instrumento e tornou-se um dos principais guitarristas de blues da atualidade. Ainda no começo dos anos 80, durante uma apresentação em um bar, o músico despertou a atenção do pai do blues britânico, John Mayall (presente no Rio das Ostras Jazz & Blues de 2008), que o chamou para ser o guitarrista de sua banda, os Bluesbreakers, lugar antes já ocupado por Eric Clapton e Peter Green. Ficou na banda até o início dos anos 90 e partiu para a carreira solo em 1993 com o álbum Gotta Mind to Travel, pela Blind Pig Records. Pela mesma gravadora lançou Ya Think I’d Know Better e Just Leg Go. Acompanhado por Brant Leeper nos teclados, Nathan Brown no baixo e Randy Hayes na bateria, Montoya desfilou seus temas com maestria e uma surpreendente empolgação. Também ótimo cantor, o músico soube tirar proveito de sua voz rouca e bluseira. No show da Tartaruga precisou voltar ao palco duas vezes e no final do espetáculo não conseguiu esconder os olhos marejados pela emoção.
musical experimentalista dos últimos anos. A banda é a grande sensação da cena alternativa de Nova Iorque e trouxe para Rio das Ostras um mosaico de sonoridades e uma nova proposta para o jazz. Conduzido com maestria pela pulsação firme e contagiante do excelente baixista Tim Lefebvre, a banda faz som que cruza fronteiras entre estilos e sonoridades. O sax de Chris Cheek cria um universo novo e propõe um outro mundo para o instrumento, que acoplado a pedais de guitarra, ganha uma amplitude e beleza sonora diferenciados. Henry Hey pilota os teclados e indica a densidade exata no momento certo. Substituindo o baterista titular da banda (Keith Carlock), Shawn Pelton mostrou porque é o titular de um dos mais populares programas televisivos americanos, o Saturday Night Live. Composto por músicos virtuosos, o Rudder é unanimidade por onde passa e em Rio das Ostras não foi diferente. Para puristas ou progressistas, a banda virou sinônimo de groove contagiante e competência. Podem anotar, para a Rudder conquistar o mundo será apenas uma questão de tempo.
uma figura respeitada na cena novaiorquina desde os anos 80. Exímio programador e tecladista, ele trabalhou com o próprio Miles Davis, além de Luther Vandross, Marcus Miller, Whitney Houston, Chaka Khan, Diana Ross, Aretha Franklin, David Sanborn e Michael Jackson. Depois de dois CDs solos, World Tour (1994) e Mr. X (1995), Jason decidiu investir na produção de obras consolidadas e no selo Telarc Jazz, no fim dos anos 90, estourou com o disco homenagem The Music of Weather Report, um tributo ao inovador e influente grupo de fusion dos anos 70. Em 2001, Miles ganhou o Grammy por A Love Affair: The Music of Ivan Lins. Com Marcus Miller, Jason Miles fez o CD Miles to Miles: In the Spirit of Miles Davis. Esse CD virou show e foi apresentado no Rio das Ostras Jazz & Blues desse ano. Jason Miles (teclados), Jerry Brooks (baixo), Michael Stewart (trompete), Brian Dunne (bateria) e a participação do DJ Logic criaram um show com momentos comoventes na releitura de uma obra imortal. Jason Milles arriscou e ganhou o público e a crítica. Para os puristas um sonho, para os progressistas uma deliciosa novidade.
semelhanças entre a música negra norte-americana e a do nordeste brasileiro. A união do blues e do jazz ao forró, baião, xaxado, maracatu e o xote deu origem ao seu primeiro disco-solo, Gréia, gravado em 2004. A mistura foi recebida com surpresa e aplausos pelos críticos. Seu último CD, Ar Puro, lançado em 2008 pela Blues Time Records, consolidou essa pesquisa de ritmos e melodias nordestinas. No Rio das Ostras Jazz & Blues Jefferson fez um show correto e intenso, em que sua obra foi mostrada de forma direta. O espetáculo contagiou o público que ganhou até uma canção de Bob Dylan devidamente adaptada ao trabalho do artista. Acompanhado por uma banda competente e com exímios instrumentistas - Kléber Dias (voz, guitarra, dobro, violão de 12 cordas e bandolim), Sérgio Velasco (guitarra, marimba, dobro, violão de 6 cordas, lap steel e vocal), Fábio Mesquita (baixo), Anderson Moraes (bateria e percussão) e Marco B.Z. (bateria e percussão) – Jefferson fez um dos melhores shows de sua carreira. No final do espetáculo chamou ao palco o pequeno Pipoca, um menino cearense de apenas 13 anos que comoveu a todos com a sua surpreendente habilidade com o contrabaixo. Ao final da apresentação o inevitável bis só não se prolongou porque a dinâmica do evento não permite atrasos significativos. Pelo público, Jefferson ficaria muito mais tempo no placo.
grandes centros jazzísticos do planeta. A coisa consiste em reler clássicos do pop rock em formato piano-bateria-contrabaixo. A ideia é interpretar essas músicas com arranjos sofisticados, colocando o conhecimento musical e a técnica apurada a serviço de um jazz rock moderno e irreverente. O trio norte-americano The Bad Plus ficou conhecido por fazer versões inacreditáveis para músicas de bandas como Nirvana, Blondie e Aphex Twin. O grupo se apresentou em Rio das Ostras de forma surpreendente para quem não conhecia o seu trabalho e mostrou arranjos elaborados e enriquecidos por dissonâncias complexas que geraram um som energético, ousado e polêmico. Ao lado de nomes como Medeski e Martin & Wood, The Bad Plus é um dos principais grupos do movimento Jam Band. Entre seus trabalhos, Prog (2007) recria Tears For Fears, Burt Bacharach, David Bowie e Rush em leituras complexas. O disco foi apontado pela Billboard como o melhor álbum de jazz de 2007. Em seu último trabalho - For All I Care – a banda incorpora pela primeira vez o vocal da cantora Wendy Lewis. The Bad Plus é formada por Reid Anderson (baixo), David King (bateria) Ethan Iverson (piano) e Wendy Lewis (vocal). De forma suave, o grupo conquistou o público lentamente e ao encerrar seu show com U2 e Pink Floyd, a ovação e os calorosos pedidos de bis foram inevitáveis.
o trabalho gravado o vivo no Bourbon Street,de São Paulo. O trabalho é marcado pela irreverência e bom humor, com músicas autorais e versões para as músicas “Americano” (Brasileiro) e “Just a Gigolo” (Gigolô), além de releituras para sucessos de Ray Charles, Chuck Berry e clássicos do blues. Formada por Lilian Nakahodo (teclado), Zorba Mestre (vocal), Fabiano Cordoni (baixo), Andre Ricciardi (bateria), Ronnie Panzone (guitarra), Jaquerson Bueno (trompete), Oscar Costa e Silva (trompete), Luiz Jiraya (trombone), Raule Alves (trombone), Jeronimo Bello (sax barítono), Marcio Rangel (sax tenor) e Everson Martins (sax alto), a banda cumpriu o que se esperava dela, ou seja, colocou todos para dançar. Durante a sua apresentação a Cidade do Jazz virou um gigantesco baile ao ar livre com a alegria contagiante tomando conta até de quem estava lá apenas para trabalhar. O pequeno Pipoca também fez uma participação especial e voltou a impressionar pela habilidade como instrumentista. Arrancou gritos de entusiasmo da plateia e do megaguitarrista Coco Montoya que assistia a tudo no backstage.
ARI BORGER
PAU BRASIL
ORQUESTRA KUARUP
Rever a Orquestra Kuarup é sempre uma alegria e mostra o quanto a música pode fazer no processo de aculturamento de um povo. Criada em Rio das Ostras, a orquestra é um projeto da Fundação Rio das Ostras de Cultura. Conduzida pelo maestro Nando Carneiro, a Kuarup é formada por 25 músicos, alunos do Centro de Formação Artística da Fundação Rio das Ostras de Cultura. A Orquestra Kuarup Cordas & Sopros foi uma das primeiras manifestações artísticas da cidade e começou ensaiando em praça pública, com instrumentos doados pela comunidade. O nome Kuarup vem de um ritual indígena de origem tupi-guarani no qual os mais velhos da tribo reuniam seus jovens e passavam a eles as tradições do seu povo para que se perpetuassem através das novas gerações. Com dois CDs gravados, a orquestra tem em sua trajetória apresentações na Alemanha e em algumas das principais salas do Rio de Janeiro. De forma suave e intensa, a Kuarup tem sempre na correção e no bom gosto os pontos fortes de suas apresentações. E em 2009 não foi diferente. Vida longa ao projeto que cria a cada ano novos talentos musicais para o nosso país.

Backstage: Sobre o Festival de Rio das Ostras, como tudo começou e quais foram as dificuldades iniciais?
Stenio Mattos: O Festival começou com um projeto de música instrumental - o Rio das Ostras Instrumental - e era apresentado somente na praia de Costazul nos dois primeiros sábados de cada mês, em um palco na beira da praia. Na época fizemos mais de 100 shows com quase todos os nomes da música instrumental brasileira, como: Wagner Tiso, Mauro Senise, Azimuty, Toninho Horta, Cama de Gato, Paulo Moura, Vitor Biglione, etc. Depois de três anos pensamos em fazer um festival de jazz e blues. Começou na mesma praia com um público de 3000 pessoas. Os camarins eram em um trailer e o piso era a própria areia da praia, o palco era a metade do de hoje. Os festivais ocorriam em janeiro, no alto verão, para não termos problemas de público e porque o prefeito, na época, falou para o secretário de turismo e para mim que seríamos demitidos se não desse certo. Fizemos de tudo para não chover, inclusive rezar para Nossa Senhora da Conceição.
Backstage: E na atualidade, quais são as dificuldades?
Stenio Mattos: Continuam muitas, mas considero que a maior dificuldade está sendo a de manter a qualidade do festival e continuar mostrando a importância deste evento para a cidade. Já atingimos um nível de importância muito grande em tão pouco tempo, mas a cada ano a cidade vai se dando conta desta importância e vendo que realmente este é um projeto sério e para toda a vida.
Backstage: Neste festival de grande diversidade, como é o relacionamento dos artistas brasileiros com os estrangeiros e vice-versa?
Stenio Mattos: O melhor possível. Como eles ficam no mesmo hotel, um lindo Resot à beira da praia, acaba acontecendo uma troca de informações completa e até informal. É maravilhoso ver a interação entre eles e a curiosidade de se conhecerem. Os estrangeiros assistem aos shows dos brasileiros, curtem, dançam e ficam impressionados com a nossa musicalidade. E a recíproca é verdadeira.
Backstage: Como é conciliar os interesses e manias dos diversos artistas juntos?
Stenio Mattos: Neste festival, na verdade, não temos muito este problema. Os músicos vêm com o espírito aberto, sabendo que vão tocar para 20.000 pessoas ao ar livre, em um projeto cultural, sem cobrança de ingressos e com um visual daqueles! Eles até mudam o repertório, que em muitas vezes é feito exclusivamente para clubes e teatros que comportam cerca de 500 pessoas. Eles ficam malucos e super excitados em poder tocar para este público gigantesco e educado. Acredito que neste clima, não haja tempo para frescuras.
Backstage: Que pontos fortes têm o festival, e quais ainda são complicados de administrar?
Stenio Mattos: A satisfação que tenho em fazer é tão grande que supera os eventuais pontos complicados. Participar e produzir um evento desta magnitude, que envolve uma cidade inteira, que hoje em dia espera ansiosa pela sua chegada, ajudando, dando incentivo, participando de forma ordeira e entusiasmada, supera qualquer eventual problema. É muita emoção que supera todo o estresse e todos os aborrecimentos.
A meu ver o Festival de Rio das Ostras se consolidou definitivamente no calendário da cidade de Rio das Ostras e da cidade do Rio de Janeiro, e neste ano superou todas as expectativas financeiras (pousadas, restaurantes e o comércio em geral ficaram 100% satisfeitos). Conheço a maioria deles que no último dia foi nos parabenizar, dizendo que nunca qualquer evento da cidade tinha dado tanto retorno. Outro ponto que confirmou esta consolidação foi que pela primeira vez tivemos chuva e como nunca havíamos enfrentado este problema, havia dúvidas de como o público iria comparecer e se comportar, se a parte técnica seria afetada, e os músicos ficariam à vontade? Para a nossa felicidade, o público não arredou o pé, mesmo quando choveu torrencialmente, causando espanto aos músicos internacionais; o Jason Miles falou que nunca tinha visto coisa igual e disse que o espírito de Miles Davis baixou e ele é quem vai comentar isto nos EUA. Não houve nenhum problema técnico e os músicos ficaram extasiados, este fato foi realmente a confirmação da consolidação deste festival. E o último ponto que achei importante foi ter conseguido realizá-lo apesar da crise, mostrando que quando as coisas são feitas com amor, honestidade, vontade e garra, elas acontecem.
Backstage: Como foi, em sua opinião, o crescimento do evento?
Stenio Mattos: Foi mais rápido do que esperávamos, mas como já disse, quando um projeto conta com o apoio de todos e nisto incluo a imprensa, que sempre nos apoiou e é de fundamental importância, da população da cidade, do poder público e da garra das pessoas envolvidas, que dão o sangue para este festival acontecer, acho que não poderia ser de outra forma e o crescimento é inevitável. Especialmente na versão deste ano em que o momento de maior tesão foi conseguir realizá-lo em plena crise mundial, com vários festivais deixando de ser realizados por falta de verba, e nós conseguirmos com um nível excepcional, espero que através da imprensa o público que não conhece saiba que contribuímos para que a cidade de Rio das Ostras e o Estado do Rio de janeiro continuem se orgulhando muito da sua música e da capacidade de realização do seu povo.
Backstage: Quais foram as suas funções e responsabilidades no evento deste ano?Backstage: É muito difícil conciliar os interesses e manias dos diversos artistas juntos no mesmo palco?
Manfra: Em relação às manias, tentamos que não entrem em nosso espaço ou influenciem os shows. Já os interesses têm de ser administrados, principalmente em relação a registros de vídeo e fotos durante os shows, pois temos de garantir o trabalho da imprensa. A atitude certa e firme é fundamental em relação aos estrangeiros. Depois que o show vai bem e a plateia responde a eles, o trabalho sempre fica mais fácil. Os artistas de blues e jazz em geral têm mais os pés no chão em relação à fama e outros detalhes que assolam a vida dos astros pop, não há pedidos de centenas de toalhas nem comidas exóticas nos camarins.
Backstage: Quais são os pontos complicados de administrar?
Manfra: Alguns managers e técnicos querem mostrar trabalho para o seu artista nas horas erradas e quando o melhor é tentar resolver o problema. Tudo é visto e checado antes e eu não gosto de deixar nenhuma “bola dividida” para a passagem de som ou para o show. Preparamos todos os artistas para que eles saibam exatamente o que vão encontrar por aqui. Há alguns anos o que mais acontece é receber elogios para toda a equipe quando nos despedimos de cada um após os shows. Sabemos que isso não é da boca para fora, pois eles acabam falando para outros artistas e que depois chegam aqui e nos contam que isso pesou na decisão deles de vir fazer o festival.
Backstage: Especialmente na versão deste ano, qual foi o momento que te deu mais prazer e qual foi o mais frustrante?
Manfra: Sempre que autorizo o começo de um show e desejo boa sorte aos artistas, passo por um momento de satisfação imensa, pois lembro das dificuldades enfrentadas ou de como começou a contratação daquele artista em especial. Mas já que é para escolher, destaco a quantidade de público que assistiu no palco da Tartaruga ao show do Coco Montoya. Broxante com certeza foi a chuva que caiu durante os shows, que são ao ar livre, apesar do público ter ficado e comparecido com suas sombrinhas e feito a festa da mesma maneira, foi um momento complicado para a parte técnica.
Backstage: Como os artistas e bandas poderiam colaborar com o seu trabalho e melhorar o resultado final?
Manfra: Tentar ao máximo antecipar qualquer problema para não deixar que ele aconteça é fundamental em uma produção desse porte. Acho que os artistas deveriam tomar mais cuidados com seus riders e pedidos de backline, que sejam mais objetivos e diretos ao ponto quando participarem de eventos como festivais, que são diferentes de seus próprios shows. Quando não se pede direito o que quer, não tem como se exigir o que precisa de fato.

“No começo de 2000 fui apresentado ao Stenio (produtor do festival) pelo Herbert Lucas, com o qual já trabalhava com alguns artistas que ele empresariava. Stenio me falou do Rio das Ostras Jazz & Blues e que ele precisaria do meu trabalho na pré-produção, execução e direção técnica do festival; e a montagem estrutural, sistema de áudio e imagem ficou sob a responsabilidade da Sinal Audiotec, empresa que nos acompanha desde a primeira edição do festival.

Ao longo dos anos fomos formatando e definindo as situações ideais do festival, pois se trata de um festival que sofre com todas as influências e intempéries de um festival realizado em três palcos totalmente distintos, e além do mais ao ar livre e em horários alternados. Hoje, acredito que encontramos um bom termo para resolvermos as situações de logística interna e externa de backline e dos artistas. Entre as dificuldades que envolvem um festival deste porte, o custo financeiro é o principal e tem de ser ponderado para não sacrificar a qualidade e consequentemente o resultado final (a permorfance dos artistas).
O meu trabalho, neste festival, começa no mínimo seis ou sete meses antes, quando
começo a receber todos os riders e backline requerimentos dos artistas e bandas que virão. O nível artístico do festival é tão alto que não há qualquer diferença para realizar uma apresentação de um artista nacional ou internacional, além do que nunca houve diferença de tratamento ou atenção para quaisquer deles. Especificamente, nesta edição só tivemos que remanejar a nossa agenda em relação aos horários preestabelecidos com o Spyro Gyra, pois eles exigiram o tempo de 4 horas para o Sound Check, mas o maior trabalho e temor são sempre as trocas de palco, pois nesta situação sempre temos que rever todo o áudio, double check line etc.
A cada edição que passa fico cada vez mais satisfeito e orgulhoso de fazer parte e contribuir para este evento, pois não é qualquer festival que consta da relação dos maiores festivais do mundo segundo a revista Down Beat. Isto mostra que o festival está alcançando o seu objetivo, que é simplesmente mostrar a boa música de uma praia em todas as praias. Para mim, a grata novidade foi a banda The Rudder que me impressionou pela força nos graves sem sujar e as dinâmicas mesmo nos momentos dos metais. Eles me disseram para não ter receio com o que eu sentir no PA. Foi com prazer que fiz o PA para eles”.


A história do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival foi mais forte que o pessimismo, e confirmou o acerto dos produtores e patrocinadores do evento em manter intacta uma festa que marcou 2009 como o ano do reconhecimento internacional do festival que só fica atrás em importância e dimensão do de New Orleans. Na sua sétima edição, o elenco teve como destaque a diversidade e o experimentalismo. O festival aconteceu entre os dias 10 a 14 de junho no cinematográfico balneário localizado a 170 km do Rio de Janeiro. Os shows totalmente gratuitos foram realizados em três palcos: Praia da Tartaruga, Lagoa de Iriry e na Cidade do Jazz e do Blues, na praia de Costa Azul.
Sua marca registrada é a mistura de estilos e tendências musicais, formando um painel do que há de mais importante no cenário do blues e do jazz no Brasil e no exterior. No ano passado, o festival reuniu somente na Cidade do Jazz e do Blues um público de mais de 60 mil pessoas durante os cinco dias de evento. Apesar do mau humor do tempo nos primeiros dois dias, a presença de público continuou crescendo em 2009.



NOTA DA REDAÇÃO:
Até o fechamento desta edição, as empresas de sonorização, iluminação e produtora de vídeo não informaram a relação dos equipamentos e sistemas usados no festival. O que pudemos ver foi o uso de mesas digitais da Yamaha (linha PM5D, LS9 e M7CL), line e caixas da FZ Áudio e amplificadores Machine e Lab gruppen.