Rio das Ostras
Jazz $ Blues
NO TOPO DO MUNDO
A Beleza dos Palcos

CIDADE DO JAZZ & BLUES NA PRAIA DA COSTA AZUL
A infraestrutura desse palco principal é uma verdadeira cidade. Tem praça de alimentação, lojas de CDs e DVDs, lojas de revistas e material impresso, lojas de camisetas e ainda telões que transmitem todos os shows ao vivo para os quatro cantos do complexo. E como no ano passado, houve uma visitação maciça na Casa do Jazz e do Blues, foi criado um espaço com exposição de fotos e biografias dos artistas mais importantes desses gêneros musicais, além da exibição de documentários e shows.


PRAIA DA TARTARUGA
Localizada em uma pequena enseada, situada entre as praias do Abricó e a Praia do Bosque, a Praia da Tartaruga abriga o palco mais charmoso do festival. Nesse local o público assiste aos shows com um espetacular pôr do sol como pano de fundo. O palco fica localizado sobre uma pedra que, literalmente, invade o mar. Músicos e público se emocionam de forma única nesse palco.


LAGOA DE IRIRY
No anfiteatro da Lagoa de Iriry o público fica muito próximo do artista em um local de beleza ímpar, circundado por uma lagoa e vegetação típica de restinga. Aqui os shows têm uma interação acentuada pela proximidade do artista com o público.

Os Shows
SPYRO GYRA
Criadores do fusion, a banda faz parte da história do jazz moderno. Fundado pelo saxofonista Jay Beckenstein, o grupo Spyro Gyra combina elementos da música pop e caribenha com o jazz. A banda surgiu em Buffalo, no estado de New York, em 1974 e em seus 30 anos de vida se consolidou como uma das mais expressivas bandas de pop jazz da virada do século. O Spyro Gyra lançou seu primeiro trabalho em 1976 pela gravadora Amherst. O disco se tornou um sucesso e a Amherst vendeu os direitos para a Infinity Records, uma divisão da MCA. Morning Dance, o seu primeiro álbum gravado pela Infinity, foi lançado em 1979 e se tornou um hit, dando ao grupo o Disco de Platina. Para comemorar a presença em Rio das Ostras, a banda tocou a música-título na abertura da sua apresentação como forma de homenagear e agradecer o público. Justificando a fama de sinônimo de sucesso comercial na música instrumental, o show foi marcado pelas músicas que frequentaram as paradas de sucesso ao longo de décadas. Com 26 discos e milhares de fãs por todo o mundo, inclusive no Brasil, o Spyro Gyra não teve dificuldades para conquistar o público e voltar para o inevitável bis. O grupo é formado por Scott Ambush no baixo, Jay Beckenstein no sax, Julio Fernandez na guitarra, Tom Schuman no piano e Bonny Bee na bateria. Como destaque, os solos de Jay tocando dois saxofones ao mesmo tempo (alto e soprano) com notas diferentes na frase e o inacreditável solo de bateria de Bonny no final do espetáculo.

JOHN HAMMOND QUARTET
Com mais de 40 anos de carreira, John Hammond é um ícone do blues branco e responsável pelo renascimento do gênero no final dos anos 60. Já foi chamado de Robert Johnson branco, mas o setentão de cabelos grisalhos não se deixa levar por elogios e mantém um estilo low profile e educado com todos. Foi o campeão de entrevistas e só perdeu em assédio para o Guitarrista Coco Montoya. Hammond fez um show clássico combinando a guitarra, violão e gaita com vocais expressivos e letras ácidas. Com quatro indicações e vencedor do Grammy Award, o artista falou pouco no palco e preferiu relembrar sua trajetória através da música. O slide sobre o violão doblô foi sua combinação preferida e deu ao público a sensação de que em alguns momentos Louisiana e Chicago se misturaram ao Alabama e ao Kentuky. O espetáculo teve ainda canções dos seus três últimos CDs lançados depois da virada do século pelo selo Back Porch (Ready for Love de 2002, In Your Arms Again de 2005 e Push Comes to Shove de 2007). O John Harmmond Quartet teve ainda Marty Ballou no baixo, Neil Gouvin na bateria e Bruce Katz nos teclados.

COCO MONTOYA
Escolhido como o melhor show da edição 2009 do Rio das Ostras Jazz & Blues, o mega guitarrista deixou de lado sua fama de introvertido e recluso tornando-se mais uma “vítima” do inacreditável público do festival. Montoya começou a carreira musical como baterista de Albert Collins e por influência dele se apaixonou pela guitarra. O canhoto Coco Montoya decidiu então mudar de instrumento e tornou-se um dos principais guitarristas de blues da atualidade. Ainda no começo dos anos 80, durante uma apresentação em um bar, o músico despertou a atenção do pai do blues britânico, John Mayall (presente no Rio das Ostras Jazz & Blues de 2008), que o chamou para ser o guitarrista de sua banda, os Bluesbreakers, lugar antes já ocupado por Eric Clapton e Peter Green. Ficou na banda até o início dos anos 90 e partiu para a carreira solo em 1993 com o álbum Gotta Mind to Travel, pela Blind Pig Records. Pela mesma gravadora lançou Ya Think I’d Know Better e Just Leg Go. Acompanhado por Brant Leeper nos teclados, Nathan Brown no baixo e Randy Hayes na bateria, Montoya desfilou seus temas com maestria e uma surpreendente empolgação. Também ótimo cantor, o músico soube tirar proveito de sua voz rouca e bluseira. No show da Tartaruga precisou voltar ao palco duas vezes e no final do espetáculo não conseguiu esconder os olhos marejados pela emoção.

RUDDER
É impossível ficar indiferente à banda Rudder. Progressiva e inovadora são adjetivos mínimos para qualificar a melhor novidade da cena musical experimentalista dos últimos anos. A banda é a grande sensação da cena alternativa de Nova Iorque e trouxe para Rio das Ostras um mosaico de sonoridades e uma nova proposta para o jazz. Conduzido com maestria pela pulsação firme e contagiante do excelente baixista Tim Lefebvre, a banda faz som que cruza fronteiras entre estilos e sonoridades. O sax de Chris Cheek cria um universo novo e propõe um outro mundo para o instrumento, que acoplado a pedais de guitarra, ganha uma amplitude e beleza sonora diferenciados. Henry Hey pilota os teclados e indica a densidade exata no momento certo. Substituindo o baterista titular da banda (Keith Carlock), Shawn Pelton mostrou porque é o titular de um dos mais populares programas televisivos americanos, o Saturday Night Live. Composto por músicos virtuosos, o Rudder é unanimidade por onde passa e em Rio das Ostras não foi diferente. Para puristas ou progressistas, a banda virou sinônimo de groove contagiante e competência. Podem anotar, para a Rudder conquistar o mundo será apenas uma questão de tempo.

JASON MILES – IN THE SPIRIT OF MILES DAVIS
Fazer um tributo a Miles Davis é complicado para qualquer jazzista que se disponha a correr riscos, afinal a obra do mestre exige cuidados especiais de execução que passam pela própria compreensão do universo do genial trompetista. O tecladista Jason Miles é uma figura respeitada na cena novaiorquina desde os anos 80. Exímio programador e tecladista, ele trabalhou com o próprio Miles Davis, além de Luther Vandross, Marcus Miller, Whitney Houston, Chaka Khan, Diana Ross, Aretha Franklin, David Sanborn e Michael Jackson. Depois de dois CDs solos, World Tour (1994) e Mr. X (1995), Jason decidiu investir na produção de obras consolidadas e no selo Telarc Jazz, no fim dos anos 90, estourou com o disco homenagem The Music of Weather Report, um tributo ao inovador e influente grupo de fusion dos anos 70. Em 2001, Miles ganhou o Grammy por A Love Affair: The Music of Ivan Lins. Com Marcus Miller, Jason Miles fez o CD Miles to Miles: In the Spirit of Miles Davis. Esse CD virou show e foi apresentado no Rio das Ostras Jazz & Blues desse ano. Jason Miles (teclados), Jerry Brooks (baixo), Michael Stewart (trompete), Brian Dunne (bateria) e a participação do DJ Logic criaram um show com momentos comoventes na releitura de uma obra imortal. Jason Milles arriscou e ganhou o público e a crítica. Para os puristas um sonho, para os progressistas uma deliciosa novidade.

JEFFERSON GONÇALVES BLUES BAND
O carioca Jefferson Gonçalves fez o melhor show nacional do evento. O virtuoso da gaita começou sua carreira na década de 90 tocando blues e foi um dos criadores da banda Baseado em Blues. Ao longo dos últimos anos, o artista se consolidou como um dos mais completos instrumentistas do país, inclusive com reconhecimento e carreira internacional. De forma inovadora, Jefferson identificou semelhanças entre a música negra norte-americana e a do nordeste brasileiro. A união do blues e do jazz ao forró, baião, xaxado, maracatu e o xote deu origem ao seu primeiro disco-solo, Gréia, gravado em 2004. A mistura foi recebida com surpresa e aplausos pelos críticos. Seu último CD, Ar Puro, lançado em 2008 pela Blues Time Records, consolidou essa pesquisa de ritmos e melodias nordestinas. No Rio das Ostras Jazz & Blues Jefferson fez um show correto e intenso, em que sua obra foi mostrada de forma direta. O espetáculo contagiou o público que ganhou até uma canção de Bob Dylan devidamente adaptada ao trabalho do artista. Acompanhado por uma banda competente e com exímios instrumentistas - Kléber Dias (voz, guitarra, dobro, violão de 12 cordas e bandolim), Sérgio Velasco (guitarra, marimba, dobro, violão de 6 cordas, lap steel e vocal), Fábio Mesquita (baixo), Anderson Moraes (bateria e percussão) e Marco B.Z. (bateria e percussão) – Jefferson fez um dos melhores shows de sua carreira. No final do espetáculo chamou ao palco o pequeno Pipoca, um menino cearense de apenas 13 anos que comoveu a todos com a sua surpreendente habilidade com o contrabaixo. Ao final da apresentação o inevitável bis só não se prolongou porque a dinâmica do evento não permite atrasos significativos. Pelo público, Jefferson ficaria muito mais tempo no placo.

THE BAD PLUS E WENDY LEWIS
Quem nunca ouviu falar em Jam Band deve ir se preparando porque a novidade, que já foi chamada até de punk jazz, virou moda nos grandes centros jazzísticos do planeta. A coisa consiste em reler clássicos do pop rock em formato piano-bateria-contrabaixo. A ideia é interpretar essas músicas com arranjos sofisticados, colocando o conhecimento musical e a técnica apurada a serviço de um jazz rock moderno e irreverente. O trio norte-americano The Bad Plus ficou conhecido por fazer versões inacreditáveis para músicas de bandas como Nirvana, Blondie e Aphex Twin. O grupo se apresentou em Rio das Ostras de forma surpreendente para quem não conhecia o seu trabalho e mostrou arranjos elaborados e enriquecidos por dissonâncias complexas que geraram um som energético, ousado e polêmico. Ao lado de nomes como Medeski e Martin & Wood, The Bad Plus é um dos principais grupos do movimento Jam Band. Entre seus trabalhos, Prog (2007) recria Tears For Fears, Burt Bacharach, David Bowie e Rush em leituras complexas. O disco foi apontado pela Billboard como o melhor álbum de jazz de 2007. Em seu último trabalho - For All I Care – a banda incorpora pela primeira vez o vocal da cantora Wendy Lewis. The Bad Plus é formada por Reid Anderson (baixo), David King (bateria) Ethan Iverson (piano) e Wendy Lewis (vocal). De forma suave, o grupo conquistou o público lentamente e ao encerrar seu show com U2 e Pink Floyd, a ovação e os calorosos pedidos de bis foram inevitáveis.

BIG TIME ORCHESTRA
A Big Time Orchestra é uma das principais bandas brasileiras do gênero neoswing, estilo musical inspirado no som das big bands dos anos 30 e 40, com forte influência do rock and roll. No Rio das Ostras Jazz & Blues a big band apresentou o repertório do seu último trabalho gravado o vivo no Bourbon Street,de São Paulo. O trabalho é marcado pela irreverência e bom humor, com músicas autorais e versões para as músicas “Americano” (Brasileiro) e “Just a Gigolo” (Gigolô), além de releituras para sucessos de Ray Charles, Chuck Berry e clássicos do blues. Formada por Lilian Nakahodo (teclado), Zorba Mestre (vocal), Fabiano Cordoni (baixo), Andre Ricciardi (bateria), Ronnie Panzone (guitarra), Jaquerson Bueno (trompete), Oscar Costa e Silva (trompete), Luiz Jiraya (trombone), Raule Alves (trombone), Jeronimo Bello (sax barítono), Marcio Rangel (sax tenor) e Everson Martins (sax alto), a banda cumpriu o que se esperava dela, ou seja, colocou todos para dançar. Durante a sua apresentação a Cidade do Jazz virou um gigantesco baile ao ar livre com a alegria contagiante tomando conta até de quem estava lá apenas para trabalhar. O pequeno Pipoca também fez uma participação especial e voltou a impressionar pela habilidade como instrumentista. Arrancou gritos de entusiasmo da plateia e do megaguitarrista Coco Montoya que assistia a tudo no backstage.

ARI BORGER
Ari Borger mostrou porque é considerado um dos mais talentosos pianistas e organistas brasileiros em atividade. Quando o assunto é piano & blues ou órgão Hammond, o nome de Ari Borger é unanimidade. Ao longo de mais de duas décadas de estrada já tocou com lendas do blues como Pinetop Perkins, Johnnie Johnson, Clarence Gatemouth Brown. Em Rio das Ostras, Borger apresentou um espetáculo baseado no seu recém lançado CD AB4. Nele Ari e seu grupo viajam por diversas correntes musicais. O feeling do blues e a linguagem do jazz e do soul são somados na busca de novos rumos musicais. Além de Ari, o grupo se apresentou com o excelente Celso Salim na guitarra, Humberto Zigler na bateria e Marcos Klis no baixo acústico.



DUOFEL COM FÁBIO PASCOAL
O talento dos violonistas Luiz Bueno e Fernando Melo já rendeu seis discos gravados no Brasil, um na Alemanha e outro nos estúdios de Ornette Coleman, nos EUA. Com nove indicações ao prêmio Sharp e três vezes vencedores, a dupla se consolidou como preciosidade musical de nosso país. A música do Duofel é resultado de mais de 30 anos de pesquisas, ensaios e apresentações no Brasil e no exterior. No Rio das Ostras Jazz & Blues, Fernando Melo e Luiz Bueno apresentaram várias fases de sua parceria e temas inéditos variando pelas diversas e ricas sonoridades dos violões de cordas de aço, 12 cordas, 10 cordas, 4 cordas e nylon. O show teve a participação especial do percussionista pernambucano Fábio Pascoal, filho de Hermeto Pascoal, e um dos mais importantes percussionistas brasileiros da atualidade. Em um show que alternou intimismo, virtuosismo e alegria, o trio evidenciou o porquê da admiração que cerca o nome Duofel no Brasil e no exterior.

PAU BRASIL
Desde a sua criação em 1979, o quinteto Pau Brasil é um dos principais pontos de referência da música instrumental brasileira. A proposta original foi levada ao palco em Rio das Ostras e criou uma atmosfera visceralmente brasileira e influenciada pelo universo musical do jazz contemporâneo. Com oito CDs gravados, cinco deles lançados no exterior, o grupo já foi indicado ao Grammy norte-americano na categoria Best Jazz Group. Ao longo de 25 anos de trajetória, o Pau Brasil acumulou um carisma que se refletiu no show apresentado no palco da Costa Azul. Formado por Nelson Ayres (teclados), Paulo Bellinati (violão) Rodolfo Stroeter (baixo), Teco Cardoso (saxofone) e Ricardo Mosca (bateria), o grupo fez uma releitura de sua carreira e brindou o público com clássicos da música brasileira de todos os tempos.


DIXIE SQUARE JAZZ BAND
A Dixie Square Jazz Band é um caso à parte do Festival de Rio das Ostras. O grupo se apresenta no formato “street band”, ou seja, percorre os principais pontos e palcos da cidade com intervenções que reúnem emoção, alegria e boa música. A execução bem humorada e divertida de standards do jazz de New Orleans resgata uma tradição do sul dos Estados Unidos, em que a música vai literalmente onde o povo está. A participação do público é contagiante e por onde passa, a Dixie deixa um rastro de diversão e alegria. Marco Vital, o líder da banda e responsável pelo washboard, não esconde a satisfação do grupo em participar de mais um ano de festa na cidade. Formada por músicos que viajam pelos melhores temas do jazz em altíssima vibração, a Dixie Square Band já abriu shows de grandes nomes como B.B. King e Ray Charles. Em 2009, a banda mais uma vez cumpriu de forma brilhante o seu papel de esparramar alegria, contagiando a cidade.

ORQUESTRA KUARUP
Rever a Orquestra Kuarup é sempre uma alegria e mostra o quanto a música pode fazer no processo de aculturamento de um povo. Criada em Rio das Ostras, a orquestra é um projeto da Fundação Rio das Ostras de Cultura. Conduzida pelo maestro Nando Carneiro, a Kuarup é formada por 25 músicos, alunos do Centro de Formação Artística da Fundação Rio das Ostras de Cultura. A Orquestra Kuarup Cordas & Sopros foi uma das primeiras manifestações artísticas da cidade e começou ensaiando em praça pública, com instrumentos doados pela comunidade. O nome Kuarup vem de um ritual indígena de origem tupi-guarani no qual os mais velhos da tribo reuniam seus jovens e passavam a eles as tradições do seu povo para que se perpetuassem através das novas gerações. Com dois CDs gravados, a orquestra tem em sua trajetória apresentações na Alemanha e em algumas das principais salas do Rio de Janeiro. De forma suave e intensa, a Kuarup tem sempre na correção e no bom gosto os pontos fortes de suas apresentações. E em 2009 não foi diferente. Vida longa ao projeto que cria a cada ano novos talentos musicais para o nosso país.



O Anjo da Guarda
do evento
Grandes festivais e até mesmo os médios não se consagram baseados somente em patrocínios ou atrações de sucesso. Claro que estes são fatores primordiais, mas não é tudo. Para entender um pouco do longo e árduo caminho para o sucesso, a Backstage bateu um papo com o produtor e idealizador do Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras, Stenio Mattos

Backstage: Sobre o Festival de Rio das Ostras, como tudo começou e quais foram as dificuldades iniciais?
Stenio Mattos:
O Festival começou com um projeto de música instrumental - o Rio das Ostras Instrumental - e era apresentado somente na praia de Costazul nos dois primeiros sábados de cada mês, em um palco na beira da praia. Na época fizemos mais de 100 shows com quase todos os nomes da música instrumental brasileira, como: Wagner Tiso, Mauro Senise, Azimuty, Toninho Horta, Cama de Gato, Paulo Moura, Vitor Biglione, etc. Depois de três anos pensamos em fazer um festival de jazz e blues. Começou na mesma praia com um público de 3000 pessoas. Os camarins eram em um trailer e o piso era a própria areia da praia, o palco era a metade do de hoje. Os festivais ocorriam em janeiro, no alto verão, para não termos problemas de público e porque o prefeito, na época, falou para o secretário de turismo e para mim que seríamos demitidos se não desse certo. Fizemos de tudo para não chover, inclusive rezar para Nossa Senhora da Conceição.

Backstage: E na atualidade, quais são as dificuldades?
Stenio Mattos:
Continuam muitas, mas considero que a maior dificuldade está sendo a de manter a qualidade do festival e continuar mostrando a importância deste evento para a cidade. Já atingimos um nível de importância muito grande em tão pouco tempo, mas a cada ano a cidade vai se dando conta desta importância e vendo que realmente este é um projeto sério e para toda a vida.

Backstage: Neste festival de grande diversidade, como é o relacionamento dos artistas brasileiros com os estrangeiros e vice-versa?
Stenio Mattos: 
O melhor possível. Como eles ficam no mesmo hotel, um lindo Resot à beira da praia, acaba acontecendo uma troca de informações completa e até informal. É maravilhoso ver a interação entre eles e a curiosidade de se conhecerem. Os estrangeiros assistem aos shows dos brasileiros, curtem, dançam e ficam impressionados com a nossa musicalidade. E a recíproca é verdadeira.

Backstage: Como é conciliar os interesses e manias dos diversos artistas juntos?
Stenio Mattos:
Neste festival, na verdade, não temos muito este problema. Os músicos vêm com o espírito aberto, sabendo que vão tocar para 20.000 pessoas ao ar livre, em um projeto cultural, sem cobrança de ingressos e com um visual daqueles! Eles até mudam o repertório, que em muitas vezes é feito exclusivamente para clubes e teatros que comportam cerca de 500 pessoas. Eles ficam malucos e super excitados em poder tocar para este público gigantesco e educado. Acredito que neste clima, não haja tempo para frescuras.

Backstage: Que pontos fortes têm o festival, e quais ainda são complicados de administrar?
Stenio Mattos:
A satisfação que tenho em fazer é tão grande que supera os eventuais pontos complicados. Participar e produzir um evento desta magnitude, que envolve uma cidade inteira, que hoje em dia espera ansiosa pela sua chegada, ajudando, dando incentivo, participando de forma ordeira e entusiasmada, supera qualquer eventual problema. É muita emoção que supera todo o estresse e todos os aborrecimentos.

A meu ver o Festival de Rio das Ostras se consolidou definitivamente no calendário da cidade de Rio das Ostras e da cidade do Rio de Janeiro, e neste ano superou todas as expectativas financeiras (pousadas, restaurantes e o comércio em geral ficaram 100% satisfeitos). Conheço a maioria deles que no último dia foi nos parabenizar, dizendo que nunca qualquer evento da cidade tinha dado tanto retorno. Outro ponto que confirmou esta consolidação foi que pela primeira vez tivemos chuva e como nunca havíamos enfrentado este problema, havia dúvidas de como o público iria comparecer e se comportar, se a parte técnica seria afetada, e os músicos ficariam à vontade? Para a nossa felicidade, o público não arredou o pé, mesmo quando choveu torrencialmente, causando espanto aos músicos internacionais; o Jason Miles falou que nunca tinha visto coisa igual e disse que o espírito de Miles Davis baixou e ele é quem vai comentar isto nos EUA. Não houve nenhum problema técnico e os músicos ficaram extasiados, este fato foi realmente a confirmação da consolidação deste festival. E o último ponto que achei importante foi ter conseguido realizá-lo apesar da crise, mostrando que quando as coisas são feitas com amor, honestidade, vontade e garra, elas acontecem.

Backstage: Como foi, em sua opinião, o crescimento do evento?
Stenio Mattos: 
Foi mais rápido do que esperávamos, mas como já disse, quando um projeto conta com o apoio de todos e nisto incluo a imprensa, que sempre nos apoiou e é de fundamental importância, da população da cidade, do poder público e da garra das pessoas envolvidas, que dão o sangue para este festival acontecer, acho que não poderia ser de outra forma e o crescimento é inevitável. Especialmente na versão deste ano em que o momento de maior tesão foi conseguir realizá-lo em plena crise mundial, com vários festivais deixando de ser realizados por falta de verba, e nós conseguirmos com um nível excepcional, espero que através da imprensa o público que não conhece saiba que contribuímos para que a cidade de Rio das Ostras e o Estado do Rio de janeiro continuem se orgulhando muito da sua música e da capacidade de realização do seu povo.


Como nasce um
Megaevento
Big Joe Manfra é proprietário de um selo, guitarrista, produtor, e acima de tudo um amante do jazz e blues. Não só amante, mas um trabalhador incansável deste gênero musical no Brasil e como não poderia ser diferente ele é o principal responsável pelos palcos do festival, mas devido a seu grande conhecimento, o seu trabalho começa muito antes. Em outro bate papo, Manfra nos contou como foi o seu trabalho no festival deste ano
Backstage: Quais foram as suas funções e responsabilidades no evento deste ano?
Big Joe Manfra:
Bem, meu trabalho começa muito antes dos outros. Após o Stenio Mattos definir quais artistas estrangeiros serão contratados diretamente pelo festival, faço contato com seus escritórios e começamos as negociações que envolvem os cachês, condições gerais, backline exigido e processos de vistos, feitos por nosso departamento jurídico. Isso tudo pode começar nove meses antes ou até mais de um ano, pois algum artista que não trouxemos em uma edição pode ser trazido na próxima.
Durante o evento faço a direção dos palcos de Iriry ou Tartaruga, dependendo do artista, e do palco de Costazul.

Backstage: Quais foram as dificuldades que você encontrou como coordenador de palco?
Manfra:
Uma delas é cuidar de vários backlines diferentes. Cada dia temos que definir o transporte deles para cada palco, além de organizar trocas de palco e armazenamento de todo o equipamento. Tentamos trabalhar com o palco o mais limpo possível. Para isso são usados vários risers, praticamente quase tudo é colocado em cima deles hoje em dia para facilitar. Os músicos de jazz e blues geralmente querem tudo perto e no chão, mas antes já aviso que temos de usar os risers pelo menos na altura mínima. Os palcos menores não têm tanto espaço e às vezes temos de transportar pianos e órgãos Hammond para eles, o que dificulta bastante.

Backstage: É muito difícil conciliar os interesses e manias dos diversos artistas juntos no mesmo palco?
Manfra:
Em relação às manias, tentamos que não entrem em nosso espaço ou influenciem os shows. Já os interesses têm de ser administrados, principalmente em relação a registros de vídeo e fotos durante os shows, pois temos de garantir o trabalho da imprensa. A atitude certa e firme é fundamental em relação aos estrangeiros. Depois que o show vai bem e a plateia responde a eles,  o trabalho sempre fica mais fácil. Os artistas de blues e jazz em geral têm mais os pés no chão em relação à fama e outros detalhes que assolam a vida dos astros pop, não há pedidos de centenas de toalhas nem comidas exóticas nos camarins.

Backstage: Quais são os pontos complicados de administrar?
Manfra:
Alguns managers e técnicos querem mostrar trabalho para o seu artista nas horas erradas e quando o melhor é tentar resolver o problema. Tudo é visto e checado antes e eu não gosto de deixar nenhuma “bola dividida” para a passagem de som ou para o show. Preparamos todos os artistas para que eles saibam exatamente o que vão encontrar por aqui. Há alguns anos o que mais acontece é receber elogios para toda a equipe quando nos despedimos de cada um após os shows. Sabemos que isso não é da boca para fora, pois eles acabam falando para outros artistas e que depois chegam aqui e nos contam que isso pesou na decisão deles de vir fazer o festival.

Backstage: Especialmente na versão deste ano, qual foi o momento que te deu mais prazer e qual foi o mais frustrante?
Manfra:
Sempre que autorizo o começo de um show e desejo boa sorte aos artistas, passo por um momento de satisfação imensa, pois lembro das dificuldades enfrentadas ou de como começou a contratação daquele artista em especial. Mas já que é para escolher, destaco a quantidade de público que assistiu no palco da Tartaruga ao show do Coco Montoya. Broxante com certeza foi a chuva que caiu durante os shows, que são ao ar livre, apesar do público ter ficado e comparecido com suas sombrinhas e feito a festa da mesma maneira, foi um momento complicado para a parte técnica.

Backstage: Como os artistas e bandas poderiam colaborar com o seu trabalho e melhorar o resultado final?
Manfra:
Tentar ao máximo antecipar qualquer problema para não deixar que ele aconteça é fundamental em uma produção desse porte. Acho que os artistas deveriam tomar mais cuidados com seus riders e pedidos de backline, que sejam mais objetivos e diretos ao ponto quando participarem de eventos como festivais, que são diferentes de seus próprios shows. Quando não se pede direito o que quer, não tem como se exigir o que precisa de fato.


Equipe de produção
Coordenação de Áudio
Sonorizar um festival com a enorme quantidade e diversidade de artistas e bandas, além de ser em três lugares diferentes não é tarefa fácil. Piora quando se trata de jazz e blues; um gênero bastante sofisticado e com grau de exigência bem acima das médias de outros shows.
Para cuidar desta parte tão sensível, o festival contratou o paulistano Jerubal M. Liasch para cuidar do áudio. Abaixo temos um pequeno depoimento do Sr. Jerubal

“No começo de 2000 fui apresentado ao Stenio (produtor do festival) pelo Herbert Lucas, com o qual já trabalhava com alguns artistas que ele empresariava. Stenio me falou do Rio das Ostras Jazz & Blues e que ele precisaria do meu trabalho na pré-produção, execução e direção técnica do festival; e a montagem estrutural, sistema de áudio e imagem ficou sob a responsabilidade da Sinal Audiotec, empresa que nos acompanha desde a primeira edição do festival.


Ao longo dos anos fomos formatando e definindo as situações ideais do festival, pois se trata de um festival que sofre com todas as influências e intempéries de um festival realizado em três palcos totalmente distintos, e além do mais ao ar livre e em horários alternados. Hoje, acredito que encontramos um bom termo para resolvermos as situações de logística interna e externa de backline e dos artistas. Entre as dificuldades que envolvem um festival deste porte, o custo financeiro é o principal e tem de ser ponderado para não sacrificar a qualidade e consequentemente o resultado final (a permorfance dos artistas). 

O meu trabalho, neste festival, começa no mínimo seis ou sete meses antes, quando começo a receber todos os riders e backline requerimentos dos artistas e bandas que virão. O nível artístico do festival é tão alto que não há qualquer diferença para realizar uma apresentação de um artista nacional ou internacional, além do que nunca houve diferença de tratamento ou atenção para quaisquer deles. Especificamente, nesta edição só tivemos que remanejar a nossa agenda em relação aos horários preestabelecidos com o Spyro Gyra, pois eles exigiram o tempo de 4 horas para o Sound Check, mas o maior trabalho e temor são sempre as trocas de palco, pois nesta situação sempre temos que rever todo o áudio, double check line etc.


A cada edição que passa fico cada vez mais satisfeito e orgulhoso de fazer parte e contribuir para  este evento, pois não é qualquer festival que consta da relação dos maiores festivais do mundo segundo a revista Down Beat. Isto mostra que o festival está alcançando o seu objetivo, que é simplesmente mostrar a boa música de uma praia em todas as praias. Para mim, a grata novidade foi a banda The Rudder que me impressionou pela força nos graves sem sujar e as dinâmicas mesmo nos momentos dos metais. Eles me disseram para não ter receio com o que eu sentir no PA. Foi com prazer que fiz o PA para eles”.


Mauricio Gargel
Marco Leasch
Fabrício Carvalho
Eron Zimmermann
Junior - PA Costa Azul
Joseildo
P.A. FZ Áudio - Costa Azul
P.A. FZ Áudio - Lagoa Iriry
Por: Gustavo Victorino / Nelson Cardoso
Fotos: Ernani Matos / Cezar Fernandes / Divulgação
Festival chega a sua sétima edição mantendo a qualidade e atropelando a crise econômica
A história do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival foi mais forte que o pessimismo, e confirmou o acerto dos produtores e patrocinadores do evento em manter intacta uma festa que marcou 2009 como o ano do reconhecimento internacional do festival que só fica atrás em importância e dimensão do de New Orleans. Na sua sétima edição, o elenco teve como destaque a diversidade e o experimentalismo. O festival aconteceu entre os dias 10 a 14 de junho no cinematográfico balneário localizado a 170 km do Rio de Janeiro. Os shows totalmente gratuitos foram realizados em três palcos: Praia da Tartaruga, Lagoa de Iriry e na Cidade do Jazz e do Blues, na praia de Costa Azul.

O Rio das Ostras Jazz & Blues acontece desde 2003. Realizado pela Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio da Prefeitura de Rio das Ostras, com produção de Stenio Mattos (Azul Produções), já apresentou ao longo de suas seis edições músicos como John Mayall & The Bluesbreakers, Stanley Jordan, Jane Monheit, Will Calhoun’s, John Scofield, Mike Stern, Richard Bona, James “Blood” Ulmer, Vernon Reid, James Carter, T.S. Monk, Robben Ford, Ravi Coltrane, Roy Rogers, Stefon Harris, Dom Salvador, Luciana Souza, Yamandú Costa, Romero Lubambo, Naná Vasconcellos, Sérgio Dias, Hamilton de Holanda, Celso Blues Boy, Léo Gandelman e Egberto Gismonti entre outros importantes artistas nacionais e internacionais.

Sua marca registrada é a mistura de estilos e tendências musicais, formando um painel do que há de mais importante no cenário do blues e do jazz no Brasil e no exterior. No ano passado, o festival reuniu somente na Cidade do Jazz e do Blues um público de mais de 60 mil pessoas durante os cinco dias de evento. Apesar do mau humor do tempo nos primeiros dois dias, a presença de público continuou crescendo em 2009.

Marcada pelo saudável ecletismo de estilos e gerações, a festa desse ano teve nomes como Spyro Gyra, John Hammond, Coco Montoya e Jason Miles (com a participação especial do DJ Logic) que dividiram a cena com a modernidade e experimentação dos grupos The Bad Plus e o agressivo e inovador Rudder, nome mais badalado em New York desde o ano passado. As atrações nacionais retrataram mais uma vez a multifacetada qualidade da nossa música. O pianista Ari Borger, Duo Duofel (com participação especial do percussionista Fábio Pascoal), Jefferson Gonçalves, Pau Brasil, Big Time Orchestra e a Orquestra Kuarup (regida pelo maestro Nando Carneiro) fizeram das suas apresentações um motivo a mais para que o nosso orgulho verde-amarelo continue colocando a música brasileira entre as melhores do mundo.

O festival trouxe ainda a impagável Dixie Square Jazz Band que, liderada por Marcos Vital e seu washboard, transformou Rio das Ostras em uma completa festa, percorrendo os principais pontos da cidade executando standards do jazz e literalmente colocando todo mundo para dançar.

Para o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Carvalho Bhaltazar, o Rio das Ostras Jazz & Blues tem uma dimensão que extrapola os limites de um evento musical. “Virou marca registrada e tornou a cidade conhecida em todo o mundo”. O produtor executivo e pai da criança, o irrequieto Stênio Mattos, da Azul Produções, é incisivo e vai mais longe. “Os artistas querem tocar aqui. No mundo inteiro, sou bem recebido e alvo de perguntas sobre um evento que só perde em importância e tamanho para o de New Orleans por conta da história e do culto dos americanos a esses gêneros musicais”.

Coletiva Carlos Augusto e Stênio Mattos
Coco Montoya e Stênio Mattos
Ari Borger
Jason Miles
SEM MEDO DE SER FELIZ
Um evento com a grandiosidade do Rio das Ostras Jazz & Blues tem um significado tão abrangente que extrapola os limites do encontro musical e da efervescência cultural. Sua importância para o mundo da música está na exata dimensão do contexto em que se insere como mola propulsora de um conceito vanguardista e inovador de levar ao público a qualidade musical como fundamento básico e integralista do aculturamento e depuração do tecido social. A proposta encontrou ressonância surpreendente na população e nos milhares de aficionados do Brasil e do exterior que acorrem à pequena cidade do litoral norte do Rio de Janeiro em busca dos espetáculos gratuitos, raros e únicos. A diversidade dentro dos dois estilos musicais de referência converge a cada ano para uma simbiose ainda maior entre o público e os artistas e a cada edição os frequentadores do evento testemunham manifestações surpreendentes de amor à arte e ao que de melhor tem o festival... O público. Ele é único e unânime. Nenhum artista passa incólume pela plateia da cidade. Da contemplação e respeito a mais energética interação, tudo contagia e acaba subindo ao palco em forma de dedicação e entrega absoluta do artista à sua arte e ao seu público. Em Rio das Ostras esse fenômeno virou referência e faz de um dos maiores festivais de jazz e blues do mundo, um encontro que supera os limites da relação entre o artista e a plateia. Lá eles são cúmplices...
Gustavo Victorino


MARCAS DO TEMPO
Depois de 17 anos, Gustavo Victorino reencontrou o guitarrista e líder do grupo Spyro Gyra, Júlio Fernandez, nos bastidores do Rio das Ostras Jazz & Blues 2009. A amizade nasceu nos início dos anos 90, nos corredores da Washburn Internacional, em Chicago. Na época, Gustavo era especialista da Washburn e Júlio o novo endorse da empresa.

1991
2009

FICHA TÉCNICA
Produção e realização:
Prefeitura de Rio das Ostras (RJ) e Azul Produções
Coordenador geral: Stênio Mattos
Direção geral de palco: Joe Manfra
Direção técnica: Jerubal Liasch
Operador de PA: Jerubal Liasch / Marco Antonio G. Liasch / Eron Zimmermann (Big Band)
Operador de monitor: Marco Liasch / Jeziel M. Liasch
PA / MONITOR
Roadies: Bill, Betinho, Hari e Kleber
Produção de palco (Iriry / Tartaruga): Jefferson Gonçalves e Júnior Aguiar
Chefe de apoio: Carlão
Sonorização: Sinal Audiotech (Hélio Junior)
Iluminação: Backline Luz
Operador de luz: Fabrício S. Carvalho
Vídeo: Núcleo Vídeo Produções (Juliana Figueredo)

NOTA DA REDAÇÃO:
Até o fechamento desta edição, as empresas de sonorização, iluminação e produtora de vídeo não informaram a relação dos equipamentos e sistemas usados no festival. O que pudemos ver foi o uso de mesas digitais da Yamaha (linha PM5D, LS9 e M7CL), line e caixas da FZ Áudio e amplificadores Machine e Lab gruppen.