Vera Medina é produtora, cantora, compositora e professora de canto e produção de áudio na escola Music Center.
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Equalizadores
do Logic Pro 8
Este mês vamos falar sobre alguns equalizadores do Logic Pro e também abordar um pouco o processo de produção de uma música, indicando algumas dicas de produção
Nas últimas edições falamos sobre os parâmetros utilizados nos efeitos de equalização e, mais detalhadamente, sobre o Channel EQ. Considerando os conceitos já aprendidos, podemos apenas enumerar os outros equalizadores disponíveis, resumindo o objetivo e algumas características principais. Então vamos lá!

• Fat EQ: é um equalizador multibandas flexível com até 5 bandas individuais de frequência. Pode ser utilizado para tracks solo ou para mixagens. Inclui um painel gráfico das curvas de equalização e um conjunto de parâmetros para cada banda. (Figura 1)

• Linear Phase EQ: é bem parecido com o Channel EQ visualmente, possui os mesmos parâmetros e 8 bandas. A diferença está na utilização de uma tecnologia que preserva em 100% a fase do sinal do áudio, possibilitando preservar o equilíbrio natural da música enquanto fornece controle preciso sobre o spectrum harmônico. Este efeito deve ser utilizado mais para masterização, pois consome mais recursos do computador do que o Channel EQ, o que resulta em maior latência. (Figura 2)

• DJ EQ: efeito legado das versões anteriores (Legacy). Combina os filtros de graves e agudos shelving, cada um com uma frequência fixa e um equalizador paramétrico para o qual você pode ajustar Frequência, Ganho e Q. Uma característica especial do DJ EQ é que ele permite reduzir o ganho dos filtros até -30 dB. (Figura 3)


• Silver EQ: este é mais um efeito legado das versões anteriores do Logic e inclui 3 bandas. (Figura 4)

• Equalizadores de banda única: dentro do submenu destes equalizadores é possível encontrar alguns parâmetros, tais como filtro passa-alta , baixa.

• Match EQ : este efeito permite arquivar o spectrum de frequência média de um arquivo de áudio como um template. Pode ser utilizado para analisar um arquivo de áudio, comparar os dados tonais com outro arquivo de áudio e depois gerar um spectrum de frequência para que o segundo arquivo consiga utilizar as características de frequência do primeiro arquivo. Desta forma, o áudio tratado em vários estúdios ou situações pode ser comparado a outro e gerar um padrão a ser atingido. (Figura 5)

A maioria dos parâmetros destes equalizadores foi abordada nas edições anteriores.

Considerando o fator praticidade, um dos mais utilizados é o Match EQ, pois ele permite trabalhar com materiais de referência de acordo com o estilo musical definido.

Vamos dar um exemplo prático de uso do Match EQ. Vamos supor que um mesmo cantor tenha gravado amostras de áudio em várias situações (salas diferentes, estúdios equipamentos, microfones, etc). Uma dessas amostras pode soar diferente das outras. Com o Match EQ, é possível equilibrar essa amostra com as demais. Insira o efeito em uma track de áudio do Logic. Para que o Match possa aprender o spectrum de frequência do arquivo que você quer utilizar como referência, coloque, por exemplo, dois arquivos na track. Toque o 1º arquivo do seu início, clique o botão Learn abaixo de Template para iniciar a análise e pare o playback. Os indicadores da escala em dB e o botão vão ficar vermelhos. No painel aparece o spectrum de frequência do áudio. Clique o botão Learn novamente para parar a análise.


Para analisar o 2o arquivo, toque o arquivo desde o seu início. Toque algum tempo e depois aperte o botão Learn abaixo do Current Material para iniciar a análise. O botão e os indicadores de escala em dB ficarão verdes e no painel central aparece o spectrum de frequência. Para que o Match EQ crie uma curva de equalização que irá corrigir o outro arquivo, clique o botão Match. O botão e a escala ficarão amarelos. Se continuar a utilizar a mesma track para tocar os dois arquivos, há necessidade de aplicar automação, retirando o efeito do arquivo que não deve ser alterado.

DICAS DE PRODUÇÃO

Deixando um pouco de lado os aspectos técnicos de produção, vou tentar abordar as principais questões a serem consideradas antes de começar a produzir uma música. Essa é uma questão frequente entre os produtores e não existe um manual do que é mais ou menos correto. Temos que considerar que cada produtor geralmente desenvolve sua própria forma de trabalho, porém, as ferramentas e assuntos envolvidos são geralmente os mesmos.

Depois do momento inicial de escolha de equipamentos, computador, programas e espaço físico para produção, chega o momento de produzir. E aí percebo que várias pessoas ficam perdidas, começam a ler manuais incessantemente, ou separar CDs de samples de áudio.

Quando vou produzir uma música, as primeiras coisas em que penso são o estilo e o gênero. É uma balada, bossa, eletrônica? Vão entrar elementos acústicos e eletrônicos ou somente um
deles? Isso é importante, pois consigo definir o programa/sequencer que pretendo utilizar, assim como os recursos tecnológicos e humanos. Embora geralmente tenhamos nosso programa favorito, eu considero alguns mais próprios para uma situação. Por exemplo, quando a música é acústica, geralmente utilizo diretamente o ProTools. Para músicas que têm uma levada mais eletrônica, geralmente utilizo o Logic. Instrumentos virtuais disponíveis, tais como o Ultrabeat (bateria eletrônica/sampler), facilitam muito o trabalho, embora na versão 8 do Protools existam várias opções de instrumentos virtuais.

Uma vez decidido isto, geralmente começo a compor a música, no violão ou teclado, definindo o tom, ritmo e tempo. Acho interessante que, caso a pessoa saiba tocar um instrumento, primeiro tente compor as principais seções da música. Isso facilita em muito a escolha de loops e efeitos nos momentos posteriores. Se a pessoa for utilizar algum outro meio para compor, existem programas que ajudam bastante, tais como Band in a Box (tipo arranjador) que possui várias funções para autogerar músicas inteiras, exportáveis em padrão MIDI GM ou áudio (WAVE), ou ACID Pro que permite brincar com loops de instrumentos, riffs, acordes, etc em vários tempos e tons.

Tendo uma ideia do que será a música, acho importante partir para uma decisão para gerar uma versão rascunho, podendo neste caso utilizar loops de bateria para montar uma primeira versão. O Logic 8, apesar de muito avançado em questões como instrumentos virtuais e facilidade de edição, ainda torna a vida do produtor um pouco difícil na hora de utilizar loops em diversos tempos ou tons. O ProTools hoje possui as funções de elastic audio e elastic pitch as quais facilitam alterar o tempo e tom dos loops e até da música inteira em um piscar de olhos. Para quem não tem certeza ainda sobre o tempo do projeto, é interessante utilizar programas como o Acid Pro ou Band in a Box.

Separar loops para utilização rápida pode ser uma tarefa árdua se o seu nível de organização não for bom. Existem infinidades de CDs de loops de áudio e pacotes específicos para cada gênero, porém, há muito pouco de criatividade em utilizá-los diretamente, sem na verdade pesquisar o que realmente pode ser útil e diferenciado. Tem pessoas que pegam os presets que vêm nos CDs de loops, montam uma “música” e já se veem como produtores. Para começar a produzir, não há nada errado em ficar testando combinações de loops, mas se quiser levar realmente a sério o assunto, pode destruir seus objetivos na primeira música que você colocar disponível na web.

É por isso que em sites como www.acidplanet.com você encontra músicas fantásticas e tentativas realmente frustrantes, todas convivendo em um mesmo espaço. E é por isso também que a qualidade das produções em muitos casos é questionável, pois apenas quem trabalha constantemente com música acaba conhecendo esses materiais.

Um ponto muito importante sobre produção é montar um material de referência. Ou seja, de tudo que você ouvir, separe as músicas que mais chamam sua atenção, que você gostaria de ter feito. Monte esse material, separando por gênero, tempo da música, instrumentação. Desta forma, ao pensar em produzir determinada música, você pode começar pensando neste material de referência e assim, entendendo qual a instrumentação necessária. Esse material também servirá como base para mixagem e masterização.

Acho que já dá para pensar bastante com estas informações. Até a próxima edição!

Figura 1 - FatEQ
Figura 2 - LinearPhase
e dicas gerais de produção
Figura 3- DJEQ
Figura 4 - SilverEQ
Figura 5 - MatchEQ