EUROVISION
POR CLAUDIA CAVALLO
2009
O Eurovision Song Contest é um concurso de músicas que vem sendo realizado há 53 anos na Europa. O evento é um daqueles programas que reúnem famílias e amigos na sala de estar na noite da final e, na manhã seguinte, torna-se o assunto do dia nos escritórios ou na fila do supermercado. É uma das produções com maior índice de audiência no mundo: 200 milhoes de telespectadores. São 42 países competindo em três apresentações – duas semifinais e uma final – e o vencedor é eleito pelo público. O evento é realizado sempre no país vencedor do último concurso. Este ano, o festival aconteceu em Moscou (Rússia), entre os dias 12 e 16 de maio, e foi considerado uma das maiores e mais impressionantes produções na história do Eurovision. A Noruega levou o troféu em 2009 e, portanto, vai sediar o evento no ano que vem.
Oportunidades como esta são disputadas na indústria de iluminação. Não é para menos... O palco é um verdadeiro festival de luz e tecnologia, a lista de equipamentos é extensa e normalmente inclui alguns dos mais novos lançamentos dos principais fabricantes mundiais. Este ano, três empresas foram contratadas para fornecer material. A maior delas foi a Procon, trabalhando em parceria com a PRG. Uma companhia local (russa) alugou o que não havia sido planejado previamente – necessidades que surgem mais no final do processo. A iluminação é do lighting designer Al Gurdon – fazendo o Eurovision pela primeira vez – e dono da empresa Incandescent Design, contratada para criar o projeto e entrar com a equipe principal de profissionais (composta por 17 pessoas).

EQUILÍBRIO ENTRE LUZ E VÍDEO
A cenografia do Eurovision 2009 leva a assinatura do set designer John Casey e é baseada, fundamentalmente, em enormes telões de LED. O projeto de iluminação foi desenvolvido de forma a aproveitar ao máximo este conceito.
Gurdon comecou a trabalhar a iluminação antes mesmo de saber com que músicas estaria lidando. Do primeiro contato ao dia de montagem foram seis semanas apenas. A cenografia já estava praticamente definida, o lighting designer teve algumas conversas com John Casey para integrar iluminação e cenografia e partiu logo para ação.
O maior desafio foi posicionar o equipamento de iluminação nos pontos ideais. Muitos dos espaços desejados tinham que ser “disputados”, porque ja estavam comprometidos com cabos, equipamento de vídeo, etc. “Tivemos que ser precisos e usar de engenharia para posicionar as luminárias”, conta Gurdon.
Há momentos no show em que a iluminação tem prioridade e momentos em que o vídeo ganha maior importância, embora tudo aconteça de maneira totalmente integrada. “Algumas vezes escurecíamos o conteúdo de vídeo para dar mais contraste às pessoas no palco e ter luz mais proeminente em certos pontos”, explica o lighting designer.
Algumas partes do palco eram móveis, incluindo um gigantesco anel central de LED no alto do cenário, possibilitando diferentes configurações ao longo do show.





















BACKDROP

Um dos principais elementos que compõem a cenografia é um enorme backdrop (1.120 m2) que funciona como um poderoso e dinâmico painel de fundo, feito sob medida. Trata-se de um conjunto de módulos LC 2140 (Martin), montados em três grandes seções que se sobrepõem (para possibilitar mudancas de cenário), cada seção medindo cerca de 35m de comprimento por 11 de altura.
Peso era um desafio, pois a arena não oferecia infraestrutura apropriada para sustentação dos painéis. O suporte foi feito com andaimes. Cada módulo de LC2140 pesa 19,4 kg e não necessita de driver ou power supply externo – cada unidade vem com tudo que é necessário já embutido. Essas foram características que contribuíram para a escolha deste tipo de equipamento como painel de fundo. “Queríamos um material relativamente de baixa resolução, baixo custo e, ainda assim suficiente para gerar imagens impactantes. Algo de maior resolução obviamente pesaria ainda mais e teria custo ainda maior. Trabalhamos com distâncias variadas entre os diferentes elementos que compunham o cenário e as câmeras, de forma que as câmeras ficavam mais próximas de telões de alta resolução e mais distantes dos de baixa. Funcionou muito bem”, explica Gurdon. A maior parte do conteúdo de vídeo para o backdrop foi produzida por uma equipe russa de cerca de 10 pessoas, correndo contra o tempo. O conceito de criação foi de Andrei Boltenko, que dirigiu o show.
O material foi entregue para o time da Incandescent Design, que fez as devidas adaptações. O trabalho principal consistia em preparar o conteúdo para a configuração dos telões, colocar o time code e re-renderizar. “Algumas vezes, a mudança era considerável. No vídeo original da performance Grega, por exemplo, o contraste aumentou, a velocidade foi alterada em algumas partes e foram introduzidas mudanças de cores em momentos chave”, conta Gurdon. O chefe do departamento de vídeo na Incandescent Design, Ian Reith, comentou que não é sempre que se consegue “pintar vídeo em uma tela tão grande”, mesmo em produções europeias. “Aproveitamos esta oportunidade ao máximo e esperamos ter chance de fazer isso de novo”, comemora.
A Procon também contou com a Barco como parceira no que diz respeito à projeção. Foram usados dois sistemas Encore e 24 Image Pro HD, 735 Olite LED tiles, 6200 módulos MiPIX, seis projetores SLM R12+ e seis projetores CLM R10+ com PufferSpheres, além de equipamentos para processamento de imagem, 18 sistemas Catalyst media server e um console Wholehog.

MOVING LIGHTS
Uma outra inovação tecnológica no Eurovision 2009 foram 72 unidades do moving light Bad Boy, da PRG, instaladas ao redor de todo o rig e posicionadas diretamente sobre o palco. A Bad Boy é uma luminária híbrida, que combina características de um moving light tradicional com um search-light para grandes arenas. Foi lançada no mercado no final do ano passado. Segundo o Gerente de Produção Ola Melzig, este equipamento foi uma das primeiras coisas especificadas para o evento. “Vi o moving light pela primeira vez na feira PLASA, no final do ano passado, e logo percebi que era ideal para um show como o Eurovision, que normalmente envolve grandes telões de LED, com alto-brilho?” – contou Melzig.
O Bad Boy tem uma óptica de alta definição – devido às suas lentes – e oferece 48 mil lumens. O controle de foco é super suave, tem zoom de 7 a 56 graus, servo-motores de alta velocidade e dimmerização total (0 a 100%). As cores saturadas são um destaque entre os diversos recursos do moving light e são resultado de um sistema de cor chamado Quantum Color, que utiliza filtros individuais que possibilitam variação tanto de saturação quanto matiz. Além das inovações técnicas que o equipamento traz, a PRG garante que o produto foi desenvolvido com foco em eficiência energética e padrões recomendáveis de emissão de carbono. Aquecimento global, diga-se de passagem, é um tema realmente sério na Europa e a indústria de iluminação e entretenimento vem tentando fazer a sua parte.
Al Gurdon contou, ainda, com quatrocentos MAC 2000 para iluminação de plateia, posicionados em treliças sobre o painel de LC e também na parte de baixo. Noventa e seis MAC 600 deram cor a cicloramas e 112 Atomic strobes deram um punch a mais por trás do painel de LC, composto de 560 módulos. Tudo isso, fora 17 canhões para luz de frentre e contraluz, Source-fours, VL3500 e alguma iluminação convencional aqui e ali. As equipes de iluminação trabalharam 24 horas por dia, em turnos.
Alegria total para a indústria de iluminação em plena época de credit crunch! Vale a pena assistir a algumas imagens do Eurovision 2009 no YouTube.com.

Alegria total para a indústria em época de “credit crunch”
Al Gurdon
Al Gurdon é um dos grandes nomes no mercado internacional, principalmente no segmento de espetáculos para TV. Ganhador de vários prêmios, recentemente foi eleito Lighting Designer do ano, pela revista Total Productions, além de melhor Lighing Designer para Multicâmera, no The Royal Television Society Award.
Fez faculdade de cinema, formou-se nos anos 80 e começou sua carreira através da fotografia, migrando gradativamente para o segmento de espetáculos. Sua experiência com filmes e fotografia contribuiu muito para o resultado de seus projetos e é uma das principais características que o distingue como profissional na indústria da iluminação.
Seu currículo inclui produções de grande audiência na Europa como X Factor, Pop Idol, MTV Awards e The Brit Awards, além da atual turnê mundial do cantor Robbie Williams.
Sua extensa lista de projetos inclui também espetáculos de música clássica, ópera, comerciais e seriados.

Ficha Técnica
Incandescent Design
Lighting Designer: Al Gurdon
Lighting Programmers: Andrew Voller, Ben Cracknell
Catalyst Operator / Additional Content: Ian Reith
Catalyst Technician: Nev Bull
Catalyst Technicians / Additional Content: Lauren Cahill, Dave Newton
Lighting Gaffers: Rich Gorrod, Dave Hallett
Administrative Assistant: Kerrie-Ann Keogh
Green Room Lighting Board Operator: Dave Hallett
Spot Callers: Peter Canning, Olga Ostrovskaya
Procon
Production Manager: Ola Melzig
Assisting Production Manager: Tobias Åberg
Technical Production Manager: Matthias Rau
Crew Chief Lighting: Frank Karpinski
Crew Chief Video: Marco Scholwin, Hans Cromheecke
Lighting System Engineers: Dennis Drewen, Johannes Wahl
Media Server Managers: Jan Schröder, Mike Redmer

Production Management
M & M Production Management