Jorge Pescara é artista-solo exclusivo da Jazz Station Records e contrabaixista com Ithamara Koorax. É autor do livro Dicionário Brasileiro de Contrabaixo Elétrico.
Dicas de como usar
LOOP STATION

De modo geral, um loop station consiste em um equipamento de gravação de pequenos trechos musicais (frases, licks e grooves, sejam eles isolados do resto do contexto ou não) para serem reproduzidos em seguida, permitindo assim, que o músico execute seu instrumento somando ao som previamente gravado. Na verdade, isto pode ser bem resumido, ou seja, um pedaço de áudio em loop que segue reproduzindo-se ad infinitum, até que o botão de stop o detenha! E outra prerrogativa é que quanto maior o tempo de gravação e possibilidade de edição do loop, melhor é a máquina que se está a usar. E mais cara também. Desta forma, o Digitech JamMan, que pode chegar a ter 6 ½ horas de tempo de loop, seria bem interessante, mas temos que lembrar que ele trabalha com uma arquitetura que permite usar apenas um passo de cada vez, ou seja, não podemos fazer muitas coisas ao mesmo tempo com ele. Há loopers com apenas alguns segundos de gravação que têm muito mais possibilidades de edição.
No início eram as máquinas com fita magnética tais como o Echoplex da Roland e o Mellotron que tanto pode ser considerado o primeiro sampler da história como também (e por outro lado) o primeiro looper. No mercado há infindáveis possibilidades tais como o já citado Digitech JamMan, Lexicon JamMan original, mas com apenas 32seg de loop, Boss RC2, Boss RC20, Boss RC50, Line6 JM4, Boomerang, Looperlative LP1, por aí vai.

Os controles mais desejáveis nestas pequenas criaturas são:
• Record
• Play
• Stop
• Feedback
• Slow Mode
• Reverse loop
• Mix
• Undo ou Erase... Delete
• Quantize

Dicas de como
usar Loop Station
Nunca é demais frisar que uma das mais fantásticas experiências do som para um instrumentista é gravar e poder analisar suas próprias execuções. É ali que se tem toda a verdade registrada para sempre de como somos, ou melhor, soamos para fora de nossa realidade cerebral. Gravar as próprias performances é algo que se deve levar em conta para a autoavaliação do rendimento e da evolução técnica. Há alguma mágica que acontece sempre que gravamos algo e nos colocamos a ouvir, parece que algum duende verde escondido sempre se mete a mexer suavemente nas notas e tempos, fazendo com que aquilo que foi sentido como uma realidade na hora da gravação, soe estranhamente diferente na hora da audição, vezes por bem, vezes por mal. Analisar os resultados com a cabeça fresca nos dias posteriores ajuda, pois nos dá perspectivas.

Neste quesito, gravar a si próprio, há muitas modalidades, tais como:
• Antigos e ultrapassados gravadores K7
• Antigos gravadores digitais em fita ADAT, DAT
• Gravadores MD
• Gravadores mp3 (os Ipods e que tais da vida...)
• Gravadores hard disk
• Softwares de gravação nos Pcs e Macs
• E por fim, os Loop Stations!
Aqui, temos que ter em conta que, para além de uma ferramenta expressiva nas performances ao vivo, o Loop Station pode ser um aliado nos estudos e pesquisas sonoras.
• Baixistas precisam saber o que fazer com seus próprios grooves, assim, uma boa opção é o autoacompanhamento. Grava-se o groove no loop e depois se alternam os papéis entre tocar a melodia e o solo sobre o que foi anteriormente gravado por si próprio. A vantagem disto reside na análise de seus próprios argumentos musicais, além de um profundo conhecimento da música que se está executando. Por vezes podemos até arriscar gravar também os acordes, os chamados comping. Isto de quebra nos auxilia no estudo de harmonia.
• Para gravar alguns ritmos no loop station, podemos usar a corda mais grave do baixo, abafada pela mão de digitação obtendo o som grave do bumbo, e puxar a corda mais aguda para extrair o que seria a caixa da bateria.
• Para melhorar a precisão, toque uma nota curta qualquer com a corda bem abafada e grave no loop. Coloque para repetir e terá um metrônomo com um timbre do contrabaixo. Ao executar notas de escalas, arpejos ou estudos com este ‘metrônomo’ há muito mais possibilidade de se ajustar a precisão, pois com um timbre bem próximo do qual se obtêm do instrumento os ‘flams’ de se tocar levemente antes ou depois do beat ficam mais aparentes. Ao contrário do uso do metrônomo tradicional cujo timbre de beat é muito mais distante, por ser agudo. Se observarmos os dois sons em 180º teremos um cancelamento de fase, isto se conseguirmos tocar exatamente no mesmo batimento do ‘metrônomo’.
• Para quem toca fretless bass (baixo elétrico sem trastes), gravar drones de oitavas e quintas justas no loop station e depois tocar por cima pode ser de extrema valia. Outra forma é gravar no looper escalas, arpejos, acordes ou melodias no baixo com traste e depois dobrá-las no fretless.

Dicas de como interagir melhor com os Loops gravados
A primeira coisa a nos ater é a interatividade, quando usarmos um loop Station. Para o público, de nada adiantam repetitivos sons e texturas. Tem de haver coisas interessantes acontecendo com a música para se captar a atenção da plateia, pois tão logo esta saiba exatamente qual será o próximo passo e seu interesse cai por terra.
• Ambiguidade melódica e tensão rítmica ajudam muito neste ponto. O Loop Station deve ser encarado como mais um músico a interagir conosco, seja em solo, seja em grupo.
• Parte da interação ‘Músico x Loop’ vem dos controles de start e stop. A decisão humana imperando. O livre arbítrio de começar e parar e recomeçar quando se quer.
• Em temáticas com forma simples tipo AAAA... podem-se deixar as coisas mais interessantes com a adição em layers piramidais, ou seja, com pequenos fragmentos e ritmos sendo acrescentados aos poucos.
• Temos também os fade outs, que podem ser feitos adicionando um pedal de volume, até mesmo para os swells, pré-programando os fades ou mesmo com os controles de feedback. O Line6 DL4 permite fades manuais através de um pedal de expressão. Já o JamMan permite controlar o feedback.
• Mudança de forma é outro artifício. Muitos destes loopers citados permitem vários segmentos que podem ser endereçados como partes A, B, C. Trocar entre as partes pode ser a chave do paraíso.
• Pós-produção e efeitos como varispeeding, reversing, scrambling, replacing, selective overdubbling, etc. O Looperlative e a maioria dos softwares de loopers fazem isto.
Por enquanto é isso!.. é isso!.. é isso!.. é isso! Ooops, me esqueci de desligar o Looper.
Paz Profunda .:.

e-mail para esta coluna:
jorgepescara@backstage.com.br

 

Ok, talvez você já saiba usar um loop station... Ou nem saiba do que se trata... Ou mesmo, acaba de adquirir um e sabe o essencial. Então, se você tornou-se enamorado destas máquinas com a gravação do bass solo ‘slang’ por Jaco Pastorius no início da decada de 1980, ou antes até, com experimentações de Eberhard Weber e David Friesen no electric uprightbass, estas dicas podem ser substanciais para se obter alguns resultados mais consistentes usufruindo de todas as possibilidades que tal aparelho pode oferecer
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