Da floresta para o mundo,
POR NELSON CARDOSO / FOTOS: MARCO DE MENDONÇA E LUIZ GUSTAVO
um festival de som e cores
No meio do Rio Amazonas existe uma ilha. E nesta ilha ocorre o Festival Folclórico de Parintins, um inacreditável espetáculo!
Na década de 90, o compositor e sambista Jorge Aragão (e sua parceira Ana P. Perrona) compôs a toada De Parintins para o mundo nos ver. Na letra, Jorge nos convida a assistir a um dos maiores espetáculos da Terra. E o mais impressionante é que ele ocorre no meio da Mata Amazônica e é feito exclusivamente pelos habitantes da ilha.
Nesta festa, cujo atual formato teve início há 44 anos, as estrelas e personalidades globais são apenas meros espectadores. Aliás, a grande diferença entre o Festival de Parintins e outras manifestações culturais do Brasil é a vibrante participação do povo nas arquibancadas. Os torcedores e simpatizantes de cada agremiação (as galeras) fazem um espetáculo à parte e se comportam de uma forma inacreditável. É de deixar hipnotizado quem assiste, pela primeira vez ou não, ao evento. O Festival de Parintins tem a capacidade de somar a beleza dos carros alegóricos do carnaval do Rio à alegria do carnaval de rua da Bahia. Na arena que serve de palco para as apresentações desfilam figuras saídas do imaginário caboclo, como o Gigante Juma, a Cobra Grande e outras lendas. O festival encena a vida, os costumes, as aspirações e o imaginário do homem amazônico.

COMO TUDO COMEÇOU
A cidade de Parintins está localizada a 392 km de Manaus, na ilha de Tupinambarana, na margem direita do Rio Amazonas, e tornou-se o principal celeiro cultural da Amazônia.
A festa, realizada todos os anos nos dias 28, 29 e 30 de junho, começou quando, em 1912, a comunidade passou a levar o boizinho de pano de Lindolfo Monteverde, chamado de Garantido, para brincar no quintal de moradores ilustres.
Naquele momento nascia o boi-bumbá, que hoje reúne cerca de 35 mil pessoas por dia em um bumbódromo para assistir   à disputa entre os dois bois, representados pelos grupos Vermelho, ou Garantido, e Azul, ou Caprichoso.  Na década de 60, o boi-bumbá foi para as quadras criando então o festival folclórico. Em 1985, foi montado um bumbódromo de madeira, com arquibancadas, camarotes e uma arena acimentada para a apresentação dos grupos. Em 1988, foi finalmente construída a mega-arena que atualmente abriga o evento. A rivalidade entre os bois Azul e Vermelho, inspirados no bumba-meu-boi de São Luís (MA), cresceu, ano após ano, e passou a ser vivenciada de maneira mais organizada, no bumbódromo, que ganhou corpo e hoje é um palco à altura para Garantido e Caprichoso mostrarem sua força. A forma de apresentação também difere muito dos carnavais de outras regiões do país. Os bois Garantido e Caprichoso se apresentam como se estivessem em uma ópera ao ar livre. O repertório de cada um tem pelo menos 20 músicas oficiais. Este ano, o vencedor do 44º Festival Folclórico de Parintins foi o boi Garantido, que trouxe o tema “Emoção” e apostou nas suas cores e no poder das músicas escolhidas para conquistar o público e os jurados. O boi sofreu devido à enchente que atingiu o estado do Amazonas em junho, e precisou deixar seu galpão para produzir as alegorias na rua.

PATROCÍNIO E INFRAESTRUTURA
Como em todo grande evento de sucesso, o patrocínio é peça essencial. Este ano, os bois Garantido e Caprichoso contaram com cerca de R$ 11,5 milhões. Segundo o secretário de Finanças de Parintins, Francisco de Souza Pinto, o investimento geral no festival, incluindo patrocínios e incentivos governamentais, fica entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.
A importância econômica do evento pode ser comprovada pela quantidade de turistas que participa anualmente da programação. Em 2009, cerca de 40 mil pessoas de fora se somaram aos cerca de 115 mil habitantes do município durante os três dias de evento. O aeroporto local, que recebe em média 20 vôos semanais, teve este número ampliado para cerca de 200 vôos no período do festival. Esses quase 180 vôos a mais na semana do festival foram apenas de companhias regulares. Se contabilizadas as aeronaves fretadas e de táxi aéreo, o volume de vôos aumenta pelo menos dez vezes no período da festa, além da grande maioria dos turistas que vem de navio. Ainda de acordo com o secretário, o festival impulsiona a economia de Parintins mesmo fora da época da festa. Por isso, os investimentos feitos na cidade, incluindo infra-estrutura e outras melhorias, são sempre pensados a partir do evento. Ou, em outras palavras, o Festival de Parintins é o grande propulsor econômico do município e tudo gira em torno da grande festa.

A SONORIZAÇÃO
Há três anos, a empresa amazonense Barra Som é a responsável por sonorizar o festival. Para conhecer a empresa e saber como foi feita a sonorização na festa deste ano, conversamos com Eduardo Mendonça, diretor técnico da empresa.
O bumbódromo, como é conhecido o local das apresentações dos bois, é uma espécie de arena que comporta aproximadamente 35 mil pessoas, e a sonorização deve cobrir todo o local (público e participantes do espetáculo). Com isso, o som é montado em torres que ficam em volta da arena, alcançando 360 graus. Em cada torre, as caixas acústicas são posicionadas para fora (público) e para dentro (alegorias, brincantes e os músicos).
Na festa deste ano, foram usadas 38 caixas Fly 2K, 30 LAS 212 (Line Array Attack), 24 SB 850, três consoles M7CL e dois LS 9 da Yamaha, processadores DBX 4800 e Dolby Lake, e microfones UHF-R in-ear da Shure.
Como é um evento competitivo e a rivalidade é muito grande, a maior dificuldade é disponibilizar exatamente o mesmo equipamento para cada agremiação, não podendo haver a menor diferença entre marcas, quantidades, modelos e, principalmente, no atendimento dos técnicos.
A Barra Som é uma locadora de áudio que este ano completou 10 anos de existência. Neste período, adquiriu experiência sonorizando grandes eventos no Amazonas e em estados vizinhos. A lista inclui shows nacionais, internacionais e diversos festivais de expressão, como Samba Manaus, Festival Amazonas Jazz e Festival Amazonas de Ópera, além de festivais de cinema e, claro, o próprio Festival Folclórico de Parintins, entre outros.
A empresa possui diversos sistemas de P.A., como Milo (Meyer Sound), M’elodie (Meyer Sound), Vertec 4889 (JBL), 700-HP (Meyer Sound), Clair Bros 12AM, LAS 212 (Attack) e Fly 2K (Staner), entre outros. Tem também consoles digitais como PM5D-RH (Yamaha), Digidesign Venue Series Five (P.A. e Monitor), além dos modelos M7CL e LS 9, ambos da Yamaha.

 


A equipe responsável pelo som do festival: em pé, da esquerda para direita, Rafael, Paulo, Marcelo, Berg, Willyce, Thiago, Cristiano, Leno, Rogério, Robson, Carlos e Alan. Sentados, da esquerda para direita, Hélio, Helivandro, William, Eduardo, Edílson e Ederaldo