


Na década de 90, o compositor e sambista Jorge Aragão (e sua parceira Ana P. Perrona) compôs a toada De Parintins para o mundo nos ver. Na letra, Jorge nos convida a assistir a um dos maiores espetáculos da Terra. E o mais impressionante é que ele ocorre no meio da Mata Amazônica e é feito exclusivamente pelos habitantes da ilha.
Naquele momento nascia o boi-bumbá, que hoje reúne cerca de 35 mil pessoas por dia em um bumbódromo para assistir à disputa entre os dois bois, representados pelos grupos Vermelho, ou Garantido, e Azul, ou Caprichoso. Na década de 60, o boi-bumbá foi para as quadras criando então o festival folclórico. Em 1985, foi montado um bumbódromo de madeira, com arquibancadas, camarotes e uma arena acimentada para a apresentação dos grupos. Em 1988, foi finalmente construída a mega-arena que atualmente abriga o evento. A rivalidade entre os bois Azul e Vermelho, inspirados no bumba-meu-boi de São Luís (MA), cresceu, ano após ano, e passou a ser vivenciada de maneira mais organizada, no bumbódromo, que ganhou corpo e hoje é um palco à altura para Garantido e Caprichoso mostrarem sua força. A forma de apresentação também difere muito dos carnavais de outras regiões do país. Os bois Garantido e Caprichoso se apresentam como se estivessem em uma ópera ao ar livre. O repertório de cada um tem pelo menos 20 músicas oficiais. Este ano, o vencedor do 44º Festival Folclórico de Parintins foi o boi Garantido, que trouxe o tema “Emoção” e apostou nas suas cores e no poder das músicas escolhidas para conquistar o público e os jurados. O boi sofreu devido à enchente que atingiu o estado do Amazonas em junho, e precisou deixar seu galpão para produzir as alegorias na rua. 
PATROCÍNIO E INFRAESTRUTURA
Como em todo grande evento de sucesso, o patrocínio é peça essencial. Este ano, os bois Garantido e Caprichoso contaram com cerca de R$ 11,5 milhões. Segundo o secretário de Finanças de Parintins, Francisco de Souza Pinto, o investimento geral no festival, incluindo patrocínios e incentivos governamentais, fica entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.
A importância econômica do evento pode ser comprovada pela quantidade de turistas que participa anualmente da programação. Em 2009, cerca de 40 mil pessoas de fora se somaram aos cerca de 115 mil habitantes do município durante
os três dias de evento. O aeroporto local, que recebe em média 20 vôos semanais, teve este número ampliado para cerca de 200 vôos no período do festival. Esses quase 180 vôos a mais na semana do festival foram apenas de companhias regulares. Se contabilizadas as aeronaves fretadas e de táxi aéreo, o volume de vôos aumenta pelo menos dez vezes no período da festa, além da grande maioria dos turistas que vem de navio. Ainda de acordo com o secretário, o festival impulsiona a economia de Parintins mesmo fora da época da festa. Por isso, os investimentos feitos na cidade, incluindo infra-estrutura e outras melhorias, são sempre pensados a partir do evento. Ou, em outras palavras, o Festival de Parintins é o grande propulsor econômico do município e tudo gira em torno da grande festa.
A SONORIZAÇÃO
Há três anos, a empresa amazonense Barra Som é a responsável por sonorizar o festival. Para conhecer a empresa e saber como foi feita a sonorização na festa deste ano, conversamos com Eduardo Mendonça, diretor técnico da empresa.
O bumbódromo, como é conhecido o local das apresentações dos bois, é uma espécie de arena que comporta aproximadamente 35 mil pessoas, e a sonorização deve cobrir todo o local (público e participantes do espetáculo). Com isso, o som é montado em torres que ficam em volta da arena, alcançando 360 graus. Em cada torre, as caixas acústicas são posicionadas para fora (público) e para dentro (alegorias, brincantes e os músicos).
Na festa deste ano, foram usadas 38 caixas Fly 2K, 30 LAS 212 (Line Array Attack), 24 SB 850, três consoles M7CL e dois LS 9 da Yamaha, processadores DBX 4800 e Dolby Lake, e microfones UHF-R in-ear da Shure.
Como é um evento competitivo e a rivalidade é muito grande, a maior dificuldade é disponibilizar exatamente o mesmo equipamento para cada agremiação, não podendo haver a menor diferença entre marcas, quantidades, modelos e, principalmente, no atendimento dos técnicos.
A Barra Som é uma locadora de áudio que este ano completou 10 anos de existência. Neste período, adquiriu experiência sonorizando grandes eventos no Amazonas e em estados vizinhos. A lista inclui shows nacionais, internacionais e diversos festivais de expressão, como Samba Manaus, Festival Amazonas Jazz e Festival Amazonas de Ópera, além de festivais de cinema e, claro, o próprio Festival Folclórico de Parintins, entre outros.
A empresa possui diversos sistemas de P.A., como Milo (Meyer Sound), M’elodie (Meyer Sound), Vertec 4889 (JBL), 700-HP (Meyer Sound), Clair Bros 12AM, LAS 212 (Attack) e Fly 2K (Staner), entre outros. Tem também consoles digitais como PM5D-RH (Yamaha), Digidesign Venue Series Five (P.A. e Monitor), além dos modelos M7CL e LS 9, ambos da Yamaha.
