Rogério Leão é formado em licenciatura com ênfase em guitarra e canto popular pelo Conservatório de Dresden, na Alemanha. Dono do site www.7cordas.com.br, trabalha como músico, produtor musical, produtor para peças teatrais, artistas, bandas e compositor de trilhas para jogos, cinema e televisão.
E DEPOIS DE TANTO TEMPO,
DE VOLTA À PROGRAMAÇÃO NORMAL

A minha escolha de palavras, quando eu escrevo “recente” não foi despropositada, e nem mesmo ela foi uma mera substituição da palavra “moderna”, por exemplo. Sim, isso porque, sendo ou não recente um produto “moderno” não quer dizer bom, e nem mesmo necessariamente interessante. Mas sem muitas delongas vamos voltar logo a falar sobre o que interessa. E o que interessa são as dezenas de novidades de que você provavelmente só ouviu falar, e no máximo, pela Internet mesmo. Desde o final do ano, todas as empresas fizeram questão de lançar uma grande quantidade de produtos no mercado. Eu não sei se por medo da crise, ou por qual motivo, as feiras desse início de ano ( a “Winter Namm” e a “Musikmesse”) foram extremamente interessantes e vários novos produtos já estão prestes a atingir as lojas brasileiras.
A Fulltone sempre empenhou bastante experimento e desenvolvimento em seus produtos e alguns dos projetos que estavam sendo trabalhados já há algum tempo finalmente foram lançados ao mercado. Eles variam desde uma nova fuzzbox até vibes e chorus estéreos.
O Catalyst segue um pouco os padrões do bem sucedido, porém extinto, Distortion pro, a diferença é a de que ele é um Fuzz e não uma distorção. Como a própria página do fabricante cita, pedais de Fuzz podem ser um pouco difíceis de trabalhar e relativamente pouco flexíveis. A empresa então se empenhou em controlar as frequências médias, para um melhor controle timbrístico junto a outros instrumentos e amplificadores e a dar o máximo possível de espaço para diminuir a saturação, ou seja, para limpar o som.
Além disso, a marca trouxe, ou está para trazer, ao mercado pedais como o Deja’Vibe, um vibrato/chorus com um controle contínuo e uma flexibilidade muito superior a de seus antecessores e concorrentes; o primeiro endorsement da marca, o “Robin Trower Overdrive”; uma nova versão do Fat Boost e por último uma nova versão do Choralflange, o Cfv-2. O Choralflange 2 ainda não chegou às lojas, mas promete trazer consigo uma enorme flexibilidade, com modulações analógicas e estéreos como Chorus, vibrato, flanger, e até mesmo um delay e um overdrive embutido.
Por falar em delay, um dos mercados mais concorridos não ficou por menos. A Tc.Eletronic, por exemplo, lançou um novo pedal de delay da Série “Nova” chamado “Nova Repeater”. Ele é uma versão mais simples e direta do “Nova Delay”, com recursos voltados ao usuário adepto de qualidade e simplicidade.
A Digitech tambem tentava entrar no mercado dos “Super-flexíveis-e-programáveis-pedais-de-delay”. Na Namm ela lançou o Time bender que simula dez tipos diferentes de delay e conta com um looper de vinte segundos. A concorrência dentro desse mercado já está grande, mas o Timebender tem sim algumas inovações interessantes, como uma opção na qual você simplesmente toca o padrão rítmico com o que você deseja que o delay funcione e outra que permite harmonizar as repetições.

IBANEZ
Depois de ter relançado mais um de seus clássicos, o flying pan, e de ter lançado o primeiro pedal de assinatura, o jemini, a Ibanez lançou mais um pedal, que mesmo com um visual que parece ter décadas e décadas é nada mais nada menos do que uma novidade, patrocinada pelo guitarrista Paul Gilbert. O AF2, ou “Airplane Flanger”.

BOSS
O surpreendente foi como a Boss teve dificuldade para manter a velocidade junto às demais companhias. Durante esses meses ela apenas realizou uma série de mudanças estéticas em seus afinadores e lançou um upgrade importante para o ME-50, o ME-70. Vocês já podem esperar novidades por aí.
A Dunlop tenta cada vez mais marcar o mercado como a principal fabricante de wah-wahs, lançou três novas opções, a reedição do extinto Booster/wah estacionário Q-Zone, em uma versão tatuada, como “Kerry King Q-zone” e dois wah-wahs tradicionais. Um deles fabricado em conjunto com a CAE, o MC-404 e o outro em conjunto com o Guitarrista, bom pai e garoto propaganda Eddie Van Halen. Esse é o terceiro pedal lançado pelo guitarrista desde seu afastamento dos palcos, que coincide também com a Butique EVH, onde você pode comprar de tudo para sair por aí tocando Eruption e se enganar que está igualzinho ao próprio.
Na área de amplificadores valvulados de baixa potência, as empresas inglesas parecem se digladiar para descobrirem qual é a mais representativa no mercado. A Orange, a Vox e a Marshall lançaram novos aparelhos nos últimos meses. Vale chamar atenção para a visão que a Orange teve em lançar o primeiro, e até agora mais significativo e competidor, o Tiny Terror. Para os mercados de terceiro mundo esses amplificadores vieram bem a calhar por serem mais baratos, mas o lugar perfeito para eles são os estúdios, home estúdios e apartamentos de todo o mundo, já que eles podem ser usados com o máximo da potência sem muita dificuldade.
O Tiny Terror já abriu franquias até mesmo dentro da Orange. Ela já lançou recentemente uma versão combo, com alto-falantes celestion G12H-30; uma versão de luxo “Hardwired Edition”; um modelo com dois canais e 30 watts “Dual Terror” e o “Terror Bass”, uma versão para contrabaixistas. Imaginem então o impacto que ela gerou nas concorrentes. A Marshall, por exemplo, lançou dois modelos da nova série Haze, ambos valvulados. Um combo de 40 watts e, não surpreendentemente, um cabeçote de 15 watts, que só se distancia de seus concorrentes pela cobertura de madeira e por ter diversos recursos que vão desde efeitos ao que pode se entender como um segundo canal, ou como um pedal de overdrive embutido.
Mas o mais curioso mesmo foi o lançamento do Vox Night Train, um amplificador sem cobertura de madeira com 15 watts, um canal e cerca de sete quilos... Surpreendente que a Vox esteja tentando competir justo com a empresa que só voltou a ter uma representação no mercado porque a sua produção foi transferida para a China? Sem entrar na questão do lugar onde os produtos são fabricados com mais ou menos qualidade, a Vox lançou também reedições dos clássicos AC4 em formato de combo e de cabeçote.
Passando para a sua faceta de fabricante de efeitos de guitarra a Vox lançou a nova e mais simplificada adição para a série Valvetronix, o Tonelab ST, mas se empenhou mesmo em continuar redesenhando toda a pedaleira do guitarrista Joe Satriani com aparelhos da marca, e já lançou até agora três modelos diferentes, o pedal de distorção/booster “Satchurator”, o delay “Time Machine” e o “Big Bad Wah” que tenta abranger desde os já famosos timbres clássicos de wah ingleses, até o som particular do músico, incluindo até mesmo um controle de drive.
A Line6 e a Electro-Harmoix deram uma pausa, depois dos infindáveis lançamentos no decorrer dos últimos tempos e a única novidade mais relevante ficou a cargo da segunda empresa, que chamou atenção com o lançamento do Voicebox, uma versão digital (logo inofensiva à sua dentição) dos talkboxes, melhor dizendo, uma espécie de Vocoder voltada para guitarristas, dentro dos padrões do extinto Digitech Talker. Na opinião do que vos escreve, essa foi a segunda melhor novidade dos últimos meses, perdendo exclusivamente para o relançamento do Matchless Hotbox, que apesar de ser tão desejado e tão frequentemente clonado, não tem distribuidor algum no Brasil.
Assim como a Matchless, a maioria das marcas mais representativas, como a Dr.Z, a Bogner e a própria Mesa Boogie, que tanto já vendeu por aqui, hoje não tem nenhum distribuidor autorizado e todo um mercado é deixado aberto nas mãos de pequenos importadores e construtores nacionais. Essas marcas americanas não iriam de forma alguma ficar para trás em relação a seus concorrentes britânicos e vários novos produtos chegaram ao mercado. A Paul Reed Smith, famosa marca de guitarras de elite, lançou a sua primeira linha de amplificadores, a Rivera lançou a série Venus, a Bogner lançou o Alchemist, a Mesa Boogie lançou o Mark V e o Electrdyne e a Matchless lançou além do Hotbox, o little monster e o 30/15, ambos voltados também ao mercado de baixa potência, que parece mesmo ser a bola da vez. Todos eles são produtos muito caros, mas de primeira qualidade, que prometem recompensar seus consumidores com um nirvana sonoro irrepreensível.
Aproveite para dar uma pesquisada na Internet, essa é sempre uma boa época do ano para sonhar e preparar os seus desejos para o ano que está vindo.
Até a próxima.

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Olá para todos! Depois de alguns meses em recesso, estou de volta às minhas colunas para comentar o que há de melhor e mais recente no mundo das guitarras, amplificadores e efeitos
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