Big Joe Manfra
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Fotos: Big Joe Manfra / Divulgação

Nos pavilhões de A a D, no andar térreo, estava concentrada a maioria dos expositores e as marcas mais conhecidas, com a presença constante de personalidades do mundo da música, tanto dentro dos estandes, em áreas protegidas, quanto simplesmente andando pelos corredores.
Também houve atrações curiosas, como uma sessão de autógrafos de uma modelo da Playboy americana que lançava uma linha de palhetas personalizadas da revista no estande da Clayton Picks. Na sala de imprensa, onde havia um palco com frequentes demonstrações de novos equipamentos, era possível ver desde um produto que misturava uma espécie de oboé com sons eletrônicos disparados pelas mãos, chamado Eigenlabs Eigenharp Tau, até Gene Simmons, baixista do Kiss, lançando seu manjado axe bass em forma de machado pela Cort.

SUPERMÁQUINAS
Havia também marcas tentando chamar a atenção com atrações automobilísticas, como as guitarras Hallmark, marca que tinha um batmóvel em seu estande. Da mesma forma, a Reunion Blues, de ótimas gig bags, levou um Corvette 1963. A empresa tem um curioso vídeo de demonstração em que as gig bags são atiradas do segundo andar de um prédio, com a guitarra sendo retirada da bag sem nenhum arranhão. É ver para crer!!!
A Roland talvez tivesse o maior dos estandes em um espaço chamado de arena, ao final da área dos pavilhões. Houve demonstrações constantes de produtos da própria marca e dos produtos Boss. Em várias ilhas montadas com sistemas para guitarras, era possível experimentar todos os produtos em um número impressionante de equipamentos espalhados ao longo do salão. Em um pequeno teatro separado, aconteceram workshops específicos de produtos mais avançados e lançamentos.
Local dos mais visitados, no terceiro andar, o QG da Fender, hoje uma das maiores empresas do mercado, ocupava uma grande área com vários estandes em um, contando ainda com um grande espaço só para encontros de negócios e um palco montado para shows especiais que aconteciam ao longo dos dias. O estande do Fender Custom Shop teve uma atenção especial, em um ambiente que lembrava um posto de gasolina, com atrações se apresentando e suas belas e criativas guitarras, expostas em grande número nas paredes, chamavam a atenção.
A área das guitarras Gretsch, hoje uma das marcas pertencentes à Fender, exibia uma decoração vintage com destaque para as linhas Chet Atkins e Brian Setzer, também com um palco para pequenos shows. No estande houve espaço ainda para as marcas EVH (do guitarrista Edward Van Halen), Guild e Jackson, todas da empresa, além das linhas de baixos e de amplificadores Fender.

AUSÊNCIA
No segundo andar, o destaque foi a Taylor, com um grande palco para apresentações de seus artistas, além da vasta linha de violões e guitarras da marca. A Yamaha tinha seu próprio pavilhão, no Marquis Ballroom, já no lado de fora do centro de convenções. Do outro lado, era possível visitar um ônibus da Fundação John Lennon montado com equipamento de última tecnologia para edição de áudio e vídeo, construído para auxiliar projetos em comunidades, uma ideia muito bacana e que deu o que falar.
A grande ausência sentida foi a da Gibson, que, para não dizer que não estava lá, colocou algumas poucas guitarras no estande da Monster Cable, gerando especulações bastante contraditórias, já que a empresa sempre marcou presença nesse tipo de evento. A atitude gerou rumores de que a companhia estaria sendo



Nos corredores

de Anaheim
Cidade de Anaheim, Califórnia, Estados Unidos, mais conhecida como a cidade da Disneylândia. O Namm Show acontece anualmente no imponente centro de convenções da cidade, um complexo que impressiona por seu tamanho e arquitetura moderna, tornando-se, na prática, uma espécie de Disneylândia para parte dos músicos. Para a outra parte representa a maior oportunidade de negócios do mercado musical americano, em que estão representadas milhares de marcas do mundo inteiro, atraindo cerca de 1.500 expositores e 85 mil visitantes nos quatro dias de duração, mesmo não sendo aberta ao público.
O primeiro contato foi com o Pavilhão E, no subsolo, onde estavam as marcas brasileiras Hering, Bends, Selenium, Meteoro, GNI (NIG no Brasil), Giannini, Santo Ângelo e Musical Izzo. Esta área é menor em tamanho, mas também em poluição sonora, aspecto que aumentou a cada dia nos pavilhões, tornando a demonstração dos produtos mais difícil. A concentração de estandes de instrumentos acústicos neste setor era grande, justamente pelo detalhe do volume de som. Violões, gaitas,
instrumentos de sopro em geral e acústicos de todos os tipos se espalhavam pelos estandes no salão. Para se ter uma ideia da importância da exposição de uma marca na feira, na entrada desse pavilhão podia-se encontrar todas as revistas do mercado musical americano, além de algumas estrangeiras, à disposição de quem quisesse levar um exemplar.

negociada, mas um blog chegou a publicar que há boatos do fechamento da fábrica até o fim do verão americano (em setembro), sem nenhum comunicado oficial da fábrica.
Entre os produtos exibidos, podemos facilmente notar, além da invasão oriental de sempre, com inúmeras marcas de todos os tipos de instrumentos, uma diminuição na quantidade de expositores, fruto da crise mundial. Comentava-se que, este ano, era muito mais fácil circular pelos pavilhões, com poucas filas nos pontos de vendas de alimentação e alguns locais para estandes sem ocupação. A indústria do entretenimento em geral foi seriamente afetada pela crise global e pelas vendas via internet, que acabaram por fechar várias lojas tradicionais de comércio de instrumentos.
Apesar dos problemas econômicos, o que se notou foi uma tendência de adaptação da indústria ao mundo moderno. Várias aplicações musicais e acessórios para iPhones podiam ser vistas entre os produtos. Algumas curiosas, como a que usa o iPhone como um teleprompter, da Radial. Outras, mais sofisticadas, incluem gravadores multipistas, como o iSample, da Way Out Ware; afinadores de strobo, como o iStroboSoft, da Peterson; e um microfone condensador estéreo chamado Mikey, da Blue Microphones, que utiliza o iCicle, uma conexão que também funciona como pré e conversor USB.

VINTAGE
Outra tendência é dos produtos com visual vintage e utilização moderna. Vários microfones com aparência vintage, como um RCA antigo, porém com saída USB e até tecnologia THX. Outro lançamento da Blue Microphones, o Yeti, além de um visual simpático, tem três cápsulas para diferentes combinações de gravação.
O visual vintage predomina também nos lançamentos de guitarras, com várias marcas de menor produção lançando cópias de Teles e Stratos com visual de usados. A Fender aposta nos acabamentos do tipo Relic em sua linha mais popular, com as Road Worn Series de baixos e guitarras, antes restritas apenas aos instrumentos mais caros. Além disso, segue apostando em outras marcas adquiridas ao longo dos anos, como as guitarras Gretsch e a linha de produtos EVH. Mas nenhum estande chamou tanto a atenção dos guitarristas como o do luthier James Trussart, que faz guitarras de corpo de aço e as envelhece em um processo que as deixa com um visual único. Mais custom, impossível.

A Mesa Boogie lançou o Transatlantic, um cabeçote com variação de potência entre 5 W e 25 W, mas que cabe em uma pequena bolsa, com visual de amp de boutique e valor abaixo dos US$ 900 para o consumidor, faixa de preço rara para a marca. Já a Matchless exibiu um amp todo transparente. O destaque entre os amps de boutique, porém, ficou com os Carr, de excelente som e acabamento, feitos por Steve Carr e usados por Coco Montoya e Johnny Hiland, entre outros, que compareceram ao estande, levaram um som e agradaram em cheio a quem passava. A Marshall, com seus tradicionais amps, exibia uma fila imensa para ver Slash.

PRÁTICOS
A novidade, no entanto, era o pequeno amp Class 5, lançado há pouco tempo e endorsado por Joe Bonamassa. A Orange montou um dos locais mais legais, com quase 80 amps agrupados como uma parede, que chamavam bastante a atenção de longe. Na TC Eletronics, um dos produtos de maior visibilidade da feira foi o afinador que ajusta todas as cordas da guitarra de uma só vez, sem precisar mais tocá-las separadamente.

Entre os acústicos, a Martin exibiu toda a classe de sua linha com vários modelos signature, enquanto a Taylor lançou um modelo de oito cordas, com a terceira e quarta cordas em dobro. Vale mencionar também os bons violões da Walden, marca que está começando a ganhar espaço nesse concorrido mercado, e o estande dos dobros da National Resophonic, um ponto de encontro de violonistas.
A Warwick, com sua linha de baixos signature, levou dois ex-baixistas de James Brown: o lendário Bootsy Collins e o incrível T.M. Stevens. Enquanto isso, a Fodera recebeu Victor Wooten para jam sessions e Flea, dos Red Hot Chili Peppers, lançou seu baixo multicolorido. Os mais incríveis expositores são os de bateria, com uma impressionante quantidade de instrumentos para se experimentar.
A conclusão que se tira do Namm Show 2010 é que o mercado americano está mais competitivo do que nunca com a globalização. Mas apesar do menor público, a quantidade de novidades foi bastante boa, com os expositores ficando bem satisfeitos e esperançosos com relação a um ano que promete excelentes negócios.