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Os tigres musicais estão com fome "Na China, o trade show foi um megaevento, juntando uma feira especializada em música e áudio e outra em iluminação, atraindo um público muito diferente. Gente de todos os tipos - músicos, empresários, um batalhão de curiosos, imprensa. Tudo de forma massiva, muito forte, como tem sido a atuação chinesa na maioria dos mercados em que sua economia investe. Por ser um país emergente, que passou muito tempo fechado ao Ocidente, o público enorme da feira era pouco informado, porém com grande potencial para consumo de tecnologia musical. Para ficar em apenas um exemplo, softwares reconhecidos como ProTools ainda despertam a curiosidade do público presente. Essa presença massiva acaba exigindo das empresas um novo nível de comunicação e exposição dos produtos e a batalha foi intensa. Ao contrário do clima de boa-vizinhança do norte-americano NAMM, o mercado de áudio chinês não tem a diplomacia como prioridade. Se por um lado esse público força a competição para "ganhar" os visitantes e sua educação tecnológica e musical, por outro exige mudanças estruturais nas empresas que querem devorar esse mercado. Faltam ainda fórmulas para atender a esse novo público. O modelo empresarial chinês parece estar colidindo de frente com o americano. Os chineses têm uma herança milenar no que se refere à obediência, e mesmo depois do fim do império, os anos de socialismo mantiveram a criatividade sob rédea curta. O modelo "Microsoft" americano, de bermuda e Ipod, com flexibilidade nos horários não é respeitável aos olhos chineses. E os modelos entram em colisão com a contratação em massa de executivos formados por Harward, Yale, Berklee, etc., para gerir, advogar e girar os negócios chineses dentro da nova arquitetura global, feita mais por necessidade do que por convicção.
O estande da M-Audio, onde me apresentei, recebeu muitos visitantes, e contou com equipamentos de última geração e sistema de P.A. de altíssimo nível - e isso em si já foi um grande diferencial, porque no meio do ruído da feira, a música se saía bem. Por ser a segunda edição que participo, curiosamente, já estou formando um público. O jeito oriental é muito interessante: querem fotos, autógrafos, fazem algazarra e milhões de caretas na tentativa de falar uma frase em inglês que expresse o carinho - e conseguem! A PALM na Índia é uma feira menos desenvolvida. A música local é bastante ouvida, porém muito diluída em música eletrônica, reflexo da ocidentalização forte da música indiana, forçada por aspectos econômicos e culturais. A impressão é de uma Índia que estava 40 anos atrás e hoje vive um salto tecnológico para 2010 em vários aspectos. Da mesma forma que o sintetizador influenciou os primeiros grupos de música eletrônica nos anos 60, na Índia, a popularização de conteúdos globalizados e os pólos de fabricação de grandes empresas do setor informático têm seu impacto. Mesmo sem uma renda per capita alta, que permita o consumo massivo de tecnologia musical, indiano é cada vez mais fascinado por uma tecnologia que o confronta e inspira. Com intensidades diferentes, Índia e China estão abertos à música ocidental e à nova tecnologia para produzi-la. Por várias ondas culturais que nos aproximam dos indianos, temos um nível de entendimento bem mais profundo quanto a essa cultura do que com a chinesa. Mas ambos são mercados crescentes, que devem se expandir muito rapidamente. *Como artista M-Powered, Thiago Pinheiro teve a oportunidade de participar dos dois maiores trade shows do Oriente: PALM EXPO China e Índia.
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