Я Не Поняла ! ou seja : Eu não entendo ! (*1)

Depois de um periodo meio conturbado, volto a postar por aqui.
Para os mais ansiosos, a atualização do texto sobre LINE ARRAYS vai ser postada em breve, mas o que vou postar neste momento, pode ser entendido mais ou menos como um desabafo, na falta (momentanea) de palavra melhor.

Recentemente fui chamado para avaliar dois sistemas de sons, pertencentes a duas igrejas diferentes, ambas evangelicas, mas de denominações diferentes. Dada as semelhanças entre as construções e sistemas instalados, as descrições que farei são válidas quase que integralmente para ambas. As poucas diferenças tem pouco peso numa analise mais abrangente.

Os dois locais são realmente muito grandes, e não saberia dizer qual o tamanho de audiencia que comportam, mas seguramente ultrapassam 1,500 assentos.

Pois bem, fazendo uma avaliação de ambos, pude notar que não houve economia na cosntrução deles; da mesma forma como não se economizou em equipamentos de audio e video, tão pouco com sistemas de ar condicionado / ventilação e iluminação, tanto cênica (para os videos) como técnica mesmo.

Bem, como minha especialidade é audio e eletro-acustica, vou me ater apenas a estes  pontos. Percebe-se que todos os equipamentos, são de boa para excelente qualidade.

Mas em momento algum, nota-se que foi feito um projetinho básico para sua instalação e poscionamento dos mesmos. Em condições de uso, isso acaba se traduzindo em uma salada sonora quase que inacreditavel para que tem um minimo de noção básica de sistemas de som.

Essa salada acaba sendo ainda mais misturada pela total falta de homogeneidade dos equipamentos. Inicialmente, temos um PA, tipo L-C-R (*2) que visivelmente não atende toda a audiencia. De forma que isso levou a instalação de mais caixas para melhorar a cobertura nas areas sob os mezaninos (under balcony), depois de outras caixas destinadas para cobrir outras areas dos anfiteatros e assim por diante.

Sendo que a bagunça não era completa, um sistema destinado ao FRONT FILL (*3) também foi instalado, claro que as caixas usadas nesse sub-sistema tambem são radicalmente diferentes das demais. Nem sei se preciso comentar que não existe coerencia de fase entre cada um desses sistemas, assim em determinados pontos da plateia tem-se uma mesma informação chegam em até 4 tempos distintos (delays) o que dá uma tremenda ajuda à inteligibilidade (*4) do programa. O que convenhamos, num lugar cuja função principal é a difusão da PALAVRA acaba sendo um tremendo contra-senso, ou não ?

Ainda considerando apenas os sistemas de som, temos todo o sistema de monitoração da orquestra, do coro e dos preletores. Cada um deles configurado como um sub-stima distinto. Não sendo isso o bastante, outro fato bastante comum em igrejas de qualquer denomiação ou credo, todo o sistema de monitor esta posicionado à frente daquilo que se pode chamar de PA PRINCIPAL.

Obviamente que se olharmos ambos os sistemas, PA e MONITOR, quando em operação, não teremos a menor chance de fugirmos da LEI DE MURPHY, ou seja, se vai acontecer algum problema, ele vai acontecer na pior hora possivel e da pior forma possivel.

Alias, graças a isso, não posso evitar elogios aos (pobres) tecnicos de ambos os locais, pois eles se viram bem demais diante de tantas adversidades.

Mas voltando, como disse a não economia de recursos em ambas as igrejas é notada muito facilmente depois de uns minutos de observação desses locais, e é isso que me levou ao titulo desta postagem, ou seja : Eu não entendo !

Acontece, que em momento nenhum, consegue-se notar algum traço ou intenção de um projeto de tratamento acustico. Pisos de marmore, enormes areas envidraçadas, grandes areas de paredes nuas (apenas pintadas), absolutamente nada aplicado ao teto …

Minha pergunta seria a seguinte, se não houve economia de forma geral, porque não se fez um projetinho basico de eletro-acustica, contemplando posicionamento de caixas acústicas e uma previsão de tratamento acustico, que no minimo pudesse propiciar a atenuação de algumas reflexões primarias. Formas de se fazer isso existem e são bastante exequiveis, e muito possivelmente o custo de um projeto desses, mais a execução do tratamento acustico seria uma fração quase infima daquilo que tem sido gasto no projeto global.E é isso que eu não entendo !

O custo assusta ? Não deveria, pois meio que historicamente, projeto e execução do mesmo ficariam em algo em torno de 3% ou 4% do custo global da obra, se não menos.

O detalhe é que agora, qualquer solução que venha a ser adotada em termos de acustica para ambos os locais, fatalmente vai ficar muito mais cara que se realizada durante as obras. Pois paredes não são mais passiveis de serem derrubadas ou alteradas, as cargas (peso) a serem instaladas no teto, deverão ser cuidadosamente avaliadas e projetadas, de forma a atender aquilo que já existe (projeto estrutural) e o proprio processo de implatação dessas medidas vai ficar mais caro e problematico, pois fatalmente em algum momento, vão prejudicar ou paralisar os proprios cultos, ja que que por exemplo, a montagem / desmontagem de andaimes não vai ser possivel ou pratica, a remoção deste ou daquele material tambem não poderá acontecer e assim por diante …

Frequentemente, ouve-se de alguns lideres que esta ou aquela igreja nos USA, ou Europa, tem um som maravilhoso, uma acustica perfeita, que nunca rola uma microfoniazinha básica e outros detalhes associados. Ai eu me pergunto e pergunto a eles tambem, porque lá fora se da tanta atenção aos projetos de forma global, e por aqui praticamente sem exceção se foge da palavra projeto, como uma certa entidade foge de um certo simbolo ? E nessa hora a resposta que obtenho é um silencio quase que constrangedor …

Afinal, o que é tão diferente entre nosso pais e os demais paises ?

Obvio que existem exceções a isso, mas elas apenas confirma a regra …

Por motivos de ordem pratica, dessa vez não foi possivel a utilização de fotos, espero que compreendam.

Algumas notas e observações :

(*1) Graças ao tradutor do Google !

(*2) L-C-R, significa Left-Center-Right, um sistema de som onde temos, além dos canais direito e esquerdo, um canal central,

(*3) FRONT FILL, (“_enchimento_frontal_“) termo que descreve um sistema de som destinado a cobrir a area imediatamente em frente ao palco ou equivalente, uma vez que o sistema principal não cosiga cobrir adequadamente essa região. Da mesma forma que existem os chamados SIDE FILL e DOWN FILL, respectivamente enchimento lateral e inferior.

(*4) INTELIGIBILIDADE, termo que define o quanto se consegue entender de uma mensagem que esta sendo reproduzida num ambiente qualquer, tanto faz se é veiculada de forma natural (voz / grito) quanto atraves de um sistema de reforço sonoro. Quanto maior o valore em PORCENTAGEM mais se entende o que foi dito. Cada tipo de ambiente em função de seu uso requer uma determinada faixa de inteligibilidade. Por exemplo, salas destinadas a conferencias ou tribunais devem ter valores o mais proximos de 100% possivel, ja danceterias podem assumir valores bem mais baixos.em miudos, se numa lista de 100 palavras, as 100 são entendidas por todas as pessoas num local temos uma inteligibilidade de 100%, se nehuma palavra é entendida temos 0%. Existem outros termos que se relacionam à INTELIGIBILIDADE que podem ser por exemplo PERDA CONSONANTAL ou de ARTICULAÇÃO, indice RASTI ou STI, mas pelo momento basta sabermos ao que eles são atrelados.

11 ideias sobre “Я Не Поняла ! ou seja : Eu não entendo ! (*1)

  1. Herr Ullmann.

    Bem-vindo ao mundo sem planejamento das igrejas evangélicas. A minha maior dificuldade, nestes anos todos trabalhando com igrejas, está exatamente em convencer as lideranças, que com planejamento pode-se obter um sistema de som de boa qualidade a um custo razoável.

    Recentemente eu participei de uma reunião em uma igreja, onde a liderança deixou que todos (e não é uma metáfora, foram literalmente todos) os equipamentos se danificassem para pensar em susbstituir o sistema. Eles tem funcionado nas duas últimas semanas com equipamentos emprestados e a liderança não queria liberar a verba para a aquisição dos novos aparelhos. Eles querem construir outro banheiro! Eu disse a eles, sob pena de perder o cliente, que a situação estava daquele jeito por culpa deles próprios, que não planejaram a atualização do sistema, a qual poderia ter sido gradual. Agora vão ter de comprar tudo de uma vez.

    Eu já estou nisso há quase trinta anos, meu caro Walter, e até hoje continuo sem entender.

    Excelente texto.

    []‘s

      • Trabalho com som de igreja há 17 anos e sempre que tenho oportunidade converso com líderes de igrejas sobre a necessidade de um projeto na área de sonorização e acústica, mas parece que muitas vezes estamos falando de coisas horríveis pra eles, alguns até entende, mas não tem coragem. Para muitas igrejas o som disse “um”, “dois” já é o suficiente e se der uma microfonia o pobre técnico(que as vezes nem técnico é, é o menino que “mexe” no som) é quem paga o pato e isso dá uma tristeza!!!!

  2. O fato é que as igrejas evangélicas (sou membro de uma delas), habitualmente, não dão aos seus pastores/ líderes, qualquer formação como administradores. Vemos à frente da maioria das denominações pessoas com razoáveis habilidades para várias coisas, mas incapazes de traçar um planejamento um pouco mais complexo e executá-lo. A maioria das igrejas não sofre pela falta de dinheiro, mas pelo mal uso dele.
    Neste momento estou quebrando a cabeça para providenciar um bom sistema de som para a igreja onde congrego. O templo é novinho em folha e está belíssimo mas adivinhem: não há dinheiro para o som. Adivinhem mais: Vamos ou não vamos investir em intervenções mais que necessárias (e atrasadas) na acústica? Provavelmente tão cedo, não. Já ofereceram um tal de forro acústico genérico, infelizmente tem gente bem inclinada a aceitar.
    Me inveredei pelo mundo do áudio simplesmente por estar cansado do show de horrores que venho acompanhando há muito tempo entre as igrejas que frequentei. Mas o show parece que ainda tem que continuar.

  3. Realmente! Trabalho com som de igrejas a anos e a dificuldade maior é convencer a liderança das igrejas da necessidade de planejamento na área de áudio, vídeo e acústica. Em alguns casos temos sucesso neste convencimento e o resultado é gratificante para todos, inclusive para a liderança das igrejas. E onde, à primeira vista não convencemos, somos chamados tempos depois para consertar tudo.

  4. Acrescente-se aí a culpa dos arquitetos e engenheiros que projetam auditórios para palestras e música ao vivo e esquecem da acústica; criam palcos de mármore com cachoeiras e grandes aberturas de vidro, mas nada que seja favorável à inteligibilidade do que vai ser falado e cantado. Vale somente a estética.

    • Sim esse é um item crucial, que me leva a pensar se realmente existe uma cadeira de Acustica ou equivalente em inumeras FACs de arquitetura, pois certas coisas que vemos por ai simplesmente não tem nada, absolutamente nada, de possiveis cuidados com relação à Acustica !

    • Engenheiros e arquitetos constroem somente visando a aparência e conforto físico, não visam um conforto auditivo e visual, enchem as igrejas de vidros e pé direitos enormes sem nenhum tratamento acústico.

  5. Prezado Senhor Ullmann: não entendi a sua frase: o que dá uma tremenda ajuda à inteligibilidade……! Não seria o contrário? Parabéns por seu artigo, corresponde, infelizmente, à nossa realidade! Saudações!

    • Caro William,
      Se vc der uma nova lida na postagem, vai notar que a tecla IRONIA MODE esta acionada, ou seja, IRONIA MODE ON DETECTED.
      Mas apenas para deixar as claras, realmente o fato descrito prejudica em demasia a INTELIGIBILIDADE !
      Grato pelo comentario !

  6. Há dois anos fui chamado para operar o som da igreja. Comecei a ver os mais velhos fazendo, até que alguns meses depois eu me vi sozinho. A princípio aquilo era apenas um cargo. Mas por uma combinação de empatia com o assunto e MOTIVAÇÃO E INCENTIVO DO LÍDER, comecei a ler manuais e pesquisar sobre tudo o quanto tinha dúvidas. Como todo Cristão deveria saber, quando se faz algo com excelência, uma consequência é atrair outras pessoas para aquilo – e esse princípio explode mundo afora. Hoje passo “pentes finos” na igreja, na tentativa de encontrar pessoas que, assim como eu, queiram o ENCARGO de ser um operador de som.

    O templo da igreja acomoda, em média, 800 pessoas. Eis o sistema:

    Mesa Peavey PV20
    Behringer Multicom 1400 (só um canal funciona; está no mic do Pr.)

    PA: 2x Peavey PV215D + 1x Staner SR315A
    Mon.: 3x Staner SR315A

    Mics: Shure’s 2x B58A + 2x SM58 + SM57 + PGDMK6

    Como é o som? Bom! Na medida do que tenho, assim o faço, e faço com o mais prazer do que quando estou em uma festa de casamento ou formatura operando um sistema de 22.000 watts com uma X32, DCX2496 e dbx 260.

    Alguns podem questionar: “Cadê o investimento no som!?” Bem, ele sempre existiu. Nos últimos dois anos, foram mais de 25 mil reais investidos. Em 2015 Deus nos levou a um lugar 7 vezes maior de onde estávamos. A compra do local, a obra (erguida pelos membros da igreja), o ar-condicionado etc, consumiram o dinheiro. Mas não me calei! Continuei aprendendo, vou à AES pela primeira vez esse ano, e no fim desse mês vou realizar o primeiro curso de som, durante 4 horas.

    Precisamos de técnicos e operadores submissos e tementes à Deus. Sejamos pacientes, mas principalmente excelentes no que fazemos!

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