Meus caminhos nas mixes de in-ears!!!

BlogComo eu sempre digo, e não é uma unanimidade, não existe que não goste de in-ears e sim quem usou errado!!! Fato… Não adianta pegar os phones, distribuir pra quem nunca usou e dizer “olha que legal”!!!… Tragédia anunciada. Nesse post vou descrever meu sistema de mixar e trabalhar com essa maravilha no mundo do Monitor. Bem-vindos.

Não existe “o melhor cara do monitor”, mas sim o melhor procedimento… Costumo comparar nosso trabalho com a aviação. Os caras que são mais considerados no mercado, são os que seguem os melhores procedimentos!!! Pular um deles no stage é fazer um pouso sem ter checado os flaps antes da decolagem. Simples assim…

O primeiro passo é uma audiometria muito bem feita, por profissionais focados e procedimentos direcionados aos usuários no stage. Além do que, um completo conhecimento sobre preservação auditiva não pode de maneira nenhuma ser ignorado. Depois não reclame da sorte!!!

O próximo é escolher o equipamento, antes de fazer o molde. Simples assim; pegue seu artista ou músico, coloque no iPod os discos que ele mais curte e parta para um representante dos phones que você indicará para compra.Existem “N” modelos disponíveis no mercado brasileiro. É pessoal…

Em tempo, não precisamos levar o cachorrinho dos nossos artistas e músicos pra passear na pracinha, ver a novela das 21:00 hs e depois comer uma pizza com  eles, mas uma proximidade artística e técnica é extremamente importante. Quando contratam alguém para mix no stage, contratam pela assinatura profissional e estrada de cada um… Vc tem que saber quem está na ponta da mix, seu gosto pessoal, suas preferências, assim como as pessoas no stage tem que saber quem pilota a console!!! Fica fácil, poucos sinais e uma certa intimidade no mic de comunicação na hora do show ajuda demais!!! Fato…

Partindo de uma varredura de RF bem resolvida, de um equipamento alinhado e com manutenção preventiva em dia (não adianta passar “pneu pretinho” no bodypack e falar que está novo), vamos lá…

Eu costumo colocar meu artista na console, com uma sugestão de ajuste básico na voz, e aos poucos ambientando o ear e definindo um volume confortável para o início das mixes. Não adianta colocar o volume no 02, porque não vai existir nenhuma possibilidade de um range cômodo de trabalho. Aos poucos vou acrescentando a banda, sempre respeitando a imagem e espaço stereo do palco. Não tem como uma coisa acontecer no stage e outra dentro do phone!!! Depois disso, nossos bravos usuários podem colocar o volume geral no em um nível confortável… Isso é regra para cada um no palco.

Feito isso, lembre-se que se a vida pertence a quem se atreve, a música mais ainda. Depois do básico bem feito, coloque sua assinatura pessoal nas mixes… Seus efeitos, processamento de reverbs, delays, de-essers e seu conhecimento musical vão fazer a diferença, pode ter certeza. O último detalhe desse papo rápido é mergulhar no que está mixando. Faça cada show como se fosse o último da sua vida. Independentemente de estilo, gosto pessoal ou moda, a banda que você está mixando é a melhor do mundo. Adicione ao evento. Não gosta do estilo faça outra gig, ok???

Sobre passar o som ou não, vc pode viver apenas do soundcheck virtual ou trabalhar como esses “moleques” tipo Paul McCartney, Stevie Wonder, Brian Adams ou aquela menina… deixa eu ver se lembro o nome dela… Ah… Madonna, entre outras gigs “mal sucedidas” como essas, que gostam de chegar cedo no stage!!! Hehehehehehe.

Até o próximo e boas mixes!!!

Ah… Essa paixão avassaladora!!!

Paixao6Lá vem o Canceriano escrever coisas pessoais para o blog… Hahahaha. A paixão desenfreada é uma coisa do signo??? Concordo, mas é o que me mantém vivo no mundo do áudio…

Sempre mixei assim e faço cada stage com o comprometimento de quem está fazendo o mais importante concerto da carreira. Nessa hora, não importa o local do mapa nem o peso de quem pisa no palco, pois tem que dar tudo muito certo a cada acorde, em todos os tons. A sua gig atual é a melhor do mundo e ponto final!!! Não gosta dela, pede pra sair… Nossas mixes são espelhos da essência de quem toca, e se a entrega não for absoluta, a minha sempre será e o problema não é meu!!!

Talvez eu até tenha passado dos limites em muitos casos, mas o saldo é extremamente bom, porque me lembro de todos os detalhes de cada stage, nos últimos 38 anos de monitor. Sim, eu sou aquele cara que se esquecer um click fechado ou abrir um canal com atraso acabo com a minha noite, mas tenho cada gesto de gratidão e boas performances dos “meus artistas” guardados do mesmo jeito!!! Hahahahaha.

Fico um pouco assustado com alguns “textos” que escuto por aí, de gerações que colocam os olhos e os bolsos na frente do coração e dos faders, talvez por não terem vivenciado tempos diferentes do show bizz, mas foi nesse tempo que eu fui criado e vou morrer assim, graças ao CARA lá de cima (eu e boa parte dos amigos de fé, formados e criados nessa vibe)!!! Como eu sempre digo, nunca lançaram plugins para essência, postura e comprometimento!!!

Não conheço nenhuma grande história que não tenha um mínimo de paixão… Por favor, coloquem o coração nas mixes!!! Mergulhar incondicionalmente de cabeça no comprometimento e na dedicação vai fazer uma diferença absurda no resultado final do seu concerto!!! Todos os sons e todos os tons agradecem!!!

Let’s mix Music.

Até o próximo.

A eterna polêmica…

BlogSem generalizar, há muito tempo essa discussão acontece… Viajamos com nosso equipamento próprio porque não houve evolução de algumas locadoras ou não houve evolução de algumas locadoras porque viajamos com equipamento próprio???

Em tempos de crise pesada, as opiniões são muito divergentes… Com certeza, isso faz parte da evolução das gigs, mas existem universos completamente diferentes no stage; o ideal e a realidade (ainda em muitos lugares) e quem concorda e quem discorda desse procedimento.

Fora as gigs que tem um planejamento e condições de viajar com tudo, as empresas sérias que todos conhecemos muito bem e eventos de primeiro mundo, que nos atendem de maneira absolutamente satisfatória e quase surreal, ainda encontramos muitos problemas por aí quando não somos bem atendidos por “N” motivos e só descobrimos quando chegamos aos palcos. Energia torta, cabos ruins, equipamentos não originais ou sem manutenção preventiva, atendimento deficiente, crew desmotivado, etc… Tudo isso pesa muito em nossas decisões em aprovar ou não nossa participação em novos eventos com determinada empresa. É triste constatar isso em pleno 2017, mas é a real, mesmo com muitos fornecedores atendendo muito bem nossos riders por aí…

Nos eventos nos quais passei por isso e dentro de uma ética que sempre tive, jamais falei para nenhuma empresa ou membro do crew, que o equipamento “não presta”, mas apenas chamei a galera para um papo saudável (após um café, pois dormiram nos cases das mesas e sem um banho quente), explicando onde a situação prejudicava meu trabalho, onde poderiam melhorar e questionando como tinham entrado na licitação de um job que não conseguiriam realizar. Nunca vamos saber por qual situação determinado fornecedor possa estar passando, para sermos inconvenientes em nossas colocações, certo???!!!

Eu confesso que fico muito tranquilo viajando com um sistema de in-ears próprio e alguns microfones, o que economiza muito stress, mas não significa que teremos consoles, o resto da lista de microfones solicitados, cabos em perfeito estado de funcionamento, dentro de sua vida útil e manutenção correta de tudo, em alguns sistemas de locadoras… Isso é fato, pois tudo isso custa muito dinheiro e as empresas andam trabalhando muito abaixo do preço justo, por uma questão de sobrevivência!!!

Um agravante em tudo isso é nossa paixão pelo trabalho no stage, o que nos força a meter a mão nas coisas que não funcionam e fazer acontecer… Nunca deixei de fazer um show por deficiência no atendimento e na qualidade dos equipamentos (a não ser em situações extremas), o que me incomoda muito, mas é assim que somos.

Não sei exatamente onde vai parar isso, mas rezo todos os dias para que as empresas tenham condições de atender nossos riders da melhor maneira possível, nos deixando com a opção de viajar com o mínimo possível de equipamentos locados ou adquiridos pelas gigs. Consoles são indispensáveis ao gosto pessoal e adaptação aos sistemas. Na era digital, lapidar nossas cenas sempre na mesma superfície nos proporciona um resultado rico em detalhes, muito diferente do que mixar cada dia com uma diferente. Conheça todas, tenha cenas básicas de todas, mas faça sua opção pessoal que o resultado será muito superior, principalmente nos detalhes do monitor!!!

Você não passa por isso??? Sorte sua… Enfim, é um papo para muitos posts e taças de vinho com os parceiros do áudio para as respostas!!!… Afinal, viajamos com nosso equipamento próprio porque não houve evolução das locadoras ou não houve evolução das locadoras porque viajamos com equipamento próprio???!!!

Até o próximo.

DVD Falamansa 20 Anos!!!…

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Vila de Itaúnas/ES… Um lugar que entrou na minha lista de alfinetes espetados no mapa e no coração. Esse foi o lugar escolhido pela banda Falamansa para a gravação do DVD comemorando os 20 anos da galera.

Sete horas da manhã da véspera da gravação, todo mundo na direção do stage e a primeira surpresa: a galera na balada forte… Muita gente bonita passando as férias, o forró comendo solto em muitos points, como se o relógio marcasse quatro da tarde… Demais!!! Depois me disseram que Itaúnas era assim, mas eu como marinheiro de primeira viagem nessa Vila não fazia a mínima ideia.

DVD15Bom, voltando ao DVD… Todo o suporte de equipamento foi da Loudness, com um time de primeira. O sistema de som do evento, a céu aberto (literalmente), foi o L-Acoustics K1 + Kara + SB28 + DiGiCo SD8 (house mix, pilotada pelo Marvin Vinícius) e duas SD7 (monitor comigo e UM + produção técnica pelo “General” Zoroastro Baranyi). Mais uma vez, agradeço ao Celson Birruga, Paulinho Peres, Du Correa e todo o crew, deram um banho no stage.

Vou falar especificamente do monitor, com a DiGiCo SD7 mixando 90 canais de áudio distribuídos em 32 mixes, sem sides, sem caixas, sem subs… Todos usando sistemas in-ears (by Shure), o que garantiu muito a comodidade na captação da UM, sem muita novidade, pois isso é quase um procedimento padrão, certo???!!! A qualidade da SD7 é impressionante… Efeitos, compressão, filtros, eq, superfície, etc, me deram conforto absoluto nas mixes, sempre com meu fiel escudeiro Xtreme XE8/PRO plugado na console. E o pouco que consegui ouvir na UM e PA, tinha um timbre espetacular!!!

DVD13Artisticamente, nada a declarar… Hahahaha. Fora os convidados incríveis, a banda tem uma interação espetacular com o seu público, levando-se em conta que estávamos gravando na hora certa (um por do Sol lindo), no lugar certo e com a plateia certa. Na primeira música a galera já veio pra cima com uma energia fantástica, como há muito eu não via!!! O visual é lindo, a música é mais do que contagiante e as surpresas serão muitas também.

Agradeço de coração aos envolvidos nesse projeto, Banda, Crew, Loudness, e recomendo com todas as letras esse DVD, pois tenho absoluta certeza que a entrega de todos está registrada com muito carinho e dedicação!!!

DVD11 Até o próximo…

Abraços!!!

(Photos: Thiago Rodrigues “Pinguim” e Farat arquivo pessoal)

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Aos meus mestres, com (muito) carinho!!!


Drummers Final

Sim, eu toco bateria!!!… Só que não… Hehehehe. Pense muito antes de dizer que acontece com um par de baquetas nas mãos. Nessa trajetória toda, como engenheiro, tenho uma dívida impagável com alguns caras, ou melhor, monstros dos tambores!!!… Talvez isso vire uma série, mas eu quero começar com os meus cinco maiores ídolos; Dudu Portes, Paulinho Braga, Luizão Rabello, Duda Neves & Robertinho Silva!!!

Vou começar com o Dudu… Lá no início de tudo, quando eu achava que tocava muita batera (leia-se 1978), lá estava eu frente a frente com o mestre. Fiquei muito orgulhoso quando ele me perguntou, lá no Estúdio Bandeirantes (do Claudinho Durante) se eu gostava de tocar de verdade!!!??? Lógico que respondi sim… Aí veio, não chamaria de balde de água fria, mas de bigorna dos desenhos do Pica-Pau: “então porque vc não aprende a afinar o instrumento moleque!!!”… Hahahaha. Que susto!!! Depois disso são anos de amizade e de toques sobre o mundo dos tambores, sua sonoridade, o que fazer no estúdio e no live, e principalmente nas suas viradas (as primeiras que eu ouvi, começando sem hora pra acabar no compasso seguinte) e na sua musicalidade frente aos grandes trabalhos que todos nós conhecemos… Thanks pelos esporros Sr. Portes!!! Te devo essa.

Luizão Rabello… Aí que medo!!! Só de ouvir que ele era o batera da sessão, lá no Vice-Versa já tremiam as pernas. Corre lá Farat, tirar o saco de areia do bumbo antes que o Luiz chegue… Esconde bem lá no armário do estúdio B!!!… Vi cenas dele subindo na técnica depois da tomada e perguntando que tinha tocado a bateria, porque aquele som não era dele… “Por favor, vamos gravar de novo porque agora eu quero me ouvir!!!”… É mole??? E suas levadas sem caixa??? E ao vivo??? A “workshop band” do Guilherme Arantes, por exemplo, com ele o Pedrão no baixo e o Ivo Carvalho na guitarra???!!!…

Estava um dia em casa quando toca o telefone… Era o Alberto Trigger do Rio, perguntando se poderia ia ao escritório dele (eu e o Hamilton Mica Griecco) para conversar sobre a Tour “Mãos” do Ivan Lins, que iria começar em dois meses, porque eu tinha sido indicado pela equipe do Milton Nascimento para o Monitor. É claro que eu fui, sem saber que iria conhecer e trabalhar com um dos maiores ícones dos tambores do País, Paulinho Braga. Um cara espetacular como pessoa e indescritível como batera!!! Na época que os in-ears eram uma coisa de sonho, o Paulinho foi o primeiro cara que me ajudou a trabalhar no stage com os mesmos efeitos e reverbs do disco, me mostrou que “menos é mais”, como sambear o Pop e, principalmente, que eu não tocava absolutamente nada!!!… Rssssss. Gratidão eterna!!!

Sir Duda Neves jamais poderia ficar de fora dessa lista dos meus primeiros mestres e eternos ídolos… A imagem de um dia eu chegar no estúdio e ver uma Sonor preta, com peles pretas, ferragem preta e pratos pretos foi clássica!!!… O Sr. Hi Hat. Me ensinou tudo e mais um pouco sobre gravar bateria, me obrigando a ficar um tempão ouvindo o instrumento sentado numa cadeira antes de levantar o primeiro fader… Suas viradas clássicas são ícones do instrumento até hoje. Ah… Coloque um gate na bateria do Duda pra ver uma coisa!!!… Thanks meu amigo, vc é o cara!!!

E deixei por último nesse post, meu amigo de voltas ao mundo com a gig do Milton Nascimento, do Txai aos Tambores de Minas; o grande Robertinho “Bob” Silva. O que eu vi esse cara ser idolatrado pelo planeta não foi brincadeira… Um monstro, do palco do Royal Albert Hall até uma barraquinha de vasos na praça de Istambul, em um maracatu de parar a praça. Lembro até hoje dos baixistas da Royal com um olho no maestro e outro no pé direito do Bob. Dono dos grooves mais incrívels que eu já ouvi saindo de um batera só… Sempre uma surpresa no stage (por exemplo, roto toms sem pele para se transformarem no maior conjunto de sinos que eu já mixei), o Robertinho foi um batera fundamental na minha formação como engenheiro e, de maneira incondicional, me incentivou a explorar novas sonoridades do instrumento e de qualquer outra coisa que possa ter um mínimo de efeito percussivo!!!

Enfim… Many thanks Mestres!!! Se não fosse por essa convivência e aprendizado, eu estaria comandando a “Armarinhos Farat” na Rua 25 de Março… Vcs são incríveis… Como diz o Dudú, “vamo batê lata”!!!

Abraços, e até o próximo!!!

Ummagumma, The Brazilian Pink Floyd; profissionalismo e respeito “mode on”!!!

Farat Roto2 Maio realmente foi especial… Um belo dia em casa toca o telefone, com o meu brother Mazinho Nogueira me perguntando se eu gostaria de mixar os monitores da Ummagumma… Bingo, topei na hora!!!…

Antes de qualquer coisa, quero dizer que tenho convivido no stage (e fora dele), com algumas das pessoas mais honestas, profissionais e humildes, como há muito tempo não via no show bizz!!!… Antes de qualquer coisa, agradeço com todas as letras esses shows incríveis, muito bem recebidos nessa primeira fase, no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, com um repertório clássico e um respeito indescritível pelo meu trabalho… Thanks a lot por tudo o que tem rolado até aqui!!!…

Galera

Bom, fazer um tributo ao Floyd é uma coisa seríssima, e a dedicação e o profissionalismo da Ummagumma foi uma grata surpresa, nos primeiros acordes do nosso primeiro soundcheck… Isso aconteceu lá em Três Pontas, cidade natal da banda, em um festival classic rock, organizado pela banda para o lançamento da Tour/2017, que contou com inúmeras bandas convidadas para a festa, o que foi muito gratificante, demonstrando o respeito da galera por todas as gigs!!!

Voltando ao Floyd, o set list composto pela execução completa de “Animals”, “Echoes”, “The Dark Side Of The Moon”, além de mais alguns clássicos, configurou um show extremamente agradável para o público, músicos e, principalmente, exigindo do crew uma dedicação sem tamanho no resultados de luz e som. Todos os músicos passam o som em todos os shows (coisa rara), procurando lapidar seus timbres e mixes, o que ajudou meu trabalho no stage.

unnamed4Como eu sempre digo, não precisamos jantar todos os dias na casa dos artistas (o que foi diferente em Três Pontas, pois além do carinho de todos, rolou a cozinha espetacular da casa) e nem ver a novela das nove antes de ir embora, mas sim conhecer o gosto pessoal da mix de cada um!!! Fato… E destacando ainda a convidada especial Lorelei McBroom, que dispensa apresentações e assim que pisou no palco foi até a console de monitor, descreveu toda a concepção da sua mix de ear, equilíbrio, reverbs, harmonias, etc… O básico, o simples, o foco no resultado. Virei fã incondicional!!!

Basicamente tenho 16 mixes de ears no stage, mais uma via central de monitores & side, para situações específicas dos shows como, por exemplo, solos das vocalistas, convidados e nos (cada vez mais raros…) momentos e que o lead vocal Bruno não utiliza seus fones… Dividindo o coração dos monitores, a velha e fiel Yamaha PM5D e a CL5. O Yamaha Console File Converter funciona muito bem na conversa entre as duas opções… A importância dos ears nesses concertos é total, pois me proporcionam chegar bem perto de todos os reverbs, delays e demais efeitos da obra original do Floyd, concepção muito respeitada nas mixes do P.A., pelo Mazinho. Inventar sonoridades novas para os tracks originais seria, no mínimo, de uma irresponsabilidade sem tamanho!!!

PM5D Rio

Enfim, pretendo por muito tempo ainda fazer parte da Família Ummagumma, uma gig que me deixa extremamente feliz antes, durante e ao final de cada show!!! Agradeço, mais uma vez o carinho e o respeito de todos, recomendando muito esse show, com todas as suas cores e sons!!!

Até a próxima!!!

Photos: Lucas Pacheco & Arquivo Pessoal

https://www.ummagumma.com.br/

https://www.facebook.com/ummagummatbpf/?ref=br_rs

U8 U7 U6 U5 U4 U1 U2 U3

Não passa som??? Azar o seu… (e do crew)!!!

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Um post de Facebook essa semana, fez um link pra esse artigo do blog. A velha história de não passar som no show bizz… Bom, eu sou da velha escola de sempre ter soundcheck presencial. Como eu sempre digo, se você consegue saber como os seus músicos e artistas vão se comportar naquele stage e naquele dia, parabéns!!! E faça logo a patente desse procedimento, pois ficará rico!!!

Já que ainda não inventaram um time code no cérebro de cada cara no stage, o soundcheck virtual é espetacular, até a página dois, fato!!! Nos últimos 38 anos de palco, todos os shows com passagem de som foram muito mais musicais e produtivos para o crew… Apesar de quase ninguém assumir, as primeiras músicas de cada evento sem passagem é a treva absoluta (e esqueçam aquele papinho de que quando passamos som é pior porque pedem mais coisas no show)!!! Desconforto na mix, desconforto nos ears, a correria para o “na terceira música tudo está no lugar”!!!… Ok, que seja instituído o desconto de 3  músicas nos ingressos dos shows sem soundcheck!!!

“Poxa Farat, é tudo digital”… Lindo!!! Temos muito mais tempo para lapidar nossos efeitos, mixes, concepção de timbres, etc… Ou o digital só serviu para que as produções apertassem nossos horários e logística??? E ainda, sem pedir licença, vou citar meus anos de Ivan Lins… Presenciei dezenas de obras de arte do patrão saindo das passagens de som, pois a primeira coisa que o Ivan pedia para o Micca Griecco era gravar todos os sounchecks no Pinocchio (o Pinocchio era um gravador de fita K7 que o Micca tinha, que tornava absolutamente espetacular todos os timbres que passavam pelo input… hehehehehehe)!!!…

Passar som é musical, é produtivo, é obrigatório… Bom pro show, bom pra música, bom pro crew. Se passar som estivesse fora de moda caras “sem importância” como Paul McCartney, Stevie Wonder, Sting e gigs go gênero ficariam dormindo nas suas suítes presidências e não acordariam 7:00 hs da manhã pra estar no stage passando seu som!!!

Enfim, cada um que zele por seu trabalho e resultado final!!! Posso ser velho, old school, ranheta, mas ainda tenho muito discernimento em cima de um palco. Na verdade, não somos só nós que temos que ter esse comprometimento. Só mais uma coisa… Quem não passa som é o último a ser atendido, ok???!!! Fato….

Um grande brinde ao soundcheck!!!

Até o próximo.

Os maiores erros no “Universo In-ear”…

BeFunkybw_null_1Apesar do espetacular mundo das caixas de monitor (só as originais), que por sinal eu amo de paixão, fico imaginando um Free Jazz ou outros eventos desse porte com consoles digitais e in-ears, se eles já existissem na época… É verdade, o Paraíso existe, e como eu sempre digo (sem generalizar), não existe quem não goste, mas quem usou errado. Fato!!!

Sem querer ser dono da verdade, e muito longe disso, ainda encontramos erros básicos inacreditáveis por aí, por incrível que possa parecer… Vamos lá:

Primeiro: “o artista não fala com o técnico”!!!… É demais… Você não precisa assistir o Jornal Nacional, a novela das nove e comer uma pizza depois na casa dele, mas pelo menos que saiba quem está na console, o seu conhecimento sobre o assunto, seu sistema de trabalho, estrada e, principalmente, conceitos sobre preservação auditiva. Simples assim… Meia hora de conversa e está tudo resolvido no stage. Uma comunicação combinada durante o show é regra para uma mix confortável e livre de problemas, pois “o cara aí do som” não vai resolver nada!!!

Segundo: “a escolha equivocada do equipamento”!!!… Bom, hoje em dia todas as empresas especializadas no assunto disponibilizam todos os modelos de fone para “degustação”, além de profissionais de ponta para audiometrias e outros cuidados, antes que seja feita a opção por este ou aquele equipamento… Fato. Faça seu artista ouvir alguns dos seus programas prediletos em casa e ter absoluta certeza de qual modelo o deixa mais confortável, antes de partir para os finalmente, como moldes, etc… Hoje o mercado nos deixa inúmeras possibilidades e sonoridades a disposição!!!…

Antes de entrar no assunto “mixes”, pelo amor do CARA lá de cima, sempre os dois lados dos fones na orelha!!! Além de um lado só induzir mais 6 dB no botão de volume e detonar sua audição e sua mix, dirigir uma Ferrari com duas rodas e ver um jogo da NBA com um time só na quadra seria muito sem graça…

Meu sistema de trabalho, vencidas as barreiras citadas acima, é trazer os músicos até a console e partindo do gosto pessoal de cada um, dentro de um discernimento de mixes sugeridas, fazer os ajustes de volume para que exista uma margem segura e confortável de trabalho e sintonia fina no equilíbrio, efeitos e timbres, sempre respeitando o espaço e imagem do stage (absolutamente regra!!!). Já trabalhei com uma curva (muito discreta) de acordo com a audiometria de cada um no stage, e foi muito produtiva, além de muito recomendada.

Sobre uma varredura de RF, nem vou entrar no assunto, pois é o básico do básico… Não existe nada pior do que a transmissão e recepção falharem na primeira música, o que no meu caso de “Cancerianice explícita”, destruiria o show inteiro… Hehehehehe.

Bom… É mais ou menos assim que eu gosto de trabalhar… Mais uma vez, quero ressaltar a importância da preservação auditiva e dizer que engenheiro de monitor não morde e joga no mesmo time de todos no stage, ok???… Hahahaha.

Até o próximo e boas mixes!!!

 

 

 

Florencia Saravia-Akamine por Florencia…

Blog FloEu me tornei quem eu queria me tornar: um Engenheiro de Som…

Aceitei o convite do meu amigo e, também, engenheiro de som, Paulo Farat para escrever sobre a minha trajetória. Não acho que tenha nada de muito diferente dos demais técnicos. Mas, espero dar um pouco de fôlego para aqueles que desejam seguir este ofício tão específico da música.

Sempre gostei de tocar algum instrumento, mas foram os sintetizadores que mais me atraíram. Acho que são instrumentos fabulosos, muito cheios de possibilidades e, mais que tocar, eu gostava de vê-los tocar o que eu tinha programado e mudar timbres e envelopes dos sons.

Foram os sintetizadores que me levaram por todos os caminhos que eu quis seguir no áudio. Desde o encontro com a primeira revista Música & Tecnologia que era distribuída nas escolas de música em forma de jornalzinho gratuito (ali li pela primeira vez um artigo do Sólon do Valle e um artigo do Roberto Ramos), passando pela visita a um estúdio no bairro da Glória (onde me apaixonei por uma mesa de som, aos 13 anos), até a alegria que é, para mim, trabalhar com computadores.

(Eu brinco dizendo que, na verdade, eu AMO tudo que tem um coração de cristal batendo e um ego com linha de comando.)

É árduo chegar a ser um técnico de som no Brasil. até pouco tempo atrás tínhamos poucas opções de ensino formal. Antes do advento da internet, era mais difícil ainda conseguir os materiais de estudo. Qualquer manual era um tesouro a ser explorado. Hoje, sinto que há muitas formas de se adquirir conhecimento e acredito que o campo de trabalho também se expandiu enormemente. Sempre estudei e continuo procurando o que estudar. Isso nunca para.

Passar pelos longos anos de flutuação de agenda e cachês baixos, também não é para todos.

Dormi no estúdio, trabalhei de graça, trabalhei por misérias, tomei alguns calotes e muitos puxões de tapete. Enfim, todos nós temos que passar por algumas situações para chegar onde queremos chegar. Um dia, seu trabalho começa a ser valorizado e você consegue viver do que era, antes, só amor.

Mas, também não é um ofício para qualquer aventureiro. Só fica quem é bom de verdade e quem gosta de verdade do que faz. Sempre gostei dessa “peneira natural” da nossa profissão.

Também é de certa forma, um ofício generoso: quanto mais velhos somos, melhores profissionais nos tornamos.

Fico feliz de que, hoje, temos mais mulheres trabalhando bem como técnicas de som. Há pouco tempo atrás, éramos muito poucas. Porém, ainda há muito a se conquistar nesse sentido. Não só no áudio, como em várias outras profissões.

Meu trabalho me trouxe muitas alegrias, não só realizações profissionais: trouxe amigos de verdade, cidades novas, e a minha própria família.

Aprendi com muitos mestres generosos, como o Mayrton Bahia, Fábio Henriques, Sólon do Valle, Carlos Roberto Peddruzzi, Guilherme Reis, Marcio Gama, Marcos Adriano, Flávio Senna, Vitor Farias e Carlos Freitas. Tive a sorte e aproveitei muito a oportunidade de vê-los trabalhar. A maior lição que aprendi com eles foi a de sempre espalhar a informação. Nosso trabalho só é bom se todos os envolvidos são bons profissionais. Ninguém trabalha sozinho…

Florencia Saravia-Akamine

http://proaudioclube.com/florencia-saravia-akamine/

 

 

Errar (feio) é humano, e (foi) muito produtivo!!!…

IMG_5452Bom, era mais uma tarde tranquila no extinto Palace, em mais um festival de sucesso, com um belo equipamento nas mãos e o empenho em “não errar”, frase clássica do Pena Schmidt, que virou nossa paranoia saudável.

Grandes (e detalhistas) músicos no stage, em uma clássica formação de piano acústico (aberto), baixo acústico (só mic), sax & bateria (kick, snare & overs)… Uma passagem de som absolutamente tranquila, apenas pequenos ajustes de filtros e EQ, o monitor falando bonito, na mais perfeita ordem, com o resultado final aprovado por todos, com louvor!!!

Naquele dia eu fiquei surpreso com o pouco tempo de soundcheck e o resultado ao qual chegamos no stage… O clássico “monitor de jazz” perfeito. Os zerados e eficientes monitores Meyer UM1P da Loudness e a incrível Midas XL3, garantiram o sucesso do ensaio.

Todos para o hotel e aí veio o susto… Eu, em um descuido absoluto, talvez muito relaxado, pois era o terceiro dia do evento, deixei todos os gráficos em by-pass na console, ou seja, TREVA!!!… Só que não, pois foi o melhor e mais eficiente monitor de UM1P que eu fiz na vida!!!

Não contei isso pra ninguém, muito menos pro Pena… O plano B, “just in case” era deixar uma curva presetada pro showtime… É claro que não precisou!!! Hehehehehe. Um brinde ao “flat mode on” no monitor.

Como é bom errar assim!!!

Até a próxima!!!