Aos Mestres com carinho, parte II…

Mestres II_Small

Booooora lá pra segunda parte… Já postei sobre meus mestres das baquetas, mas faltaram alguns deles… Hoje dedico meu artigo ao Alaor Neves, Carlos Bala, Lincon Cheib & Ramon Montagner!!!

Primeiro a elegância de um cara chamado Alaor Neves… Um monstrinho no mundo dos tambores. Conheci o Alaor nos meus tempos de Vice-Versa, como a maioria deles. O que mais me chamou a atenção naquela época foi a classe. Como eu sempre digo, o alinhamento e afinação do instrumento, o conhecimento de todos os estilos (me fez mergulhar nos sons de Terry Bozzio & Jeff Porcaro, entre outros) e o comprometimento em tocar para a banda era o diferencial. Agradeço muito os puxões de orelha que eu tomei quando a tomada ficava torta. Thanks véio, até hoje guardo muitas lições daqueles primeiros tracks que gravamos!!! Espero não ter decepcionado você com o passar dos anos…

Carlos Bala… Hahaha, fala sério. O único que sabia reproduzir aquele som de batera incrível do CD do Christopher Cross (“Sailing” rules). O cara que e ensinou jogar a afinação da bateria lá no chão, sem medo de ser feliz!!! O músico que mais tocou para os ponteiros das analógicas que eu já vi. Nem vou falar das performances ao vivo. Me lembro muito bem do dia em que o Paulinho Braga viajou para os USA com o Tom Jobim, e o Bala foi convocado para fazer alguns shows com o Ivan Lins, na Tour “Mãos”… Uma fita cassete entre São Paulo e Recife… Só isso. Na hora do show parecia que tinha feito toda a tour. Incrível. Depois a “djavaneada” que todos conhecemos. Master!!!

Na minha fase final dos anos de Milton Nascimento, foi a vez de me render ao Lincon Cheib. Outro cara que leva a disciplina ao extremo. Um bom gosto especial no stage, sempre com um resultado que cabe em qualquer mix. Bota tudo no zero que ele só vai tocar o que a música pedir. Um conhecedor profundo de ritmos e sons. O respeito que esse cara teve comigo no palco é recíproco ao seu conhecimento. Esse período de convivência me ensinou definitivamente como mixar bateria e uma gig repleta de percussionistas. Menos é mais Srs. !!!

E pra finalizar, abro alas para o Ramon Montagner, meu parceiro de busão e longos papos na estrada… Um estudioso/perfeccionista do mais alto calibre. No período recente, no qual eu mixei os monitores dos meus queridos amigos da Falamansa, me rendi completamente ao estilo Ramon de tocar. Um mix de percussão e bateria no seu set, uma técnica invejável de execução e um bom gosto tremendo nas suas mixes de in-ears. Nem vou comentar mensagens de bateras gringos no seu Whatsup. Vou pular essa parte… Hehehehe.

Enfim, gratidão eterna por ter a chance de conhecer e ter esses caras sob os meus faders!!! Um aprendizado a cada groove, a cada levada…

Thanks a lot, meus amigos e mestres!!!

Jorge “Gordo” Guimarães…

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Bom galera, como eu já estou careca (ao pé da letra…rs) de dizer, no final dos anos 70, começo de tudo, quando entrei no Vice-Versa fui assistente de um dos maiores ícones do áudio no país, o saudoso Marcus Vinícius (o Vinicão), e agradeço esse aprendizado eternamente… Desculpem, não citei o Ricardo “Franja” Carvalheira, o Wilson “Relax” Gonçalves e o Nelsinho Castro Dantas…

Com o passar do tempo, fui conhecendo outros engenheiros do mercado e quase todos nós naquela época queríamos ser Marcus Vinícius ou outro dos meus ídolos, o Vitor Farias, com seus álbuns incríveis desde então.

Um belo dia alguém me disse; “você conhece o Jorge Gordo”???… Pronto, estava se formando mais uma referência pra mim. Que sonzeira esse maluco fazia… O que era aquele som de bateria??? Aquelas mixes??? O cara era unanimidade no Rio de Janeiro. Não me lembro muito bem o que fui fazer nos Estúdios da Som Livre de São Paulo um dia, mas ele estava lá, se não me engano trabalhando em um disco da Rita Lee. Fui absolutamente bem recebido por ele, que nunca tinha ouvido falar em mim, e nesse dia, o mais sincero respeito e admiração por essa figura sensacional nasceu por aqui!!!

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Não vou falar do Gordo como o profissional que foi, pois todo mundo conhece, mas da pessoa. Um astral incrível e um foco que eu nunca vi no resultado final de cada trabalho, fora o bom humor…

Caras como esse, que não deveriam ir embora tão cedo, estão com a sua história definitivamente escrita no livro do Universo do Áudio, e mesmo tendo trabalhado com ele, muito menos do que eu gostaria, foi uma das minhas referências absolutas lá no começo.

Convido todos os que conviveram diariamente com o Gordo, por favor, deixarem seus depoimentos nos comments do blog, pois muita coisa vai enriquecer esse post (o de só ter mixagem ou gravação se a TV estivesse funcionando, podem pular… hahahaha)!!!

Blog3Um beijo véio, onde quer que você esteja aí por cima!!! Tenho certeza que sua passagem foi serena e na Luz… E continue policiando meus sons de bateria, ok???

Até o próximo.

Nesse link, um pouco da sua discografia:

https://www.discogs.com/artist/636575-Jorge-Guimar%C3%A3es

O dia em que eu fui “limado” do Monitor do Free Jazz… SQN!!!

Miller Blog

Inesquecível aquele dia (e o susto) no escritório da Stage Brainz… A frase do Pena Schmidt soou como uma bomba nos ouvidos: “Farat, você não vai mixar os monitores do Free Jazz esse ano!!!”… Como assim??? Caiu a casa!!!… Aí veio o complemento: “Vai cuidar exclusivamente da Marcus Miller Band, pois o manager é também o cara que mixa o PA e eu não quero ter problemas, ponto!!!”… Hahahahaha, que chato isso!!!

Bom, lá fui eu pro Maksoud Plaza conhecer o tal manager. Um cara super do bem e tão atencioso quanto exigente. Aquela empreitada incluía locar exatamente o mesmo equipamento de monitor que a Gabisom disponibilizaria no stage do Palace, para ensaiarmos o show no teatro do hotel. Um kit “básico” de monitores Clair, Yamaha PM3000 (na verdade acho que era a PM4000), os mesmos mics, amps, etc… Básico e pesado!!!…

Um soundcheck que começaria com Lenny White & Poogie Bell nas bateras já valeria todo o trabalho daquela edição do festival. A frase “o microfone é o primeiro que ouve” nunca foi tão apropriada para uma situação de mix de bateria como essa… É só não fazer nada além de levantar os faders, equilibradamente, e não tentar transformar esses caras em bateras de mentira, com uma equalização ridícula, só pra mostrar (des)serviço!!!… O Lenny perguntou, “Farat, o que vc fez na equalização da bateria???”… Gelei na hora e respondi, “absolutamente nada”!!!… Nunca vou esquecer o sorriso de aprovação do meu ídolo (ele até revelou alguns segredos pra esse boy de construtora metido a besta aqui)!!! O que era a afinação do Lenny???!!!… Em todos esses anos de monitor, nunca ouvi um som tão pronto pro stage como naquele ensaio e stage!!!

Do Sr. Miller, não há o que dizer. Aquele som de bass entrou como uma luva nas duas bateras tocando juntas, sem uma trave nas duas horas de concerto. Uma disciplina absurda nesse palco. Nas horas de improviso ok, saiam de baixo, mas o resto, parecia o ensaio filmado!!! Fato…

Não me lembro o nome do guitar player (falha imperdoável), mas o cara do piano era “um tal de” Joe Sample !!!… Um monstro… Impecável classe com as teclas. E pra completar o time, nos vocais, Mr. Al Jarreau (e seu velho e bom SM58, com a capsula enrolada em espuma artesanalmente fixada com black tape!!!). Free Jazz, eu te amo!!!

Muito gratificante a lembrança desses dias… Já no palco do nosso querido Palace, os únicos desafios que ficaram para o dia do show foram calmamente resolvidos: a exigência de dois mics AKG414 em X/Y no piano acústico, com a tampa aberta, ao lado do amp do Marcus, entre as duas baterias, e o mais complicado, evitar o ataque cardíaco/respiratório do Feijão (da nossa equipe) quando o roadie do Marcus Miller não plugou o bass na hora do show, depois de afiná-lo brilhantemente!!! Hahaha.

Te devo essa Pena Schmidt… Let’s mix Music!!!

Abraços.

Aos donos da verdade no “Universo Meu Umbigo”!!!…

Music is LifeA maior recompensa pelo nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma… Faça tudo com dedicação e amor, tendo sempre em mente que você não tem que provar nada para absolutamente ninguém, pois se isso começar a acontecer você está no lugar errado!!!…

Todo mundo é bom, todo mundo é f…, todo mundo é “o melhor”, no País da Primeira Pessoa do Singular… Que saco!!! O melhor é o procedimento… O “mais respeitado” é o que tem os melhores procedimentos e ponto final!!! E mais, o procedimento só vem depois da postura, da ética, da essência de cada um…

“O que foi feito do básico???” Microfonação, alinhamento, energia adequada… Um certo dia o “cara” do gerador quase saiu correndo atrás de mim com um caibro porque eu pedi o meu com abacaxi e três pedrinhas de gelo!!!… Juro que era uma máquina de garapa o que eu estava vendo!!!… Nós não “fazemos” som pra ninguém… Nós transportamos o conteúdo artístico e a capacidade de execução musical para os ouvidos das pessoas, usando com o maior discernimento possível as ferramentas disponíveis… Os toques pessoais nos efeitos, processamentos de dinâmica, etc é que vão dar a “assinatura” de cada um no resultado final… E só!!!

A frase “o microfone é o primeiro que ouve” é espetacular e explícita!!!… O nosso velho e fiel companheiro microfone!!!… Que sofrimento esse cara tem passado ultimamente… Quando não está todo amassado por desempenhar a função saco de pancada, a cápsula continua molhada da chuva do dia anterior e ele pode estar fora do lugar ou de especificação… Sem contar que, artisticamente falando, ele também é o primeiro que ouve…

Também considero um dos itens “técnicos” importantíssimos dessa conversa, os profissionais das empresas terem tido uma bela noite de sono e um chuveiro quente, depois do show do dia anterior e deixado os cases das mesas para a proteção e segurança das mesmas… Não da pra pedir nada pra quem dormiu a noite toda numa tampa de console e coberto com lona amarela!!!…

A qualidade das empresas de locação, seus investimentos e equipamentos de ponta tornaram nossa vida on stage muito mais fácil, e nosso tempo útil pode e deve ser direcionado para uma exaustiva busca da informação e da concepção adequada ao trabalho… Por favor, não transforme um projeto vitorioso de milhões de dólares em uma aberração sonora com uma “curva” de EQ tão equivocada quanto cinematográfica!!! … (Ah, também tem aquela do processador bloqueado por “segurança” [????!!!!] e o responsável que tem a senha estar fora de qualquer possibilidade de contato…hahahahahaha).

Socorro, alguém aeeeeee ajuda, pois a coisa ta ficando fora de controle!!!… Formadores de opinião (errada), qualquer $$$ pra atravessar e fazer mal feito, concepção zero a esquerda… Como sempre diz meu irmãozinho Renato Carneiro; é o poste mijando no cachorro!!!… ehatrevabsoluta.com.br !!!

Vamos retomar os valores galera… Simples assim… Abraços!!!

Farat por Farat!!!

Espelho

Eu nasci com a música no sangue, dentro de mim, tão necessária quanto a comida e o ar… Como é bom, 58 anos depois, ainda poder me dedicar aos muitos e diferentes sons & tons!!!…

Quietinho aqui nos meus pensamentos antes do stage da semana e ouvindo “Scritti Politti”, no talo, resolvi publicar isso no blog. Já me disseram que minha paranoia em não errar (by Pena e a nossa Stage Brainz) ainda vai e levar pro túmulo, hahahaha. Mas é assim que eu gosto. Se nos anos 80 eu já era assim, imaginem hoje.

É música 24 horas por dia… Saio do palco já pensando no próximo, nos riders, nos equipos novos, nas histórias… Entro no busão e lá vem Alan Parsons Project, Genesis & (claro) AC/DC no iPod… E por aí vai!!! Sou o maluco que adora chegar pra passagem de som e ficar no local até o final do show conversando com minhas máquinas, sacando a entrada do público, tomando aquele suquinho no camarim. Hotel e tira do foco. É coisa de louco mesmo.

A janela do busão é uma telinha de cinema… Passam todos os filmes… Do porão da casa do Mané (http://www.backstage.com.br/paulofarat/?p=81) até o show do dia anterior, não passa nada em branco… As grandes tours, as pequenas, as vitórias, as derrotas, os erros, as lições não aprendidas… Enfim, sou do tipo que deixar de abrir um canal na hora certa do show me derruba imediatamente, como bom Canceriano que sou… Hahahaha.

Depois do susto que foi ouvir “The Dark Side Of The Moon” e “A Night At The Opera” (os dois discos que radicalmente mudaram a minha vida e me direcionaram pro áudio), ter um pouco de sorte, estar no lugar certo e na hora certa, com “padrinhos e mestres” certos, foi fundamental e um empurrãozinho sem preço… As pedras fundamentais na minha jornada foram, sem dúvida nenhuma, as portas que o Maurício de Sousa e o seu irmão Márcio abriram nos estúdios MSP pra esse boy de construtora metido a besta aqui…

Sou eternamente grato, porque depois de ser despedido do antigo emprego por passar a maior parte do tempo tocando Hammond na máquina de escrever e Moog na calculadora em dia de concorrência (dublando John Lord no disco, ops, na Basfita K7 46 “Come Taste The Band” do Deep Purple) no escritório da empresa, a casa caiu pra mim!!! Naquele momento acreditei que seria menos doloroso trilhar novos caminhos do que tentar explicar ao patrão, um cara extremamente gente fina, na verdade um mix de Cristopher Cross & Mike Tyson na “máquina da mosca”, o que era Deep Purple ou quem era John Lord!!!

O próximo passo depois da Turma da Mônica, foi entrar no Vice-Versa e contar todas as mentiras possíveis ao Luiz Botelho (cada um tem o “mestre Yoda” que merece, e esse é o maior deles!!!) que, graças a Deus, não acreditou em nenhuma e apenas na minha vontade de ser alguém no áudio…

Lá no Vice (em 1979), fora meus mestres Marcus Vinícius, Wilson “Relax” Gonçalves, Ricardo “Franja” Carvalheira e Nelsinho Dantas, tive também a sorte de conviver e trabalhar com dois dos meus grandes ídolos na música: Sá & Guarabyra. O que eu vi (e ouvi) sair daqueles violõezinhos, pedaços de papel e fitinhas cassete foi uma verdadeira aula de criatividade e bom gosto!!! Junto com aquela paciência toda com a minha “ansiedade de principiante” sempre vinha um toque ou outro, que me abriram muito os olhos e ouvidos muito mais rápido sobre o que era aquele mundinho do áudio e o que era fazer parte dele.

E as bandas de Sá & Guarabyra??? A Ponte Aérea (Nonato, Constant, Pedrão e Beto), Paulinho Calazans, Alaor Neves, Ruriá Duprat, Sérgio Kaffa, Pedrão (do Som Nosso), Rui Motta, entre outros… socorro!!! Era uma festa qualquer show dos caras, numa garantia absoluta que quase todos os engenheiros de som que não estivessem na estrada ou no estúdio circulariam pelo backstage. Da música de Sá & Guarabyra não preciso falar nada (cada um coloca o que desejar na sua Cdteca e azar de quem não ouve Sá & Guarabyra), mas eu gostaria de deixar explícito nessa matéria que são dois caras que eu aprendi a “amar de paixão” e vou levar isso pro resto da vida!!! Sabe aqueles amigos que quando você encontra e abraça passa um filminho muito bom das coisas???… Então… E olha que lá se vão mais de trinta anos… Thanks maninhos, e muito obrigado por tudo até aqui!!!

E a minha primeira sessão de gravação oficial no Vice-Versa então??? Foi com o Rogério Duprat… Lá estava eu, um ex-boy frente a frente com o gênio no estúdio!!! Lembro-me muito bem do frio na barriga quando chamei o Rogério pra ouvir a mix na técnica… A frase de foi essa: “Farat, nunca ouvi um som tão lindo desse estúdio B, só que eu não estou vendendo bateria moleque… Esse jingle é para uma empresa de adubos, por favor, remixe isso com mais critério para o que a peça foi feita!”… Hahaha. Imaginem ouvir isso do mago Duprat, logo na primeira sessão de mixagem!!!

Agradeço a Deus por ter padrinhos desse porte na minha vida profissional… A humildade de todos foi extremamente proporcional as suas genialidades e minha estrada não seria a mesma sem aqueles valiosos conselhos e uma infinita paciência! Quem sou eu pra falar desses caras insanos e sensacionais???!!! Ficarão eternamente nos nossos ouvidos e na minha história pessoal e profissional!!!

E o stage??? O boy de construtora metido a besta que chegou ao mundo do monitor de Milton Nascimento, Ivan Lins, Maria Bethânia, Rita Lee, Fabio Jr., Ritchie, Capital Inicial, Maurício Manieri, Guilherme Arantes, Chrystian & Ralf, Charlie Brown Jr., RPM, Free Jazz, Blues Festival, Projeto SP, A Chorus Line, entre outros… Bom, todas as histórias do stage estão no blog. Depois da primeira picada da mix ao vivo eu nunca mais me curei. Da Tour “Voo de Coração” do Ritchie, até a atual tour “Baile do Nêgo Véio” do Alexandre Pires, lá se vão 39 anos de monitor. Espero continuar ainda por muitas mixes, porque ainda tenho muito o que aprender no mundo do áudio e sair da zona de conforto é a regra para uma carreira de verdade!!!… Chega, estou falando muito !!!
Foi mais ou menos, pra não dizer exatamente, isso que aconteceu… Vem muito mais histórias, aprendizado e personagens por aí!!!

Que assim seja!!!… Let’s mix Music!!!

Abraço e até a próxima!!!

Paulo Farat

 

O “Baile do Nêgo Véio”… Vem que o groove é forte!!!

Blog


Sair da zona de conforto no show bizz é regra. No primeiro telefonema que recebi para integrar a equipe da nova tour do Alexandre Pires, o “Baile do Nêgo Véio”, não tive dúvidas… Boooora lá, desafio lançado!!!

Primeiro, o artista… O Alexandre é um cara que tem um carisma incrível, ouve música, toca tudo, canta muito e conhece áudio… Não tem aquela de querer o som “mais azul”, e loucuras desse tipo. Já sabe o que quer ouvir e pronto. Simples assim. Tem seus reverbs na cabeça, os pontos de delay, o lugar da harmonia na mix, as cápsulas de microfone que prefere, etc. Fica bom mixar!!! Let’s mix “Music”!!!

Segundo, a banda… Só feras, com a direção musical e os teclados do Pedrinho Ferreira, Dani Batera, Cláudio Bonfim (bass), Didi Pinheiro (cavacos), Davidson (violão & guitarra), Adriano Caneta (sax), a batucada brasileira de Kadú & Michelzinho e os backings Cauê & Nando. Um groove de primeira para um show de 3 horas de pura diversão no stage, em uma viagem intensa por várias bandas e hits dos anos 90.

Sob o comando e o help do Emerson “General” Porfa (parceirão de primeira nessa nova empreitada), que já trabalha com o Alexandre há muito tempo, tentei entender o mais rápido possível o caminho desse show e assimilar com detalhes o gosto pessoal de cada um. Com 64 canais (56 definidos para a tour), 22 mixes e a diversidade do set list, foi importantíssimo desde o início dos ensaios no estúdio Gravodisc, estudar as canções e suas particularidades de como deveriam soar no stage.

Graças ao CARA lá de cima, todos de in-ears, sem amplificadores no palco, com o side na maioria do tempo fechado, utilizado apenas em situações nas quais os convidados do evento não utilizam phones, quando o Alexandre pede e em determinadas casas pra dar aquele plus nos subs do stage. Sem exageros e sem querer fazer o show do monitor.

Para essa tour ainda concentrei as cenas do monitor na velha e boa PM5D_RH, que apesar de fora de linha, ainda é a console que mais encontramos por aí, na realidade das nossas estradas e stages… Sistema de monitoração e microfones Sennheiser, com duas opções de cápsulas; a da própria Sennheiser e outra Neumann. O show “Mi Corazón Latino”, que só levamos pra fora do Brasil, tem a Venue Mix Rack e a CL5 como consoles de monitor preferenciais, mas isso será conversa pra outro post.

Monitor

A tour realizou até a data dessa publicação, cerca de 40 shows, e se algo mudar no decorrer da agenda, eu entro com um post atualizado sobre possíveis modificações, ok???

Quero agradecer a confiança no meu trabalho e a recepção na equipe galera, que ainda tem Marquinhos Mosqueira, Junera, Alicate, Felipe, Will, Leandro, Léo Lima (e seus clicks incríveis), Marlene e toda a produção da Ghetto!!!

Por enquanto é isso… E Segue o Baile que o groove é forte!!! Se você ainda não caiu no nosso balanço, procure saber o que anda perdendo!!!… Hehehehehe.

Até o próximo.

(Click by Léo Lima)

Cordialidade é tudo no stage!!!

Cordialidade_PM7 Rivage Record
A história é sempre a mesma… Quando uma atitude cordial no atendimento fica explícita, com certeza, o show será completamente bem sucedido!!!… Fato!!!

Sem generalizar, é claro, nesses últimos anos a maioria das empresas melhoraram muito os seus atendimentos no stage, mas ainda encontramos algumas que não se preocupam muito com isso.

Nossos riders são extremamente claros e (a maioria deles) sem delírios e esquemas inacreditáveis de fornecimento de equipamentos e serviços, nossas bandas muito bem ensaiadas e nossas equipes cansadas de saber o que tem que ser feito na montagem e soundcheck.

Quantas e quantas vezes cheguei no stage e acordei nossos bravos técnicos de algumas empresas dormindo na tampa da console, sem um bom banho, sem uma noite bem dormida e um café da manhã honesto… No primeiro canal com problemas na montagem a paciência do funcionário começa onde acabou a da noite passada numa situação dessas!!! É fato…

Um bom dia com um sorriso na cara, tanto da nossa parte como a deles é espetacular e garante quase 50% do sucesso do evento. Ser cordial vale para os dois lados, já que saímos de nossas casas para fazer nosso trabalho com competência e comprometimento, certo??? Por favor & muito obrigado são termos absolutamente agradáveis…

Ser cordial também engloba ter a responsabilidade no fornecimento dos equipamentos em perfeito estado de conservação e funcionamento, pois não temos culpa se algumas surpresas que não foram comunicadas no show anterior, e não podemos pagar por isso bem no nosso dia!!!… A pior frase da história do show bizz é “ONTEM FUNCIONOU NORMALMENTE”!!!…

Enfim galera, é tão simples o ato da cordialidade e do comprometimento…

Vamos fazer disso uma regra!!!

Até o próximo…

Maurício Manieri… A maior danceteria ao ar livre do stage!!!

Manieri
Não me lembro bem do evento, só sei que era no Palace e um produtor apresentava um artista consagrado com a participação de um convidado inédito… Na apresentação do Dudu Marote, ele convida um cara pra fazer piano & voz no stage, como uma voz incrível e um carisma sensacional. Um tal de Maurício Manieri. Ele já era conhecido de uma galera, mas eu nunca tinha ouvido falar desse nome.

Bom, passado algum tempo, me liga o poderoso “Mestre Yoda” do PA, Jorginho Dias, perguntando o que eu estava fazendo e se eu queria mixar a Tour “A Noite Inteira”, do Maurício. Primeiro, recusar um convite do Jorge Dias é um pecado sem perdão e, segundo, o cara tava estourado no país inteiro. Se não me engano, “Bem Querer” ficou 14 semanas bombada nas paradas de sucesso daquele ano!!!

Ok, lá fui eu pro primeiro show… Naquela época a tecnologia dos in-ears estava começando a invadir os stages, e cheguei no busão junto com um pacote com 8 Shure PSM 700, lançamento recente no mercado, uma outra caixa com uma Lexicon 480 XL, e dois PCM 70!!! Ou seja, a brincadeira era séria, e tornou essa mix de monitor incrível… O estúdio foi pro palco!!!

Aí vc encontra Gustavo Filipovich, Marcelo Manieri, Paulo Soveral, Alexandre Grooves, Igor Arthuzo, Paulo Soveral, Passarinho, Sassá & Azeitona no ponto de encontro e percebe que a responsabilidade é dobrada. Um crew de roadies de primeira, Fernandão na produção e uma banda desse calibre, que depois ainda contou com o Dudinha no bass é um sinal explícito que a diversão seria forte.

A produção era da Prisma, que também tinha uma equipe da pesada no stage, e garantia naquela época mais de 60 movings no palco, o que tornou essa tour a maior danceteria ao ar livre do país.

De todas as bandas, das quais eu fiz parte da equipe, essa é uma que será inesquecível… O Maurício tinha um comprometimento sem tamanho em entregar o melhor para o seu público, além de nos cobrar uma entrega técnica total… Sempre gostei de ser cobrado da gig, e nunca cobrar condições de trabalho.

Saudades Master desse stage… Quem sabe um dia reuniremos todas essas peças de novo, para um outro ciclo de diversão e profissionalismo desse nível!!!

Resumindo, foi mais ou menos assim que aconteceu!!!… Escutem o CD gravado ao vivo no Olímpia e vcs entenderão o que eu postei aqui e como uma gig assim faz falta no mercado hoje!!! Fato…

Até o próximo!!!

Que venha um 2018 Musical & Produtivo…

Blog
E mais um ano passou voando galera, não foi mesmo??? Um aninho estranho, artisticamente polêmico, de posturas malucas, com os formadores de opinião de sempre (e não formadores também) metralhando as mídias com milhares de letrinhas relacionadas ao mundo insano e (nem sempre…) divertido do áudio… Um ano de muito compartilhamento de informações e ótimos cursos, parcerias surpreendentes, novos plug-ins, novas consoles, novos ears, novos monitores, projetos que quase saíram do papel e ficaram pra 2018, feiras, workshops (e poucos “workchopps”) pra colocar mais lenha nas fogueiras, sejam elas quais forem… Hehehehehehe.

Pode até não ter sido, mais uma vez, como os grandes anos do show bizz, por exemplo, porém quanto mais do nosso tempo dedicamos a paranoia de “fazer direito”, tatuada em nossas almas pela Stagebrainz lá no começo de tudo, menos pensamos no que “poderia ter sido”, concordam???!!!… Paralelamente aos pessimistas, muitos membros da “diretoria” acabarão 2017 felizes com seus resultados no stage, agendas lotadase focados no acelerador para o ano que se aproxima com novas cenas, novas ideias, até novas gigs… É assim que funciona, sempre foi!!!…

Thanks de verdade aos parceiros de stage, aos brothers do áudio, aos empresários e empresas sérias, aos que torceram a favor, aos que não torceram, aos que ao menos tentaram!!!…Um agradecimento especial a Backstage, mais uma vez, pelo carinho, respeito e confiança, ao abrir esse espaço tão amplo quanto comprometido, para que durante todo o ano as nossas conversas fossem claras e abertas, sem rabo preso com ninguém… Que venha mais um aninho de muitos posts!!!

Como eu sempre digo (numa colagem de vários pensamentos, garimpados durante as madrugadas de net, portanto sem os devidos créditos aos autores):

“Metade dos nossos erros na vida nascem do fato de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir… O que não se pode esquecer é que o único modo de evitar esses erros é adquirindo experiência; mas a única maneira de adquirir experiência é cometendo alguns ou vários deles… Por outro lado, se o criador teve algo em mente quando nos deu um pescoço, certamente foi a intenção de que nós o arrisquemos por uma causa nobre… Conclusão: vale o risco pela nobreza do aprendizado!!!…”.

Em 2018, vamos honrar nossas novas parcerias, amizades sinceras, dedicação aos novos projetos e, principalmente, colocar o “coração” nos nossos Riders Técnicos e fazer essa coisa do áudio continuar a acontecer pra valer!!!…

Um grande e carinhoso abraço galera!!! Que venha um 2018 musical e produtivo…

Meus caminhos nas mixes de in-ears!!!

Farat Allen Editada
Como eu sempre digo, e não é uma unanimidade, não existe que não goste de in-ears e sim quem usou errado!!! Fato… Não adianta pegar os phones, distribuir pra quem nunca usou e dizer “olha que legal”!!!… Tragédia anunciada. Nesse post vou descrever meu sistema de mixar e trabalhar com essa maravilha no mundo do Monitor. Bem-vindos.

Não existe “o melhor cara do monitor”, mas sim o melhor procedimento… Costumo comparar nosso trabalho com a aviação. Os caras que são mais considerados no mercado, são os que seguem os melhores procedimentos!!! Pular um deles no stage é fazer um pouso sem ter checado os flaps antes da decolagem. Simples assim…

O primeiro passo é uma audiometria muito bem feita, por profissionais focados e procedimentos direcionados aos usuários no stage. Além do que, um completo conhecimento sobre preservação auditiva não pode de maneira nenhuma ser ignorado. Depois não reclame da sorte!!!

O próximo é escolher o equipamento, antes de fazer o molde. Simples assim; pegue seu artista ou músico, coloque no iPod os discos que ele mais curte e parta para um representante dos phones que você indicará para compra.Existem “N” modelos disponíveis no mercado brasileiro. É pessoal…

Em tempo, não precisamos levar o cachorrinho dos nossos artistas e músicos pra passear na pracinha, ver a novela das 21:00 hs e depois comer uma pizza com  eles, mas uma proximidade artística e técnica é extremamente importante. Quando contratam alguém para mix no stage, contratam pela assinatura profissional e estrada de cada um… Vc tem que saber quem está na ponta da mix, seu gosto pessoal, suas preferências, assim como as pessoas no stage tem que saber quem pilota a console!!! Fica fácil, pois poucos sinais e uma certa intimidade no mic de comunicação na hora do show ajudam demais!!! Fato…

Partindo de uma varredura de RF bem resolvida, de um equipamento alinhado e com manutenção preventiva em dia (não adianta passar “pneu pretinho” no bodypack e falar que está novo), vamos lá…

Eu costumo colocar meu artista na console (por favor, com os dois lados do fone, pois além de evitar um volume insano e detonar sua saúde auditiva, uma mix mono é como namorar uma boneca inflável… Você  nunca vai se apaixonar de verdade!!!) com uma sugestão de ajuste básico na voz, e aos poucos ambientando o ear e definindo um volume confortável para o início das mixes. Não adianta colocar o volume no 02, porque não vai existir nenhuma possibilidade de um range cômodo de trabalho. Aos poucos vou acrescentando a banda, sempre respeitando a imagem e espaço stereo do palco. Não tem como uma coisa acontecer no stage e outra dentro do phone!!! Depois disso, nossos bravos usuários podem colocar o volume geral no em um nível confortável… Isso é regra para cada um no palco.

Feito isso, lembre-se que se a vida pertence a quem se atreve, a música mais ainda. Depois do básico bem feito, coloque sua assinatura pessoal nas mixes… Seus efeitos, processamento de reverbs, delays, de-essers e seu conhecimento musical vão fazer a diferença, pode ter certeza. O último detalhe desse papo rápido é mergulhar no que está mixando. Faça cada show como se fosse o último da sua vida. Independentemente de estilo, gosto pessoal ou moda, a banda que você está mixando é a melhor do mundo. Adicione ao evento. Não gosta do estilo faça outra gig, ok???

Sobre passar o som ou não, vc pode viver apenas do soundcheck virtual ou trabalhar como esses “moleques” tipo Paul McCartney, Stevie Wonder, Brian Adams ou aquela menina… deixa eu ver se lembro o nome dela… Ah… Madonna, entre outras gigs “mal sucedidas” como essas, que gostam de chegar cedo no stage!!! Hehehehehehe.

Até o próximo e boas mixes!!!